terça-feira, 28 de outubro de 2014
COM A VERDADE TE ENGANAM = PSD + CDS
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
É assim o governo PSD+CDS
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Convém que o povo não perceba como funciona o sistema bancário e ...
Henry Ford - 1922
domingo, 5 de outubro de 2014
terça-feira, 30 de setembro de 2014
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
O DESEMPREGO REAL É 26,5%
Fonte: Ladrões de Bicicletas
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
RUI TEIXEIRA PROÍBE ACORDO ORTOGRÁFICO
O juiz Rui Teixeira, que conduziu a instrução do processo ‘Casa Pia ’e que agora está colocado no Tribunal de Torres Vedras, não quer os pareceres técnicos sociais com o novo Acordo Ortográfico. Os pareceres (relatórios sobre a situação social dos envolvidos em julgamentos) são elaborados pela Direção Geral de Reinserção Social.
Em abril, a DGRS recebeu um pedido de relatório social acompanhado de uma nota: “Fica advertida que deverá apresentar as peças em Língua Portuguesa e sem erros ortográficos decorrentes da aplicação da Resolução do Conselho de Ministros
8/2011(…) a qual apenas vincula o Governo e não os Tribunais”.
Os serviços da DGRS pediram um esclarecimento e Rui Teixeira respondeu: “Não compete aos Tribunais ensinar Leis aos serviços do Estado. É de presumir que a DGRS tenha um serviço jurídico e se não o tiver o Ministério da Justiça tem-no de certeza”.
Correio da Manhã
PEDRO PASSOS COELHO
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
PASSOS COELHO: CORRUPTO?
ACTUALIZAÇÃO 26/09/2014: PEDRO PASSOS COELHO DISSE QUE "Não recebi um montante certo para despesas de representação, mas despesas que realizei na colaboração que prestava com certeza que as apresentei ao órgão executivo"
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Portugal entre os países europeus com menos feriados
Já o México surge no último lugar, com apenas sete feriados públicos.
Segundo refere o 'partner' da Mercer Portugal Diogo Alarcão, "cada vez mais os países querem atrair investimento demonstrando, a nível internacional, que dispõem de uma força de trabalho produtiva, flexível e acessível".
"Portugal, por exemplo, ao suspender quatro dos 14 feriados públicos procurou reforçar a sua imagem junto de potenciais investidores", salienta.
Do estudo resulta ainda que os países da Europa Ocidental estão "entre os menos generosos" na marcação de feriados, com destaque para o Reino Unido, Hungria e Holanda, que se ficam pelos oito dias.
A nível europeu, a Finlândia destaca-se como "o país mais generoso", com um total de 15 feriados públicos, sendo seguido por Espanha (14) e comparando com a Hungria, Reino Unido e Holanda, que têm o menor número de feriados (8).
Já a Áustria tem 12 dias de feriados públicos, enquanto a Suécia, a Itália, a França e a Dinamarca têm 11 dias feriados e Portugal, a Bélgica, o Luxemburgo e a Noruega 10.
Quanto à Alemanha, nota a Mercer que "celebra tipicamente nove dias de feriados públicos", mas "esta contagem varia entre estados (länders)", pelo que "há trabalhadores na Alemanha que podem ter até 13 dias feriados".
"Curiosamente a Noruega e a Suécia não contam o Natal ou o dia de Ano Novo como feriados públicos, apesar de serem considerados como tal pelos colaboradores", ressalva.
No que respeita à Europa Central e de Leste, a Rússia destaca-se com o maior número de feriados (14), seguida da Eslováquia (13), República Checa e Lituânia (12), Croácia (11), Polónia e Ucrânia (10) e Sérvia e Roménia (9).
Relativamente ao Médio Oriente e a África, o Governo turco concede 14,5 feriados públicos e Marrocos 14, enquanto os Emirados Árabes Unidos apenas apresentam nove.
Já na América do Norte, o Canadá destaca-se com o maior número de feriados (11), apesar de variar conforme a província, e o Governo dos Estados Unidos da América proporciona 10 feriados públicos. Contudo, nota a Mercer, "as empresas privadas não são obrigadas a permitir que os seus empregados tirem estes dias".
De acordo com a consultora, a América Latina apresenta, simultaneamente, a maior e a menor quantidade de feriados entre o conjunto dos 64 países analisados: a Colômbia possui o número mais generoso (18), enquanto o México tem o mais baixo (7), sendo que a Argentina e o Chile têm 15 feriados públicos e o Brasil apenas 12.
Na região da Ásia-Pacífico, os trabalhadores da Índia têm, a par da Colômbia, o maior número de feriados públicos do mundo (18), enquanto a Austrália e a Nova Zelândia têm menos feriados do que a média da região (9 e 11 dias, respetivamente), a Tailândia e a Coreia do Sul têm 16 feriados, o Japão 15, a Indonésia, a Malásia e as Filipinas 14, o Paquistão 13 e Hong Kong e Taiwan 12 cada.
