segunda-feira, 14 de março de 2011

Recrutamos finalistas de cursos superiores sem remuneração e comparticipamos apenas a refeição




1 dias após 300.000 pessoas terem saído à rua, protestando contra o desemprego e a exploração no mercado de trabalho, a Staples, a maior empresa do mundo de material de escritório, publicou um anúncio vergonhoso para recrutar finalistas de cursos superiores, para todas as áreas do Departamento de Serviço ao Cliente & Qualidade, sem remuneração e em que comparticipam apenas a refeição.

Podem dizer que é um estágio curricular de 3 ou 6 meses mas na verdade é o regresso à escravatura.

Só existem duas alternativas: ou os políticos e as forças dominantes da sociedade actual correspondem ao anseios desta geração à rasca, ou o povo na rua tomará o seu lugar na construção de uma sociedade nova.

Ainda é tempo de sairmos para a rua, invadirmos a rua até que os poderes públicos e privados cedam ou caiam.

Em Faro gritou-se MUDANÇA. A mudança é a valorização do trabalho. Os seres humanos não são máquinas ou matérias primas, não são custos de produção. O trabalho ocupa um papel central nas sociedades humanas mas não pode ocupar toda a vivência humana, deixando espaço para a vida privada, família e lazer. A remuneração tem que corresponder aos meios necessários para a satisfação das necessidades humanas nos tempos modernos. E a protecção no desemprego tem que garantir mínimos de uma subsistência digna.

A base de uma sociedade nova tem que ser o trabalho, valorizado economicamente e socialmente. O trabalho e não a preguiça, a esmola ou o subsidio tem que ser a principal forma de distribuição da riqueza. Os salários eram 56% do PIB português em 1973, em 1975 passou para 69% e em 2009 apenas 52%. Nos EUA, desde 1979 a riqueza de 1% de famílias super-ricas aumentou quase 400% e a riqueza de 80% das famílias de classe baixa ou média ficou na mesma ou caiu.

Riqueza existe, está é mal distribuída. A luta é por trabalho dignamente remunerado e conciliado com a vida pessoal, familiar e lazer.

Vamos voltar para a rua, vamos ficar na rua.

sábado, 12 de março de 2011

Geração à rasca: manifesto de 4 pontos para uma sociedade nova.

1. Valorizar o trabalho, socialmente e economicamente.

O trabalho é um elemento central do desenvolvimento da Humanidade, tem uma função social. Por outro lado, os Seres Humanos não são máquinas ou matérias primas, não são custos de produção.

Qualquer sistema, sociedade, empresa ou governo tem que ter inscrito na sua matriz o trabalho numa perspectiva humana:

- Valorizado socialmente na vertente da realização pessoal e porque ocupando um papel central nas sociedades humanas não pode ocupar toda a vivência humana, deixando espaço para a vida privada, família e lazer

- Valorizado economicamente porque a sua remuneração tem que corresponder aos meios necessários para a satisfação das necessidades humanas nos tempos modernos. E a protecção no desemprego tem que garantir mínimos de uma subsistência digna.

2. Bens públicos essenciais

Todos os Seres Humanos têm direito a Saúde, Educação, Cultura, Justiça e Habitação.

São bens públicos que têm que estar acessíveis a todos, com qualidade, independentemente dos seus rendimentos.


3. Responsabilidade e ética na governação, e justiça social

Na política, servir e não servir-se.

Na governação, garantir a gestão optimizada dos recursos públicos, contrária ao desperdício, aos abusos e à promiscuidade entre o estado e o sector privado e as benesses a este.

Na governação e na sociedade, valorizar do trabalho e garantir a acessibilidade aos bens públicos essenciais, através de uma distribuição da riqueza mais justa, num mundo que nunca foi tão rico como agora, por via da remuneração do trabalho e do financiamento adequado dos bens públicos essenciais.

4. Ou os políticos e as forças dominantes da sociedade actual correspondem ao anseios desta geração à rasca, ou o povo na rua tomará o seu lugar na construção de uma sociedade nova.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Farto do Cavaco, farto do Sócrates e farto do Passos Coelho que ainda não chegou lá

Cavaco, fala, fala e não faz nada. É político à 30 anos, foi primeiro-ministro, foi quem começou a destruição da indústria, pesca e agricultura, foi quem começou a pôr mamões no estado e outros fora do estado agarrados à mama do estado. É Presidente da República e é só blá blá. Teve ao seu lado nas eleições uma carrada de gente dos que açambarcam tudo e matam o pequeno e o médio.

Sócrates é o homem que fala dos sacrifícios e toma medidas em que são as classes média e baixa que pagam a crise criada pelos super-ricos. Nas medidas de Sócrates, 60% são cortes e aumentos de impostos sobre os trabalhadores, 30% são cortes no Estado que afectam serviços públicos cujos utilizadores são as classes baixa e média e somente 10% são o contributo de grandes empresas, bancos, etc. São os pobres que pagam a crise criada pelos ricos!

Passos Coelho o que anuncia é baixar todos os salários em Portugal, pôr toda a gente sem garantia nenhuma de trabalho e pôr mais uns mamões à mesa.

Nenhum desses 3 querem mexer no verdadeiro problema. Será que não conseguem ver que o problema está na mal distribuição da riqueza produzida? O que faz falta é trabalho bem pago e garantias de futuro. Nunca Portugal foi tão rico mas como em quase todo o mundo a riqueza está a ser entregue a meia dúzia. Dizem que essa meia dúzia quanto mais rica for fará crescer sei lá o quê mas na realidade Warren Buffet, milionário e investidos norte-americano, denuncia que o favorecimento aos super-ricos americanos apenas e só os tornou mais ricos enquanto o americano médio não foi a lado nenhum, ficou sempre na tremideira. O FMI publicou um estudo concluindo que a crise financeira foi provocada pelo aprofundamento do fosso entre pobres e ricos. Tal como aconteceu na Grande Depressão, a crise financeira resulta da concentração de riqueza nos mais ricos e o crescente acesso ao crédito dos mais pobres, sem recursos para viver nas sociedade modernas.