Já o Vietnam, com os seus 10 feriados públicos, possui o mais baixo número da região, aquém da China e Singapura, com 11 cada.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
PODEM TENTAR MAS NÃO ENGANAM = PSD+CDS
milhares que já desistiram de procurar emprego, o desemprego
comprime-se, compacta-se, é combatido e esmagado...
NO 1º TRIMESTRE DESTE ANO O GOVERNO BRADAVA AOS CÉUS: O DESEMPREGO ESTÁ A DESCER, PARA 15,1% (788 MIL DESEMPREGADOS)MAS SE CONTARMOS OS 161.000 DESEMPREGADOS DESEMPREGADOS OCUPADOS EM CURSOS DE FORMAÇÃO A TAXA DE DE DESEMPREGO É 18,2% (950.000 DESEMPREGADOS).
E se somarmos cerca de 500.000 portugueses que já desistiram de procurar emprego ou que trabalham contra sua vontadade em part-times, a taxa real de desemprego é mais de 25% e quase 1 milhão e quinhentos mil desempregados.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Há alternativa?
1. Os nossos governantes leram alguns livros. Friedrich Hayek e Milton Friedman lançaram o neoliberalismo há umas boas décadas: afastamento do Estado da economia, generalização do mercado livre a todos os sectores, corte dos gastos sociais, repressão às greves e sindicatos, aumento da desigualdade e do desemprego (essenciais para olear o sistema).
1.1. A teoria é mecânicamente perfeita no encontro entre a oferta e a procura. Na prática falha porque desconsidera que existe um elemento na economia que não é mecânico, nem uma máquina, nem é perfeito: o ser humano, produtor e consumidor com necessidades, desejos e sentimentos que não são mecânicos, nem racionais, nem perfeitos.
1.2. Não leram outros livros que questionam ou denunciam os maus resultados da cartilha neoliberal, a começar pela experiência liberal do século xix que acabou em Guerra Mundial. Nem se importam que o neoliberalismo desemboque na privatização de tudo o que dá lucro e na nacionalização de tudo o que dá prejuízo. Os prejuízos são para serem pagos pela maioria de nós e os lucros são só para alguns.
1.3. A cartilha neoliberal serve apenas os interesses de uma pequena parte da população, os super-ricos, que domaram o sistema político para impor um sistema económico conforme aos seus interesses, que na maior parte das vezes não são comuns aos interesses da maioria da população. Basta ver os governantes e deputados, de Portugal aos países dominantes do mundo, das empresas de onde vieram ou que tiveram por clientes e para onde irão.
2. A maior recessão de sempre em Portugal - Em maio de 2011, PS, PSD e CDS, assinaram um acordo com a troika (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia), onde se previa causar uma recessão de 2,2 por cento em 2012. Desde então as previsões foram sendo revistas para 2,8 por cento, 3 por cento e, recentemente, 3,1 por cento mas segundo o Banco de Portugal poderá aumentar ainda mais se o crescimento mundial desacelerar mais e se forem tomadas medidas adicionais de austeridade.
2.1. O Governo aplicará mais medidas de austeridade para cobrir despesas geradas com a passagem dos fundos de pensões dos bancos para o sector público. Já estamos numa espiral de mais austeridade, mais crise, necessidade de mais receitas para cumprir o défice porque a economia derrapa, mais austeridade, mais crise, mais défice, mais...
2.2. Entretanto, vão disfarçando com as reformas que nunca foram feitas e que aí vêm. A primeira é entregar serviços e bens públicos, alguns monopolistas, aos lucros privados e aos aumentos para a população. A segunda será um ataque violento aos trabalhadores: o corte de subsídios com a desculpa do défice, o aumento dos horários de trabalho com a desculpa da produtividade e com a desculpa da competitividade: a diminuição de salários, o alargamento da precariedade, a facilitação dos despedimentos e a redução das indemnizações.
3. A pergunta impões-se: há alternativa? Tem que haver ou pelo caminho da austeridade numa grande parte do mundo ou pela continuada acumulação de riqueza no 1 por cento de super-ricos e em desfavor da maioria da população, mergulharemos numa crise catastrófica.
3.1. É certo que na comunicação social são muitos os comentadores e os entrevistados a dizerem que não há alternativa e que o que estamos a passar é inevitável. Mas tudo gente que está ao serviço dos super-ricos, que é super-rico ou que está formatada na cartilha neoliberal.
3.2. A alternativa em Portugal é assumir-se de vez que não vamos conseguir pagar a nossa dívida. Não temos nem vamos ter estrutura económica capaz para pagar tanta dívida. Podemos agradecer aos Governantes que desde Cavaco Silva especializaram-se em destruir agricultura, pesca e indústria . A dívida tem que ser renegociada nos prazos de pagamento e juros. Parte dela tem que ser apagada porque é ilegal e foi gerada por negociatas ou corrupção e não é do interesse nacional. Também teremos de repartir o esforço para superar a crise, que neste momento está concentrado sobre os trabalhadores, a função pública e os reformados, sobre as classes média e baixa. Mas repartir o esforço para se encontrar uma saída de produção, serviços, emprego e salários.
3.3. A alternativa na Europa é assumir-se que Estados fracos como Portugal não podem ter uma moeda forte de Estados fortes. Ou existe uma compensação europeia como nos EUA, em que se não fossem as transferências do orçamento federal, os estados mais débeis - Virgínia, Maryland, Novo México, Florida, Mississipi - estariam como Portugal ou a Grécia, ou teremos de voltar a uma moeda própria adequada ao nosso estágio de desenvolvimento. Por outro lado, é preciso regular o sector financeiro e as grandes empresas e renegociar os acordos de comércio livre porque Portugal e a Europa não conseguem competir com países que não garantem direitos básicos dos trabalhadores ou respeitam o meio ambiente. Até porque a larga maioria, dois terços, do comércio na União Europeia é feito entre os seus países membros mas entram no jogo concorrentes exteriores que jogam baixo e distorcem a concorrência.
3.4. A alternativa a nível mundial, em todos os países, incluindo Portugal, é reflectir-se uma saída de longo prazo, uma alternativa económica, porque muitas das medidas urgentes não resolvem o problema que se vai adensando por todo o mundo: máquinas e sistemas inteligentes com potencialidades quase ilimitadas farão do trabalho um bem escasso e muito dele de baixo valor. Crescerá o desemprego, haverão menos salários e muito menos consumo num sistema económico que é o do consumo. Mas também a nível social é preciso conjugar uma alternativa que considere o ser humano enquanto tal e não como uma máquina, colocando a economia ao serviço do ser humano e não ao contrário.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Basta de exploração!!!
Mas o mais grave é que as empresas passam a ter à sua disposição uma “bolsa de 150 horas” por ano, com que podem fazer os empregados trabalharaté 10 horas por dia, durante 75 dias úteis (mais de 3 meses por ano). Estas horas não são pagas mas sim descontadas no horário laboral. No final das contas é mais 3 semanas, 1 dia, 3 horas e 15 minutos de trabalho à borla por ano. Porque deixam de receber horas extraordinárias que são melhor pagas.
Já vai um mês de trabalho à borla.
As empresas poderão também impor pontes aos trabalhadores a descontar nos seus dias de férias, perdendo os trabalhadores controlo sobre dias das suas férias.
É por isto que a UGT está contente e grita vitória? Por terem aceite isto em lugar do aumento de meia hora de trabalho diário quando esse aumento dava que íamos trabalhar mais 23 dias por ano à borla? É que o aumento dos dias de trabalho à borla ficou pior e perdemos mais com as implicações da “bolsa de 150 horas” e com a perda de controlo sobre dias das nossas férias. A UGT é uma vergonha!
O trabalhador, para as troikas portuguesas Governo+Patrões+UGT e PSD+CDS+PS (sim, porque o PS concorda com isto) é mais uma máquina do que um Ser Humano... 10 horas diárias durante mais de 3 meses!!! E a família??? E o lazer???E o cansaço??? E o perigo dos acidentes de trabalho??? Não sabem que a capacidade produtiva começa a baixar significativamente e cada vez mais depressa a partir das 6 horas de trabalho, aumentando erros e desperdícios de matéria-prima???
Mas também vão facilitar os despedimentos, reduzir as indemnizações de despedimento, reduzir o subsidio de desemprego e usar dinheiro da Segurança Social para subsidiar as empresas que procuram trabalho barato.
É este acordo que vai contribuir para aumentar o emprego ou para resolver o problema económico de Portugal?
Vamos é dar continuidade a um modelo económico falhado, com baixa produtividade, que também é fortemente responsável pelo estado actual de Portugal. Mesmo sem este acordo, na Europa, somos dos países onde se trabalham mais horas e com piores salários, em empresas menos competitivas e menos produtivas. Além de que, em Portugal, os custos de energia e outros factores de produção são bastante mais pesados para as empresas de que os custos do trabalho. E ainda temos de contar com a incompetência empresarial e de organização do trabalho. Neste contexto, o acordo das troikas são mais um incentivo para continuar a fazer mais do mesmo e mantendo o atraso da nossa economia.
Esteve bem a CGTP ao recusar isto. Portugal tem futuro! Mas esse futuro não é o das troikas, não é o aumento do desemprego e da pobreza, não é a transferência de riqueza das classes médias e baixas para as classes mais altas. Em 1975 cerca de 60% da riqueza produzida em Portugal ia para salários, actualmente só cerca de 40% da riqueza produzida vai para salários. Basta de exploração!!!
sábado, 14 de janeiro de 2012
O fim do trabalho
2. Em outubro de 2011 tivemos 24.000 desempregados, aos quais se juntarmos os que já nem se interessam por estarem inscritos como desempregados e aqueles que não contam para as estatísticas porque fazem uns biscates, vamos a caminho dos 30.000 desempregados no Algarve. Todos juntos, é possível que já tenhamos, no Algarve, uma taxa de desemprego efetiva à volta dos 15% - um valor assustador!
3. O desemprego cresce no Algarve e em Portugal. A crise ajuda mas também o fato de termos tido governo, de Cavaco a Sócrates, passando por Guterres, Durão, Portas e Santana, que ajudaram à destruição da agricultura, pesca e indústria. Nos dias de hoje, os cortes e a austeridade de muitos governos, como o português, também ajudam.