Vejam bem o gráfico do EUA, que é um modelo aplicável a Portugal e a todo o mundo.
Desde 1979 a riqueza de 1% de super-ricos aumentou quase 400% e a riqueza de 80% da população ficou na mesma ou caiu.


É a queda dos salários. As estatísticas dizem que do PIB (Produto Interno Bruto) português, da riqueza do pais, em 1973, 56% era para ordenados, em 1975 passou para 69% mas depois foi caindo e em 2009 apenas 52% da riqueza nacional foi para ordenados

Porra eu quero um futuro para o meu filho, merece tanto como esses 1% super-ricos e existe riqueza suficiente para todos. Ou dão a volta a isto ou rebenta tudo!

segunda-feira, 7 de março de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

O atraso de Portugal

Foi algo que pensei há uns 2 meses mas só agora alinhavei umas palavras para partilhar esta reflexão. Faz quase 2 meses que Carlos Castro foi assassinado em Nova Iorque. Durante dias a fio não deu quase mais nada na televisão. Foi os telejornais, foram os programas da manhã e da tarde.

Na mesma altura morreu Vitor Alves, um dos destacados capitães de Abril, um homem sério, honesto e sensível. Vitor Alves, Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho, Salgueiro Maia, Costa Gomes, Melo Antunes, foram obreiros do 25 de Abril, deitaram abaixo a longa ditadura fascista.

No entanto Vitor Alves passou de raspão na televisão e Carlos Castro abafou a televisão.

Isto é um sintoma do atraso do nosso país. É um atraso cultural. A morte de Carlos Castro não tem nenhuma importância para Portugal mas a morte de Vitor Alves poderia ter proporcionado uma reflexão sobre o nosso passado, o nosso presente e o nosso futuro, sobre a nossa governação passada, presente e futura.

quarta-feira, 2 de março de 2011

PCP e o BE têm razão: Despedir o electricista não poupa energia

É o título de um artigo de opinião do Director do Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro (PSG). Depois acrescenta: PCP e o BE têm razão: aumentar a competitividade não pode ser apenas gerir o factor de produção trabalho.

Sócrates e Limitada falam muito das exportações. Alguns empresários e políticos cavernosos falam do despedimento livre. PSG diz que a competividade da economia não depende do despedimento livre. E até as associações industriais e grandes exportadores estão mais preocupados com o custo da energia. Afinal os custos unitários dos produtos exportados não são só salários: são juros, factura energética, impostos, transportes, matérias-primas.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Canteiros de Bordeira


Bordeira é conhecida pela arte de trabalhar a pedra. Os seus canteiros trabalharam na recuperação dos grandes monumentos franceses: Palácio de Versailles, Catedral de Nôtre Dame, a Assembleia Nacional, o Louvre, os Invalides, o Sacré Coeur, Montmartre... Ver também mais abaixo. Mas noutros sitios da Freguesia também tivémos bons canteiros, como o falecido João Madeira da Aldeia.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A rainha da música

A Freguesia de Santa Bárbara de Nexe é a rainha da música: 7 charolas, Helder Barracosa, Nelson Conceição, os jovens acordeonistas de Bordeira, 2 ranchos folclóricos, Grupo de Cantares da CIMFARO, Fina Flor, José Manuel Ferreira + JMF e os Algarviados, Compact 2, o Hugo, Cume, Smente, Mentes Perigosas, Compact 2... Mais de 150 pessoas. Cultura, amizade, convivio saudável, identidade colectiva. É preciso apoiar e incentivar a nossa malta, sempre!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

São as classes média e baixa que estão a pagar a crise

A crise foi provocada por milionários mas os outros é que pagam. Os milionários dos bancos, os seus gestores e os outros que puseram lá os seus milhões, ambos para especularem e criarem produtos financeiros agora chamados de tóxicos, ganharam milhões até provocarem o caos financeiro. Ainda hoje em plena crise continuam com salários e lucros pornográficos.

Mas são as classes média e baixa que estão a pagar a crise. Em Portugal, como no resto do mundo, aumentou-se a despesa do Estado, em princípio, parar contrariar uma crise criada por banqueiros gananciosos e políticos incompetentes. Agora para fazer descer essa despesa, nas medidas dos Planos de Estabilidade e Crescimento e do Orçamento de Estado, 60% são cortes e aumentos de impostos sobre os trabalhadores, 30% são cortes no Estado que afectam serviços públicos cujos utilizadores são as classes baixa e média e somente 10% são o contributo de grandes empresas, bancos, etc.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Com os canteiros de Bordeira

Esta foi uma reportagem que saiu na revista Única, do Expresso, em 2008. O jornalista estava interessado em acordeonistas e levei-o à casa de João Barra Bexiga. O Sr. João não estava em casa e o jornalista não podia voltar. Disse-lhe logo que se não podia fazer uma reportagem sobre acordeonistas, poderia fazer uma interessante sobre canteiros. Disse-lhe que iamos até Bordeira e certamente que conseguiriamos encontar canteiros com belas histórias. Chegámos à Cocheira e começei logo à procura do carro do Zé das Neves. Vi logo o carro e a bicicleta do Grou. Bingo! Esta foi a reportagem do jornalista Nuno Ferreira.

Aquela pedra enorme vai servir para a freguesia de Santa Bárbara de Nexe prestar homenagem aos seus canteiros (escreveu o jornalista, mas por acaso não foi esta pedra mas outra que eu ajudei a ir buscar).

Em Março de 2008 entrei de mochila às costas na Junta de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe a pedir informações sobre um conhecido acordeonista da região. O secretário da autarquia, depois de ter confessado que nunca tinha sido abordado por um jornalista de mochila às costas, levou-me a casa do músico veterano e lenda da região, mas ele não estava. Foi quando se virou para mim e disse: “Ouça, você não entrevista o acordeonista mas vai entrevistar os nossos canteiros”. Foi assim que tomei contacto com a história memorável dos canteiros da Bordeira. Encontrei José das Neves Moleiro, então com 68 anos, na Casa de Pasto Rústica, à beira da estrada, em companhia de outro grande canteiro, João Desidério.

José e João foram dois dos muitos canteiros da localidade da Bordeira que rumaram para França no tempo da ditadura e das vacas magras e acabaram a protagonizar o restauro de monumentos famosos no mundo inteiro.