4. Mas o desemprego cresce transversalmente por todo o mundo e daqui a uns poucos anos poderemos chegar à conclusão que não é possível recuperar. Está a desenvolver-se uma Revolução Informática que pode não ter paralelo na história, nem com a Revolução Industrial de há 200 anos, nem com Revolução Tecnológica de há 100 anos.
5. As Revoluções Industrial e Tecnológica proporcionaram um desenvolvimento da indústria e dos serviços que destruí empregos nalguns setores mas acabou por criar empregos em massa. Já a Revolução Informática pode estar a destruir mais empregos do que os que cria, não só no setor industrial como também nos serviços. O multibanco, as caixas automáticas nos supermercados ou nas portagens são só uns poucos exemplos. É uma tendência que se irá alargar a quase todos os serviços: máquinas e sistemas inteligentes com potencialidades quase ilimitadas.
6. Haverá sempre gente a trabalhar para criar novas máquinas e sistemas, será sempre necessário alguém para os operar, mas cada vez menos gente será necessária porque as máquinas e os sistemas estão cada vez mais interligados e são cada vez mais independentes.
7. Há 30 anos atrás talvez fossem precisas 100 pessoas para fazer 1000 automóveis em 100 dias e agora são precisas 50 pessoas para fazer 2000 automóveis em 50 dias. Em geral, graças às informática, temos mais produtos para consumir mas temos menos emprego na produção.
8. Mas, também, pela primeira vez na história, podemos estar perante uma situação em que não haverão setores económicos capazes de absorver a massa crescente de desempregados. Os setores com maior potencial, as energias renováveis, as tecnologias de informação, a saúde e a geriatria vão gerar emprego e bons salários mas serão incapazes de absorver a crescente massa de desempregados.
9. Mesmo nas energias renováveis, estão-se a criar bastantes empregos para fabricar e montar painéis solares e torres eólicas, mas após a instalação esses empregos desaparecem e a manutenção desses equipamentos empregará muito menos pessoas.
10. No entanto, mais desemprego é igual a menos salários, a menos rendimento, a menos consumo e mesmo os setores económicos com maior potencial podem crescer menos face a menos disponibilidade para o consumo. Pelo que, a sociedade capitalista tal qual a conhecemos baseia-se no consumo, num consumo massificado e sem consumidores será o colapso.
11. Uma coisa parece certa: no futuro, a nível mundial, máquinas e sistemas inteligentes com potencialidades quase ilimitadas farão do trabalho um bem escasso e muito dele de baixo valor. Tornando-se o trabalho um bem escasso, significa que terá de ser dividido pela mão de obra disponível. Países com 15%, 20% ou mais de desemprego permanente, colapsarão. Dividir o trabalho significa trabalhar-se menos horas e reformar-se mais cedo, para que todos possam ter oportunidade de acesso ao trabalho, ao contrário do que se está atualmente a fazer em Portugal e na Europa, que estão a aumentar o horário de trabalho e a idade da reforma.
12. Dividir o trabalho sem uma perda acentuada de salário obriga a uma correta distribuição da riqueza, ao contrário do que acontece atualmente na Europa e nos EUA. E há margem para isso. Segundo um artigo publicado no New York Times, de 4-9-2011, nos EUA, de 1947 a 1979, a produtividade e os salários aumentaram a um ritmo semelhante mas, de 1979 a 2009, a produtividade aumentou 80 por cento e os salários apenas 8 por cento. Em 1979, o 1 por cento do topo da pirâmide social, os super-ricos, tinham apenas 10 por cento da riqueza nacional mas passaram para 23,5 por cento em 2009. Muito parecido ao pico de 1929, antes da explosão da Grande Depressão. De 1947 a 1979, todas as classes viram os seus rendimentos subirem equilibradamente mas, de 1979 a 2009, os 25 por cento do topo tiveram mais ganhos que os restantes 75 por cento da população, esmagando as classes média e baixa.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Obras da Fagar
Extracto do ofício enviado à Fagar e ao Presidente da Câmara:
A esta Junta de Freguesia chegam diariamente reclamações sobre as obras da Fagar, que temos feito chegar a V. Exas.
(...)
Desde logo, com cada vez mais os pavimentos danificados à espera de repavimentação.
(...)
Por outro lado, a reposição de pavimentos é de muito baixa qualidade.
(...)
Não é feita uma compactação adequada das valas.
(...)
Os prejuízos nas viaturas automóveis particulares são elevados. Não há pneus, jantes e suspensões que resistam.
(...)
É pertinente tomar as medidas necessárias para corrigir preventivamente as falhas detectadas, em lugar de passarmos mais um ou dois anos em trocas diárias de comunicações enquanto os munícipes sofrem prejuízos diariamente.
(...)
As obras têm de ter método, as valas devem ser devidamente compactadas e repavimentadas com qualidade, as calçadas devem ser repostas e os caminhos e estradas devem estar transitáveis fora do período de trabalho nessas obras.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Donos do Mundo
´
in Algarve Mais, Dezembro de 2011
Thomas Jefferson, disse em 1802, portanto há 209 anos atrás: “Acredito que os bancos são mais perigosos para as nossas liberdades do que os exércitos. Se o povo Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo.”
Jefferson não foi um qualquer radical, foi o principal redator da declaração de independência dos EUA e foi o 3º Presidente norte-americano. Pelo andar das coisas, a visão de Jefferson vai-se concretizar e na Europa como nos EUA uma grande parte da população vai cair na pobreza.
Os bancos, os fundos de investimento, o poder financeiro das multinacionais, com as mãos muito livres, são os novos donos do mundo, ganharam uma dimensão asfixiante e uma vida própria que não respeita a vida humana, ganharam uma dimensão e um poder que esmaga a vida humana. Hoje em dia, há quem aponte que 90% dos milhões de milhões de euros que circulam sem parar diariamente pelo mundo não têm nada a ver com a produção ou comércio de bens ou serviços, não têm nada a ver com emprego nem salários. Hoje em dia, 90% dos milhões de milhões de euros que circulam pelo mundo movem-se no campo da especulação, de criar lucro com compras e vendas especulativas de ações, moedas, produtos futuros.
Chegámos a este ponto a reboque de uma ideologia neo-liberal, com a crescente desregulação dos mercados financeiros a partir da década de 1980, com a justificação que a liberalização financeira iria permitir uma melhor movimentação internacional e uma aplicação do capital onde ele fizesse mais falta, potenciando um grande crescimento económico mas o resultado não foi esse. Não só não se cumpriu nenhum paraíso na terra como o crescimento da finança desregulada acompanhado do crescimento do poder das multinacionais é equivalente à crescente sucessão de crises que ameaça tornar-se numa depressão económica jamais vista.
Nas 100 maiores economias do mundo estão 42 empresas multinacionais, essencialmente das áreas do petróleo, banca, seguros, telecomunicações, farmacêutica, agrotóxicos, supermercados e indústria automóvel. As maiores 500 empresas do mundo têm um lucro total equivalente a um terço do rendimento mundial. São os donos do mundo.
Portugal tem um Produto Interno Bruto anual de 167 mil milhões de euros. À frente de Portugal estão uns 35 países e atrás uns 150 países. Mas, o Royal Bank of Scotland tem ativos no valor de 2 500 mil milhões de euros, a Shell tem vendas no valor de 333 mil milhões de euros e a ExxonMobil tem um valor de 243 mil milhões de euros de euros. E os fundos de investimento da Bridgewater Associates têm 42 mil milhões de euros e os da Pimco têm 18 mil milhões de euros. Em Portugal as vendas das maiores 50 empresas superam os 50 mil milhões de euros
Os Estados, assim como os trabalhadores e os consumidores, perderam poder para as multinacionais e fundos de investimento, que por sua vez arrastam os salários para baixo e concentram o lucro numa escassa classe de super-ricos, 1% da população, destruindo a classe média e atirando para a pobreza uma grande parte da população.
Foi quebrado um contrato social entre o capital e o trabalho que tinha sido instituído após a Grande Depressão da década de 1930 e após a II Guerra Mundial. O medo da ascensão da URSS e da luta dos trabalhadores, o medo dos horrores das 2 guerras mundiais, geraram um contrato social na Europa e nos EUA baseado na valorização do trabalho e do salário, no desenvolvimento da Segurança Social, na presença do Estado na Economia e em setores estratégicos, no espaço para as Pequenas e Médias Empresas.
Este contrato, que foi o grande responsável pelo desenvolvimento da Europa e dos EUA, foi rasgado pelo capital, pela escassa classe de super-ricos de 1% da população, que já não querem repartir lucros com o resto da população.
Ainda há pouco tempo estava a ver o humorista norte-americano, Jon Stewart, na TV a dizer que a guerra de classes está de volta e são os super-ricos que estão a atacar a maioria da população. Mas se o contrato social foi quebrado e a guerra de classes está de volta, também estarão de volta as convulsões sociais, as revoltas e as revoluções. Os debaixo, a maioria da população, podem estar ainda acomodados ou iludidos mas tanta pobreza e vidas precárias explodirá mais cedo ou mais tarde.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Faço greve
Para não dizerem que são as palavras de um comunista, de um bloquista ou mesmo de um socialista, recordo Paulo Morais, que foi Vereador do PSD no Porto e que escreveu no Jornal de Notícias, no dia 24 de Novembro de 2010: HOJE FAÇO GREVE. Portanto há 1 ano atrás. E não é que 1 ano depois e com um governo novo o artigo de opinião é perfeitamente actual.Hoje faço greve. Porque me angustia o rumo que o país leva, a deterioração crescente do nível de vida dos portugueses. O crescimento do desemprego, a manutenção de salários de miséria, a par do aumento de impostos, transformaram a vida dos mais necessitados num inferno. Há frigoríficos vazios em muitas casas, rendas por pagar, famílias insolventes. Centenas de milhar estão numa agonia, reféns dos malfadados créditos ao consumo a taxas de 30 por cento. Aumentam os sem-abrigo nas ruas das áreas metropolitanas, cresce o consumo e tráfico de droga. Com mais assaltos e até mais suicídios, o ambiente social é explosivo. Só por isto faria greve.