Começaram ali, em crianças, mais precisamente nas pedreiras do lugar de Funchais, Bordeira, andaram por Cascais, alguns, e depois fizeram-se à vida e trabalharam no que sempre moldaram e os moldou a eles.

“A malta nova não tinha outra saída nesse tempo. Aqui, só havia uma oficina de carpintaria. Íamos para as pedreiras, ao todo éramos mais de 100 canteiros. Era vida de escravo, naqueles buracos marafados, o “bicho” queria se endireitar e não podia...”, contou-me José. Nos anos 60, quase tudo emigrou. “Quase tudo abalou, primeiro para Cascais e depois para França. A gente não queria nada com a guerra colonial. Eu atravessei o Guadiana a salto no dia 29 de Janeiro de 1962”.

José acabou por viver 38 anos em Paris. “A princípio, o mais difícil foi adaptar-me à língua. Depois, fui arranjando trabalho no “boca à boca”. Comecei a trabalhar no mais fácil mas nunca imaginei vir a restaurar os monumentos que restaurei”.
A destruição da Iª Guerra Mundial, a poluição, a erosão provocada pelo clima, tudo foi deixando marcas na pedra das obras de arte francesas. “A pedra deles é mais macia, absorve mais a água...”

Os dedos da mão de José das Neves Moleiros não chegavam para contar o número de monumentos que a sua arte de canteiro algarvio e “made in” Bordeira ajudou a restaurar: “Em Versailles, logo à entrada, junto às grades, está trabalho cá do velho. Nas cocheiras do palácio também. E se for à Catedral de Nôtre Dame, procure bem uma «estatuazinha» pequena na parte de trás do jardim. Fui eu que a restaurei”.

O olhar de José brilhava de orgulho. Por perto, mais reservado, o mestre João Desidério escutava a conversa como se não fosse nada com ele. Foi José a ajudá-lo a soltar a modéstia. “Tu João, tu também restauraste muita coisa”. Só em Paris, João trabalhou no restauro da Assembleia Nacional, do Louvre, dos Invalides e do Sacré Coeur. Da grande basílica de Montmartre lembram-se os dois bem, não haveriam de se lembrar. “A pedra do Sacré Coeur era pedra marafada, rija de um raio, mais duro que um ferro...”

Deixei a Bordeira e os canteiros entregues à conversa sobre os futuros museus da cantaria e monumento aos canteiros e fiz-me à imprevisibilidade da estrada. Parti bem mais rico do que quando ali parei, à porta da Junta de Freguesia e na mente ecoavam ainda as palavras de José das Neves Moleiro: “Eles em papel eram mais fortes mas depois na prática a gente éramos os reis”.


O mestre José das Neves inspecciona a fractura na rocha.


Links: 1, 2 e 3

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Rasmono 75 euros o quilo

75 euros o quilo de rosmaninho
se não houver engano do dono
poupo o meu dinheirinho
e vou ao mato apanhar rasmono
Fui a um supermercado, desses nacionais, comprar legumes para salada e curioso vejo várias verduras pouco habituais. Como o funcho, que é bom para por nos figos secos. Depois vi rosmaninho que é bom para por na carne grelhada ou no forno. Preparem-se... Umas 4 hastes de rosmaninho 1,50 euro!!! Fui ver bem e era 75 euros o quilo!!! O que a gente tem a pontapés por toda a freguesia e por esses matos, a malta da cidade deve pensar que é baratito 1 eurito e meio para fazer um bom molho!!! Os gajos dos supermercados não são parvos...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Igreja Matriz de Santa Bárbara de Nexe

A nossa bela igreja, altaneira sobre o Largo do Rossio. A Igreja Matriz de Santa Bárbara de Nexe é uma das maiores e mais importantes no Algarve rural. A sua construção começou no século XIV, no lugar de uma antiga ermida já existente, onde eram relatados "milagres" e que era local de romagens regionais. Foi alvo de importantes intervenções nos séculos XVII e XVIII. Sofreu muito com o terramoto de 1755. É um edifício de três naves de cinco tramos, com arcos ogivais suportados por colunas. Um arco triunfal exuberantemente decorado com ramos e troncos, em puro estilo manuelino e proto-renascentista, separa a nave central da capela-mor, cuja cobertura é decorada por uma abóbada estrelada, de cinco chaves, ligadas por combados em forma de corda.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A Regionalização

in Algarve Mais, Fevereiro de 2011

No último número da Algarve Mais, o nosso cronista Vitor Madeira reflectiu sobre a ausência de uma consciência regional algarvia, a crise politica do Algarve, os nossos políticos de pouca qualidade que se escondem atrás da regionalização para justificar a sua incapacidade e considerando que a regionalização não é solução. Sintetizo alguns pontos centrais e dou continuidade a essa reflexão.

1. Os algarvios estão alheados da matérias que implicam a região.

Concordo mas com duas nuances. A primeira é que o Algarve não é muito diferente do resto de um país distraído, no mínimo. Basta ver como nos últimos 30 anos os portugueses têm sido suavemente condescendentes ou apoiantes de governantes que nos levaram ao estado caótico do país. A segunda nuance é que, no Algarve, talvez metade da população e muitos membros da massa crítica que são os intelectuais e os decisores no sectores público e privado não são originários do Algarve, tendo vindo de outras regiões do país, não sentindo verdadeiramente o Algarve mas sim um estatuto vazio de um sentimento de pertença regional.

2. A influência e capacidade reivindicativa do Algarve são cada vez mais reduzidas no território nacional.

Concordo em absoluto. Basta ver como no Algarve o PS e PSD se calam perante a imposição de Lisboa, para o nosso circulo eleitoral ,de cabeças de lista às eleições legislativas vindos de outras regiões. Tal acontece porque actualmente é que temos um poder político isolado nas suas quintinhas das Câmaras às Direcções Regionais. Tal acontece porque temos dirigentes partidários cá, concordo que são de pouca qualidade e que se escondem atrás da regionalização para justificar a sua incapacidade, que estão mais preocupados com futuros lugares ou com estratégias políticas nacionais mesmo que sejam contrárias aos interesses do Algarve. Mas tal acontece porque esses dirigentes partidários contam com o alheamento quase generalizado e não respondem e não prestam contas mais directamente perante os algarvios. Precisamente porque os nossos dirigentes partidários regionais, por falta de regionalização, não passam pelo crivo do voto dos algarvios para uma liderança regional.