Mas também porque estou revoltado com os partidos políticos que capturaram o regime e transformaram a actividade política numa megacentral de negócios. A corrupção instalou-se, o tráfico de influências é a regra, com uma promiscuidade permanente entre os maiores escritórios de advogados e os gabinetes governamentais, entre o Parlamento e os grandes grupos económicos. Neste panorama pantanoso, a maioria dos políticos tem hoje apenas três objectivos: manter os mandatos, bem como os privilégios que estes lhes conferem, obter negócios para os seus financiadores e apoiantes à custa dos recursos públicos e, por último, distribuir empregos e "tachos" pelos seus apaniguados. A política é hoje a "porca em que quase todos mamam" de que falava Bordalo Pinheiro.
Finalmente, faço greve porque as medidas recentemente anunciadas são contrárias às que o país precisa. Sem qualquer estratégia coerente, o intuito do governo português parece ser apenas aumentar a dívida pública, acautelando rentabilidades obscenas a quem a financia; a par da teimosia nas parcerias público-privadas que garantem aos privados todos os lucros e socializam todos os prejuízos. Para pagar estes desmandos, reduzem-se salários e aumentam-se impostos uma vez mais. Assim se irá liquidar a pouca actividade económica que heroicamente subsiste. Por isso, também pelo futuro da nossa economia, adiro à greve.
E faço greve, enfim, porque não posso fazer a revolução.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
A praxe e a crise cultural

1. Chegados a Outubro voltamos a ver, dentro e fora da Universidade do Algarve (UAlg), jovens de joelhos, a rastejar, a serem insultados e a insultar outros, a serem lambuzados com as mais nojentas mistelas e algumas vezes excrementos de animais.
2. Diz o código da praxe da UAlg que as praxes na nossa Universidade já há muitas décadas vêm a ser transmitidas de geração em geração. Ai se o ridículo paga-se imposto! A UAlg tem 30 anos, não tem muitas décadas! A praxe não existe por cá há 100 ou há 50 anos, não é uma tradição.
3. Em Portugal, a praxe tem tradição em Coimbra, mas os próprios estudantes, no contexto da luta contra a guerra colonial em África, aboliram-na na crise académica de 1969, porque os tempos não estavam para palhaçadas. Esta tradição foi reactivada na década de 1980 e depois importada por Universidades que iam abrindo pelo país. Hoje, também os tempos não estão palhaçadas e o risco que o país corre é enorme.
4. Após décadas de atrofio fascista a nível social, cultural e económico, após o turbilhão do 25 de Abril de 1974, na década de 1980, o conservadorismo regressou em força camuflado em ritos elitistas de um novo-riquismo. Numa sociedade pouco qualificada e numa grande parte ainda analfabeta, a nova tradição académica, os trajes, cresceram como símbolos de ostentação e marcavam a diferença dos futuros doutores em relação aos outros estudantes de graus de ensino inferiores e à sociedade pouco qualificada em geral.
5. Dizem que a praxe tem por objectivo integrar os recém-chegados. Como se estivessem a chegar a outro planeta! Na UAlg, não fui praxado, não praxei, não usei traje académico porque não quis, participei em jantares de curso, integrei-me, fiz amigos, sem que tivesse de humilhar ou subjugar alguém.
6. O código da praxe na UAlg diz que os caloiros devem ser tratado condignamente, não indo contra a condição do ser humano e que a praxe tem como objectivos receber condignamente os recém-chegados alunos, integrá-los e incutir-lhes as regras básicas do espírito académico, bom comportamento, e companheirismo, reflectindo-se mais tarde no crescimento pessoal. Realizar estes objectivos através da humilhação e subjugação é um contra senso! Humilhar ou subjugar alguém é desrespeitar a condição do ser humano! Como é que a humilhação ou a subjugação ajudam o desenvolvimento pessoal de alguém?
7. Entre graçolas presumivelmente inocentes, brincadeiras parvas e violência psicológica e física, a natureza da praxe é aberrante e baseia-se numa hierarquia e numa autoridade bafientas. O próprio código da praxe na UAlg fala em preservar uma cultura de servilismo, obediência e resignação!
8. Quantos dos actuais 10.000 estudantes da UAlg leram as 32 páginas das “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos”, de Antero de Quental, em 1871? Dizia Antero que, após séculos de uma ocupação romana e de uma Idade Média muito particulares, vibrantes, descentralizadas, até liberais comparando com o resto da Europa, após a aventura dos descobrimentos e a explosão renascentista, seguiu-se, no séc. xvi e em poucas décadas, uma decadência que não só durou até o tempo de Antero, como se prolongou até hoje.
9. O desenvolvimento de um absolutismo religioso, monárquico e social matou a cultura, a criatividade, a originalidade, a independência e a relativa liberdade que prosperaram durante séculos, matou o pensamento crítico e incutiu a passividade desde as classes mais baixas às classes mais altas e aos intelectuais. E o espírito aventureiro transformou-se em guerreiro, de uma nação conquistadora que para usufruir uma vida de ócio remete o seu saque para os países que trabalham. “Assim herdámos um invencível horror ao trabalho” e “nunca povo algum absorveu tantos tesouros, ficando ao mesmo tempo tão pobre!”, disse Antero.
10. Nem com o advento da monarquia liberal ou da República conseguimos libertar-nos desta cangalhada, que ainda foi reforçada durante 50 anos de fascismo em pleno séc. xx. Nas palavras de Antero “entre o senhor rei de então, e os senhores influentes de hoje, não há tão grande diferença: para o povo é sempre a mesma a servidão. Éramos mandados, somos agora governados: os dois termos quase que se equivalem”. Os portugueses, de criadores nos séculos xii a xv, passaram a tolerantes e fanáticos nos séculos xvi a xviii e chegaram a indiferentes nos séculos xix a xxi!
11. Um jovem supostamente moderno sujeitar-se à humilhação e subjugação é mais um elo da corrente que o garrota. Há sempre causas para os sorrisos submissos com que se convive na generalização dos estágios laborais mal ou nada pagos ao trabalho mal pago e precário. A resignação e a passividade são características do estado cultural do país, amorfo, derrotado.
12. Mais do que nunca é preciso atentar às palavras de Antero: “Façamos nós também, diante do espírito de verdade, o acto de contrição pelos nossos pecados históricos, porque só assim nos poderemos emendar e regenerar. (…) Que é pois necessário para readquirirmos o nosso lugar na civilização? Para entrarmos outra vez na comunhão da Europa culta? É necessário um esforço viril, um esforço supremo: quebrar resolutamente com o passado. Respeitemos a memória dos nossos avós: memoremos piedosamente os actos deles: mas não os imitemos”.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Extinção de Câmaras e Juntas de Freguesia
Na Algarve Mais de setembro, o ilustre Dr. João Amado, no seu artigo de opinião, abordou a temática da redução de Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia. É parte do acordo assinado entre PSD, CDS, PS e a “troika”.
Como na generalidade das medidas do acordo com a troika, o objetivo é, simplesmente, cortar na despesa pública. Também concordo que é preciso cortar na despesa pública mas no desperdício e reorganizando o Estado para se gastar menos e melhor. Não como impôs a “troika”: cortar 9 mil milhões de euros a direito.
Assinou-se cortar 1 500 milhões de euros na Saúde, Educação e Segurança Social, até 2012. Corta-se 10% nas horas extraordinárias dos médicos, aumenta-se o número de alunos por turma para se reduzir o número de professores, reduz-se o tempo máximo de subsidio de desemprego para metade (1 ano e meio) e passados 6 meses é cortado 10%. Faltam as medidas de melhoria e otimização desses serviços e ignora-se que há despesa do Estado que é não é desperdício mas sim investimento, porque o salário de um médico ou de um professor é a garantia de bem-estar e de desenvolvimento.
Nas autarquias locais parece que, em primeiro lugar desaparecerão muitas mais Freguesias do que Municípios, considerando que os interesses PSD+PS instalados nas Câmaras têm poder e as Freguesias não. Em segundo lugar cortar-se-á 350 milhões de euros nas transferências para as autarquias locais, cerca de 15%.
Se apenas se preocuparem em cortar, vou mais longe: para se manter o quadro atual de pouquíssimas competências próprias e redução dos orçamentos das Juntas de Freguesia, deviam era extingui-las todas. Atualmente, já não fazem grande sentido se quase se limitam a passar licenças de cães e atestados de residência. Nas cidades têm ainda recursos financeiros mas as populações estão mais próximas da Câmara Municipal. Fora das cidades, onde as populações estão mais próximas das Juntas, estas não têm orçamento e competências para nada de importante.
É assim na minha Junta de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe: 4 000 habitantes no interior de Faro e um orçamento anual que já foi reduzido de 76 000 para 66 000 euros e com mais um corte de 15% será reduzido para 56 000 euros. Com um orçamento destes, a atividade da Junta resumir-se-á a manter a secretaria aberta, passar licenças de cães e atestados de residência e ponto final.
Parece faltar na iniciativa do Governo o que é essencial: uma descentralização significativa de competências acompanhadas pelos respetivos recursos financeiros e um novo quadro de financiamento das autarquias.
Não deixa de ser significativo que os 2 países europeus mais centralistas – Portugal e Grécia – foram os que rebentaram. Em Portugal o grau de centralismo político-administrativo é de 90%, dependente de Lisboa, da capital, na França é 79%, na Holanda é 73%, na Dinamarca é 55%, na Finlândia é 65%, na Áustria é 50%.
Faz falta colocar as decisões locais/regionais junto das populações e os decisores em lugar de serem uns desconhecidos num qualquer gabinete lisboeta devem ser os que vão a votos e são avaliados junto das suas populações.