3. Os concelhos com menos habitantes ficarão a perder com a regionalização.

Esta é uma aritmética questionável. A pensar assim então teremos de dizer que o Algarve e Trás-os-montes têm que sair de Portugal porque são regiões menos populosas, que Alcoutim e Vimioso têm que sair das suas regiões e do país porque são concelhos menos populosos, que Moimenta e Giões têm de sair dos seus concelhos, região e país porque são freguesias menos populosas.

Uma coisa parece ser mais certa: uma região dinâmica trará vantagens para todos os seus concelhos. Por outro lado, o que se pode constatar é que é actualmente, sem regionalização, quem mais tem sofrido e mais se tem desertificado são as regiões, concelhos e freguesias com menos população.

Parece-me que as populações periféricas do nosso país têm sofrido mais precisamente porque somos o país mais centralista da União Europeia. Muitos erros governativos foram cometidos e demasiados recursos financeiros foram concentrados em Lisboa porque, consultando dados da OCDE, União Europeia e FMI, constata-se que Portugal apresenta um grau de centralismo político-administrativo na ordem dos 90% e de descentralização na ordem dos 10%. Pelo contrário, a descentralização é da ordem dos 19% na França, 27% na Holanda, 25% na Irlanda, 50% na Áustria, 45% na Dinamarca, 40% em Espanha, 35% na Finlândia, 25% na Estónia e 30% na Letónia.

4. A regionalização não é a a panaceia para todos os males do Algarve.

Também concordo mas não sendo uma panaceia para todos os males é a resposta mais eficaz para alguns males bastante importantes. O primeiro, e talvez o mais importante, é a possibilidade de se ultrapassar o actual panorama do poder político-administrativo do Algarve: a divisão em quintinhas. Temos uma administração regional espartilhada num triângulo muito ineficaz: num vértice, as 16 Câmaras do Algarve e a sua Associação Metropolitana sem poderes, recursos, representatividade e peso dignos a um nível regional; noutro vértice, as estruturas regionais telecomandadas de Lisboa e sem peso político (Economia, Educação, Agricultura, Cultura, Desporto, etc.); noutro vértice, a estrutura regional mais poderosa mas sem a legitimidade do voto popular e sem peso político suficiente, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional.

O Algarve necessita de, chamem-lhe regionalização ou outra coisa qualquer, uma estrutura regional forte, democraticamente eleita e legítima, com peso representativo, institucional, político e negocial reconhecido por todos os agentes públicos e privados, regionais, nacionais e europeus. Para acabar com as decisões tomadas em Lisboa sem perguntar nada, sem dar ouvidos ou sem dar satisfações ao Algarve. Tal desiderato, ninguém leve a mal, não se alcança com dezasseis Presidentes de Câmara que têm de dar satisfações a quem os elege no seu Concelho e não ao Algarve.

Sinceramente parece-me as polémicas do Hospital Central do Algarve, da requalificação da EN125, da portagens na Via do Infante, da Ponte de Alcoutim, etc., vão-se arrastando precisamente porque faz falta no Algarve um poder regional forte, representativo e reivindicativo e não vejo como se consegue chegar a ele sem ser através da regionalização, de um governo regional eleito e legitimado pelos algarvios.

Como é que os algarvios vão arregaçar as mangas e lutar pelo futuro da região do Algarve sem uma ideia, um projecto, uma estrutura aglutinadora e de unidade da região?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Xutos - Sem eira nem beira

É o que estou a ouvir: Xutos - Sem eira nem beira. Uma das melhores músicas dos Xutos mas que quase não se ouviu na rádio. Passou umas poucas vezes mas despois parece que foi censurada.

sábado, 29 de janeiro de 2011

A vitória de Cavaco

Cavaco ganhou com 53%. Alegre teve 20%, Nobre 14%, Lopes 7%, Coelho 5% e Moura 2%.

Cavaco saiu-se com um discurso de vitória rançoso. E com esse discurso tentou calar para sempre as histórias do BPN. Eu não fiz campanha contra Cavaco utilizando o caso das acções e o da vivenda mas hoje parece óbvio que foram duas ofertas do BPN e da sua máfia. No caso das acções é uma oferta sem consequências mas o da vivenda implica que Cavaco aceitou um negócio de troca da sua vivenda velha por uma maior, nova e à beira da praia. Foi declarado o mesmo valor para as duas e o que resultou é que Cavaco assim fugiu ao pagamento da SISA. Ele pode querer calar estes factos mas a verdade é que deixam nódoa e Cavaco cada vez que falar da sua superioridade terá sempre uma nódoa visível.

E fico à espera que Cavaco cumpra o que disse: não concorda com os cortes nos salários, quer uma repartição justa dos sacrifícios e defende um imposto extraordinário sobre os mais ricos

Cavaco ganhou mas foi o presidente reeleito com menos votos até hoje, menos que Sampaio, Soares e Eanes.

Cavaco ganhou com 2.230.240 votos mas se contarmos com os votos brancos e os nulos, teve menos de metade dos votos das pessoas que foram votar – 2.259.907 pessoas não votaram em Cavaco.

Mas Cavaco ganhou à primeira volta. Lopes, Coelho e Moura tiveram o resultado que eu pensava. Nobre teve um resultado melhor do que eu pensava. Quem se espalhou ao comprido foi Alegre.

Alegre teve menos votos que à 5 anos. Teve uma campanha desastrosa, com o apoio de um Governo cada vez mais criticado e do BE que num dia atacava o governo e no outro dia andava com Alegre de mãos dadas com os membros do Governo. Isto é tortuoso.

Alegre deveria ter feito a sua campanha só com o movimento que o apoiou à 5 anos e à parte disso que o apoiassem à distância.

O voto em Nobre, os brancos e os nulos, quase 700.000, assim como cada vez mais abstenção, revela um número crescente de pessoas que não acreditam nos partidos e neste sistema.

A abstenção vai subindo de eleição em eleição. Como podemos ser tão mal agradecidos com a democracia? É melhor vivermos em ditadura e levar pelos queixos sempre que se abrir a boca?

Quantos não conseguem compreender que política é tudo o que influencia a sua vida dia-a-dia? Quantos estão contentinhos com a sua triste vida? Continuem a não ir votar e deixem que os outros decidam a vossa vida...

Na Freguesia de Santa Bárbara de Nexe, Cavaco ganhou com 52%, Alegre teve 18%, Lopes teve 14%, Nobre teve 11%, Coelho teve 4% e Moura teve 1%. Cavaco teve 691 votos mas os que não votaram nele foram 740 pessoas...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Votem em quem vocês quiserem menos no Cavaco (parte 2)

Enganados. É assim que estão a tentar enganar a todos. Cavaco Silva disse hoje “que dá voz a quem não tem voz, àqueles que não têm força suficiente para se defenderem das injustiças”. Até parece que este Cavaco não é o mesmo que assinou a parte cega dos cortes nos abonos de família, no subsidio e desemprego, nas pensões, nos salários? Até parece que este Cavaco não tem assinado os orçamentos e as políticas que levaram este país à crise, às falências e ao desemprego?

Para reconfirmar o engano basta dar uma olhada à Comissão de Honra de apoio a Cavaco. É só malta que não sabe o que é passar dificuldades. Tal como Fernando Ulrich, feliz com os lucros astronómicos do BPI enquanto as pequenas e médias empresas vão falindo. Ou Vasco de Mello, feliz com os lucros chorudos da Brisa/portagens enquanto o cidadão comum sai-lhe do coiro a portagem. Ou Álvaro Barreto, da gestão ruinosa do BPP. Ou José António Silva, que deixou 380 trabalhadores da Alisuper no desespero. Ou 4 destacados ex-dirigentes do BPN, que deixaram um buraco negro do país...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Votem em quem vocês quiserem menos no Cavaco

Já não posso mais com conversas sonsas. Cavaco Silva não responde ou finge que responde sem responder. Ele é político desde 1980. Ele está do lado das grandes empresas que já são grandes demais e estão a chupar os pequenos e os médios até aos ossos. Votem em quem vocês quiserem menos no Cavaco.

Cavaco Silva quer fazer parecer que está acima de tudo e de todos, que está acima da crise e dos que provocaram a crise, que está acima dos políticos, que está acima dos podres de Portugal.

Cavaco Silva não está acima dos políticos, nem de nada. Ele é o português mais político. Desde que eu me lembro de política, ele está sempre presente. Começou na política em 1980 e 30 anos depois ainda está cá.

Cavaco foi ministro das Finanças 1980-81 e logo a seguir veio o FMI do qual agora tem tanto medo. Foi presidente do Conselho Nacional do Plano entre 1981 e 1984. Foi Primeiro-Ministro entre 1985 e 1995. Teve um interregno de 10 anos apesar do seu espectro e por vezes palavras pairar sobre o PSD. É Presidente da República desde 2006. Isto não é ser político?

Depois quer-se fazer passar pelo economista mais competente. Fala mal do desgoverno financeiro mas vem escarrapachado no Diário de Notícias que foi durante os 10 anos de Governo de Aníbal Cavaco Silva que o Estado mais engordou, com a despesa pública a crescer 10,6% entre 1985 e 1995.

Quer também elevar a sua competência como governante mas fomos enganados. Com Cavaco a Primeiro-Ministro entravam milhões e mais milhões da União Europeia e cresciam as auto-estradas, parecendo tudo bem. Mas o que realmente começou foi a concentração da economia nas obras públicas, na construção com os bancos atrás, nas grandes empresas quase-monopolistas, nas grandes superfícies. Hoje vê-se que no outro lado dessa política começou a destruição da indústria, da agricultura e da pesca (e agora tanto Cavaco fala do mar). Hoje vê-se que se favoreceu as empresas que não produzem pouco ou nada produzem e muito menos para exportar (e agora tanto Cavaco fala das exportações). Hoje vê-se que se favoreceu as grandes empresas de tal modo que estas vão chupando os pequenos e os médios até ao osso. É uma traição aos princípios da Social-Democracia. E, hoje, os gestores dos bancos e das grandes empresas estão todos na Comissão de Honra da sua candidatura.

Basta! Cavaco Silva está na origem do estado actual do país e não é com ele que se pode contar para a mudança que é necessária em Portugal.

Votem em quem vocês quiserem menos no Cavaco.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Preocupem-se mais com os problemas de Portugal

in Algarve Mais, Janeiro de 2010

Andam o Governo e o PSD muito preocupados com os “mercados”. Têm a sua importância relativa mas deveriam estar mais preocupados com o presente e o futuro de Portugal. Paul Krugman, norte-americano e prémio Nobel da Economia, disse recentemente e muito a sério: os “mercados” querem dinheiro para cocaína e prostitutas.

Os “mercados” são na realidade jovens recém-diplomados com menos de 30 anos, provavelmente com a mesma inteligência de um estudante do ensino secundário, desenhando estratégias caóticas de negociação de acções/títulos e reportando a chefes que serão apenas 5 anos mais velhos que eles. São jovens que só pensam, e mal, o futuro no prazo máximo de 3 meses e não estão preocupados com o futuro de países e empresas a médio e longo prazo (4 ou mais anos). Até porque num espaço de 4 anos já terão sido promovidos ou despedidos e não se preocuparão mais com os países e empresas que agora fazem tremer.

Não existe vontade na Europa e nos EUA para mudar esta realidade, nem para controlar os excessos dos bancos, especuladores e grandes empresas. Não é o voto dos cidadãos que manda mas sim esses poderosos interesses. Não vivemos em democracia pura mas sim numa democratura: democracia de voto e ditadura do capital. O Governo português não tem poder, nem talvez visão, para mudar esta realidade mas então que se concentre em resolver os problemas do nosso futuro.

1. Endireitar as contas públicas

Reduzam a despesa anual do Estado em, pelo menos, 6 mil milhões de euros. Cortem nas empresas públicas, institutos e fundações fantasma, nos tachos, nas nomeações e nos salários milionários, nos gastos comemorativos, nas obras sem concurso público, nas ruinosas parcerias publico-privadas que custam mais do que um empréstimo bancário.

Apliquem um contributo verdadeiramente proporcional na parte da receita e vão rebuscar 1,5 mil milhões de euros com o fim dos benefícios fiscais individuais (bancos e grandes empresas), taxando 20% as transferências para os paraísos fiscais e as mais valias bolsistas (acabando com a vergonha de casos como a PT em que os grandes não pagaram imposto nenhum), taxando extraordinariamente os grandes lucros e os produtos de luxo.

O contributo tem que ser proporcional e não podem ser só as classes média e baixa a pagar a crise. Nas medidas dos PEC e do Orçamento de Estado, 60% são cortes e aumentos de impostos sobre os trabalhadores, 30% são cortes no Estado que afectam serviços públicos cujos utilizadores são as classes baixa e média e somente 10% são o contributo de grandes empresas, bancos, etc. São os pobres que pagam a crise criada pelos ricos!

E não me digam que taxar a riqueza impede o investimento, nem que é um discurso demagógico sobre os ricos. O próprio milionário e investidor Warren Buffet disse que nos EUA a redução dos impostos sobre os super-ricos apenas e só os tornou mais ricos enquanto o americano médio não foi a lado nenhum, ficou sempre na tremideira. O FMI publicou um estudo concluindo que a crise financeira foi provocada pelo aprofundamento do fosso entre pobres e ricos. Tal como aconteceu na Grande Depressão, a crise financeira resulta da concentração de riqueza nos mais ricos e o crescente acesso ao crédito dos mais pobres, sem recursos para viver nas sociedade modernas. Nos EUA, entre 1983 e 2007, a parte do rendimento nacional detido pelos 5% mais ricos aumentou de 22 para 34%... Mais riqueza para uns poucos menos riqueza para muitos mais...

2. Eficiência Pública + Educação + Saúde + Justiça + Segurança

Tenham coragem e competência para desburocratizar totalmente o Estado, para o destacamento de funcionários públicos de acordo com as necessidades reais, para descentralizar através da regionalização e para acabar com o buraco negro de Lisboa, o sorvedouro de recursos e pouco preocupado com o resto do país produtor, para que o poder público seja mais transparente e próximo dos cidadãos. Melhores serviços com menos custos

Na Educação gastamos tanto ou mais que a média da Europa e os resultados parecem estar a evoluir mas são insuficientes para recuperar rapidamente o nosso atraso de conhecimentos e cultural. Apesar das estatísticas, temos uma escola facilitista, cheia de teorias e vazia de conhecimento. Temos gente a mais no Ministério da Educação e professores a menos a dar aulas. Na Saúde, essencial para a qualidade e conforto de vida, a ameaça de caos é real. E sem uma Justiça rápida e eficiente, tudo se arrasta nos tribunais e não é possível desenvolver o país.

3. Produção + Emprego

Parte substancial do investimento público deve ser canalizado para as micro, pequenas e médias empresas, e para a inovação. Produzir mais para exportar mais e importar menos. Produzir produtos que podem ser comercializados em lugar de enterrar dinheiro em betão como nos últimos 20 anos. Enquanto não se focalizar o investimento na economia produtiva não haverá emprego suficiente.

Foquem-se no importante e não no acessório da redução de salários (já baixos) e nas flexibilizações (no país da Europa com mais emprego precário). Como disse Pedro Guerreiro no “Negócios online”, 7/12/2010: aumentar a competitividade não pode ser apenas gerir o factor de produção trabalho. Até as empresas portuguesas reconhecem que é mais importante o custo da energia e factores como os juros, impostos, transportes, matérias-primas. Enquanto as atenções não estiverem inteiramente viradas para a inovação, investimento tecnológico, qualificação e melhoria das capacidades de gestão continuaremos numa economia fraca baseada no custo do trabalho e batida por muitos outros países.

domingo, 26 de dezembro de 2010

CHAROLAS

As Charolas na Freguesia de Santa Bárbara de Nexe (Faro - Algarve - Portugal) têm características próprias e são a manifestação cultural mais tradicional e genuína desta Freguesia e únicas no Algarve e em Portugal.

As Charolas e as tradições da Freguesia, a sua identidade comunitária e o reforço das dinâmicas culturais e da cooperação cultural e social são factores importantíssimos potenciadores de intervenção cívica e coesão social.

As Charolas são onde o passado, o presente e o futuro se encontram num espaço simbólico para expressar e afirmar a identidade colectiva, através da festa, do improviso, da vivacidade das músicas, da evocação da tradição, amizade, união e fraternidade.

VER A HISTÓRIA DAS CHAROLAS NESTA LIGAÇÃO: CLIQUE AQUI.





quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

GROUND FORCE: SOLIDARIEDADE COM OS TRABALHADORES

MOÇÃO DA ASSEMBLEIA DE FREGUESIA DE SANTA BÁRBARA DE NEXE

SOLIDARIEDADE COM OS TRABALHADORES DA GROUND FORCE

Considerando que:

- O despedimento de mais de 300 trabalhadores da GroundForce no Aeroporto de Faro, num Algarve também ele vítima do crescimento vertiginoso do desemprego (mais de 3.000 desempregados em Faro e mais de 30.000 na região), terá um dramático impacto social, incluindo na Freguesia de Santa Bárbara de Nexe, de onde são originários vários trabalhadores da empresa.

- A GroundForce tem como accionista principal a TAP e, consequentemente o Estado, razão pela qual o Governo, que se reclama como Socialista, não pode fazer de conta que este não é um problema seu.

- A administração da GroundForce e o Governo não podem continuar a recusar o dialogo com os trabalhadores e seus representantes, ignorando propostas de flexibilidade/adaptabilidade/mobilidade e propostas de redução de custos operacionais de cerca de 8 milhões de euros, tornando a empresa clara e inequivocamente viável.

- A administração da GroundForce e o Governo não podem continuar a ignorar o contributo para a situação negativa da empresa dos erros de gestão e as mordomias injustificadas, o aumento do número de administradores da TAP de 5 para 30 em 10 anos, os negócios ruinosos no Brasil que custaram em 3 anos 250 milhões de euros, a perigosa subcontratação de empresas de trabalho temporário no valor de mais de 10 milhões de euros em dois anos e desaproveitando os recursos humanos da empresa, etc....

A Assembleia de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe, reunida em 20.12.2010, delibera:

- Manifestar a sua solidariedade com os trabalhadores da GroundForce.

- Requerer ao Governo a adopção de medidas de salvaguarda dos postos de trabalho e de viabilização da empresa.

- Enviar esta Moção ao Governo, à Assembleia da Republica, à Comissão de Trabalhadores da GroundForce e aos Órgãos da Comunicação Social.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Ordenados roubados

As estatísticas dizem que do PIB (Produto Interno Bruto) português, da riqueza do pais, em 1973, 56% era para ordenados, em 1975 passou para 69% mas depois foi caindo e em 2009 apenas 52% da riqueza nacional foi para ordenados.

Ou seja, com o 25 de Abril as coisas melhoraram mas agora estamos pior do que no fascismo. O dinheiro está encostado nos lucros dos bancos, das grandes empresas e dos milionários. Quem sofre com essa concentração do dinheiro nos poderosos são os trabalhadores e as Pequenas e Médias Empresas que têm menos dinheiro. E no fim quem sofre é a economia do país porque existe menos dinheiro em circulação e menos negócio.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Jovens sem futuro

Jovens sem trabalho, sem contratos, sem possibilidade de ter uma casa, nem uma família, nem um propósito de vida. Falam em facilitar os despedimentos e em flexibilizar o mercado de trabalho para dar mais oportunidades aos jovens. Mentiras. Portugal já é dos países mais flexíveis da Europa. Mais de metade dos jovens têm contratos temporários (Diário de Notícias, 26-11-2010) e isso não resultou na resolução do problema do desemprego. Um dia isto rebenta!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Portugal está doente

Entre tantas dificuldades e talvez mais oportunismo, qual é o nosso futuro quando António Saraiva, Presidente da Confederação da Industria Portuguesa, disse recentemente que não existem condições para cumprir o acordo de aumento do Salário Mínimo Nacional de 475 para 500 euros? Não existem condições para um aumento 82 cêntimos por dia, um pouco mais que uma bica por dia?

domingo, 12 de dezembro de 2010

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Nexense mais antigo

Está no Museu Municipal de Faro uma lápide funerária descoberta na Silveira, do romano Sexto Numísio Eros, do século II. Portanto tem 1.800 anos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Banqueiros para a cadeia

Joseph Stiglitz, norte-americano, prémio Nobel da economia disse recentemente: temos de mandar os banqueiros para a cadeia ou a economia não vai recuperar. Não foram castigados pela crise que criaram, foram salvos e isso estimula mais erros gananciosos no futuro. Apresentam lucros astronómicos enquanto quase toda a gente tem que apertar o cinto. Porque é que hão-de ser os cidadãos, especialmente as classes média e baixa, e as PME, a pagar pelo erros de meia dúzia de afortunados banqueiros e políticos?

Em Portugal, aumentou-se a despesa do Estado, em princípio, parar contrariar uma crise criada por banqueiros gananciosos e políticos incompetentes. Agora para fazer descer essa despesa, nas medidas dos PEC e do Orçamento de Estado, 60% são cortes e aumentos de impostos sobre os trabalhadores, 30% são cortes no Estado que afectam serviços públicos cujos utilizadores são as classes baixa e média e somente 10% são o contributo de grandes empresas, bancos, etc. São os pobres que pagam a crise criada pelos ricos!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Eric Cantona ataca os bancos

Cantona, o grande futebolista, diz que é precisa "uma verdadeira revolução". "Não peguemos em armas para matar pessoas e começar uma revolução. Nos dias de hoje, é muito fácil fazer uma revolução. O sistema assenta no poder dos bancos, por isso tem de ser destruído através dos bancos". "Em vez de irmos para as ruas, conduzir durante quilómetros, basta ir ao banco e levantar o dinheiro. Se houver muita gente a fazer levantamentos, o sistema colapsa. Sem armas, sem sangue."

Estas palavras criaram um movimento na Internet, o StopBanque, que apelou aos cidadãos europeus, e não apenas aos franceses, para que fizessem levantamento de dinheiro, aos balcões dos bancos, num dia em concreto: 7 de Dezembro. A ideia não foi muito divulgada e não deu grande resultado. Mas pode ser que volte, com mais força...

Vejam o video...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Portugal devia mudar a sua capital

Curioso, no último Prós e Contras / RTP1, Jack Soifer, consultor, residente no Algarve, dizer que tudo o que se produz em Portugal é no interior, fora da capital (e fala de morangos no Algarve e carne numa outra região). Portugal devia mudar a sua capital. Como fez o Brasil ou o Canadá. Digo eu: talvez não fosse má ideia mudar o conceito de um país que tem na sua capital, em Lisboa, um imenso buraco negro de tachos e afins que suga recursos, que pouco produz e que pouco se importa com o resto do país, onde se produz.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Pinto

in Algarve Mais, Dezembro 2010

O Pinto, de seu nome Joaquim Rosa, foi uma das pessoas mais reconhecidas na Freguesia de Santa Bárbara de Nexe e nos Concelhos de Faro, Loulé e S. Brás de Alportel. No dia do último adeus ao Pinto, em 2008, perdeu-se a conta às centenas e centenas de pessoas que marcaram presença no seu funeral, porventura o maior jamais visto na sua terra natal.

O Pinto, a quem já foi atribuída a Medalha de Mérito da Câmara de Faro - Grau Ouro, esteve no centro da cultura da Freguesia de Santa Bárbara de Nexe: fundou a Charola da Flor de Liz em 1961 e apoiou todos os grupos charoleiros naquela que é a nossa tradição mais genuína e única. O Pinto foi inclusive figura central de uma interessante reportagem na Algarve Mais, sobre as charolas e a Flor de Liz, em Fevereiro de 2003.

Foi também poeta popular de renome, participou em actividades de artes cénicas como as récitas, apoiou o folclore e o fado. Também esteve mais de 20 anos ao serviço da população, para quem trabalhou gratuitamente como autarca de freguesia.

O Pinto foi um exemplo do que é ser Nexense: amigo, solidário, trabalhador, charoleiro, poeta, defensor da sua terra, orgulhoso de ser Nexense. E por ser um digno representante da alma Nexense, a Junta de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe propôs dar o seu nome à Escola Primária local.

Esta é uma proposta que, como Nexense, me orgulha. Não é só uma homenagem mas também um meio para que se garanta o futuro da nossa terra e a continuidade da nossa história e cultura com o ensino e o envolvimento das crianças. Assim podemos assegurar que as nossas raízes não morrem e que daqui a uns anos a nossa terra não seja mais uma terra igual a tantas outras, apagada e sem nada que a distinga num mundo cada vez mais massificado.

Mas, infelizmente, para um pequeno grupo elitista, o Pinto não era Dr., nem era das famílias ricas e “importantes” e talvez acima de tudo tinha um cartão vermelho e não cor-de-laranja. Tão triste é quando o preconceito e o sectarismo político toldam as ideias às pessoas e moldam uma “politicazinha” desgostosa de um minúsculo grupo elitista que consegue arrastar uma Deputada do PSD, também de origem Nexense, para a sua campanha preconceituosa e sectária.

Através de mensagens no Facebook, e-mails e um artigo de opinião num jornal algarvio, a deputada do PSD, Antonieta Guerreiro, propôs o nome da, recentemente falecida, Tenente Enfermeira Paraquedista, Maria Zulmira Pereira André para a Escola local. O elogio à Enfermeira Paraquedista, também Nexense, é mais do que merecido. Foi das primeiras mulheres paraquedistas, em 1961, esteve na guerra colonial e teve uma acção médica notável.

No entanto, é lamentável quando se usam pessoas e os seus sentimentos ao serviço de uma “politicazinha”. É o que está a ser feito e o bom nome da Enfermeira Paraquedista está a ser usado para essa “politicazinha”, sem que essa proposta tivesse sido feita à autarquia local, à Junta de Freguesia, onde estão os máximos representantes locais. Não só não foi feito como esta proposta tem por enquadramento uma campanha, menos pública e mais de bastidores, telefonemas, pressões e omissões (como a recusa de publicação de uma resposta ao artigo de opinião), para se opor à outra proposta já mais antiga da Junta de Freguesia para atribuição do nome de Joaquim Rosa Pinto à Escola de Santa Bárbara de Nexe.

Para qualquer Deputado, é melhor deixar os assuntos locais para as entidades que têm essa competência e nas intervenções e artigos de opinião podem dar mais utilidade ao seu tempo focando assuntos mais importantes para o Algarve e o país do que o nome de uma escola primária.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ninguém Pague Portagens na Via do Infante


As Câmaras Municipais do Algarve há 2 meses que pedem uma reunião com o Governo para discutir as portagens. O Governo não quer falar com ninguém, não quer falar com os algarvios, está-se nas tintas para os Algarvios.

As Câmaras Municipais propõem: ninguém pague portagens na Via do Infante. Se milhares de pessoas não pagarem serão tantas as contra-ordenações que vão intupir o sistema todo.


Políticos e Comissão de Utentes, mãos à obra: uma folha/cartaz A4 para ser imprimida e afixado no carro para dar força uns aos outros e termos a consciência de quantos somos e qual a fibra dos algarvios.

1. A Via do Infante não é uma SCUT – estrada sem custo para o utilizador – pela simples razão de que mais de dois terços foram pagos pelos fundos comunitários e verbas do Orçamento de Estado. Apenas o troço entre Lagoa e Lagos foi construído em regime de SCUT;

2. A Via do Infante não preenche os requisitos técnicos mínimos de uma auto-estrada;

3. A Via do Infante foi construída não como um luxo, mas como via estruturante para uma região caracterizada por uma habitação dispersa e constituída por pequenos aglomerados populacionais

4. Não há alternativa à Via do Infante. A EN 125, é pelas suas características peculiares uma das estradas onde mais se verificam acidentes mortais, vai entrar em obras, o que irá dificultar ainda mais a circulação e, caso os automobilistas deixem de circular na via estruturante e passem a frequentar preferencialmente a “Rua 125”, o que se prevê desde já são engarrafamentos e um aumento da sinistralidade rodoviária; 


5. 
Não estão reunidas as mínimas condições para a utilização em segurança da EN 125, com as consequências que daí possam advir, atirar os automobilistas para uma rua que, como todos sabem, é considerada como das mais mortíferas a nível de Portugal, é um crime. Crime ainda maior quando há consciência dessa realidade e, no entanto, se obriga as pessoas a percorrerem esse caminho;

6. As portagens na Via do Infante lesam, entre outros, os interesses dos consumidores e a qualidade de vida social e económica da região, toda ela deprimida pelo forte desemprego, marginalizada nos seus anseios, com a sazonalidade bem vincada e onde os melhoramentos em infra-estruturas só chegam tardiamente;

7. A Via do Infante é uma estrada estruturante, que permitiu o decréscimo dos acidentes mortais na EN 125, e que veio dar uma nova dinâmica social e económica à região, pela facilidade de deslocação de pessoas e bens, evitando a EN 125, com todas as maleitas que ela apresenta;

8. Colocar portagens na Via do Infante é castigar os algarvios privando-os de utilizar livremente a sua circular na sua única “Cintura Regional Externa”. Acto comparável a colocar portagens na CREL (Cintura Regional Externa de Lisboa);

9. O incómodo que se vai causar a quem visita o Algarve, e em particular os espanhóis da Andaluzia fregueses habituais do Algarve;

10.Segundo o preceito constitucional do artigo 21º: «Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública». A Constituição também prevê, no ponto 3 do artigo 52º, que «é conferido a todos, pessoalmente ou através de associações de defesa dos interesses em causa, o direito de acção popular nos casos e termos previstos na lei, incluindo o direito de requerer para o lesado ou lesados a correspondente indemnização, nomeadamente para, promover a prevenção, a cessação ou a perseguição judicial das infrações contra a saúde pública, os direitos dos consumidores, a qualidade de vida, a preservação do ambiente e património cultural»;

Ninguém Pague Portagens na Via do