Mas também faz falta um novo quadro de financiamento das autarquias. Discordo com o Dr. João Amado quando refere que “ninguém negará que as autarquias gastaram acima das suas possibilidades, gerando endividamentos brutais para as gerações futuras”. Em 2010, o conjunto das Câmaras tiveram um resultado positivo de 70 milhões de euros e a generalidade do Estado teve um resultado negativo acima dos 7 mil milhões de euros. Existem certamente casos de má gestão autárquica mas não são generalizáveis, conforme o Dr. João Amado reconhece, acreditando “no poder local como principal força motriz do desenvolvimento social, económico e cultural das populações após o 25 de abril” e reconhecendo “o trabalho de muitos autarcas dedicados”.
As Câmaras não devem estar dependentes das taxas sobre a construção civil. Se uma Câmara em 2005 arrecadava 20 milhões de euros nessas taxas, em 2011 vai ter apenas 2 milhões. Em 2005 projetaram-se obras e pediram-se empréstimos quando se tinha uma receita que agora esfumou-se, fazendo disparar os níveis de endividamento. E ao mesmo tempo, ao longo dos últimos 30 anos, abriu-se a porta à corrupção e para aumentar a receita cresceram os desmandos urbanísticos.
Aliás, como proposta para discussão, a acompanhar a descentralização de competências, dos 35 mil milhões de todos os impostos cobrados em Portugal, em lugar de 90% estarem nas mãos do Governo, em Lisboa, deviam ficar: 2,5% nas Freguesias onde são gerados, 12,5% nos Municípios onde são gerados, 17,5% nas regiões onde são gerados; 27,5% num fundo nacional a repartir pelas Freguesias, Municípios e Regiões para corrigir fatores de interioridade e outros; e 40% para o Governo.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Chamem essa gente à justiça, procurem o dinheiro e não se pode pagar dívida que foi feita aldrabando o Estado.
Não aceito porque não devo dinheiro a ninguém, nem nunca vivi acima das possibilidades, como tanto dizem ter sido um problema. Não, não roubei 3 ou 4 mil milhões de euros no BPN. Não, nunca fiz nenhuma obra para o Estado que era para ter custado 500 milhões e depois custou o dobro. Não, não fiz nenhuma parceria pública-privada com o Estado em que o Estado é chulado aos mil milhões de euros à força toda. Não, não sou nenhum consultor ou advogado, geralmente coloridos, dos que embolsaram contratos manhosos com o Estado de mil milhões não sei quantas vezes. Não, não estive no Governo e destruí a indústria, a agricultura, as pescas e o pequeno comércio. Não, não estive na política e recebo algumas dezenas ou centenas de milhares de euros todos os anos de grandes empresas que só pode ser para influência e favores.
Portanto se o Estado não tem dinheiro foi porque alguns roubaram dezenas e até mesmo centenas de mil milhões de euros. Chamem essa gente à justiça, procurem o dinheiro e não se pode pagar dívida que foi feita aldrabando o Estado.
As políticas de Passos-Portas-PSD-CDS vão causar uma grande crise, mais pequenas empresas vão fechar, mais desemprego, mais pobreza e menos receitas para o Estado e mais buracos e mais cortes e mais crise e mais cortes e mais crise...
E sim há sempre outra alternativa. Lembro-me que há uns meses diziam que sair do Euro para se ter uma moeda nova desvalorizada para se reduzir importações, estimular a produção nacional e aumentar as exportações, era de loucos significaria um empobrecimento de 20% da população. Agora é o próprio Governo ou os seus ideólogos neo-liberais que dizem que vivíamos acima das possibilidades e temos de empobrecer 20%. Mas ficamos à mesma com uma moeda Euro forte e fora do nosso controlo.
Há uns meses falava-se em renegociar a dívida e eram loucos os que falavam nisso. Entretanto já a União Europeia falou em alargar prazos de pagamento e já se fala em perdoar 50% da dívida da Grécia. Há sempre uma alternativa.
Renegociar as parcerias publico-privadas é menos 1 mil milhões. Cortar o desperdício no Estado e optimiza-lo é menos 1 mil milhões. Cortar mil milhões em assessorias de gabinetes de advogados e similares. Taxar o capital (é mais uns mais mil milhões) e não carregar somente sobre o trabalho e o consumo. É pá, são governantes, trabalhem que vão lá chegar.
Mas NÃO podemos contar com este Governo Passos-Portas-PSD-CDS. Não querem procurar alternativas. São ortodoxos. Não podem ir contra os seus patrões, os bancos e as grandes empresas que foram quem criou esta crise portuguesa. Prometeram uma coisa e agora fazem o contrário. Seguem um programa neo-liberal de favorecimento do capital e esmagamento do trabalho, como em quase toda a Europa. É por isso que aumentam o horário de trabalho para trabalharmos mais mas de borla. A base de uma sociedade nova tem que ser o trabalho, valorizado economicamente e socialmente. O trabalho e não a preguiça, a esmola ou o subsidio tem que ser a principal forma de distribuição da riqueza. Os salários eram 56% do PIB português em 1973, em 1975 passou para 69% e em 2009 apenas 52%.










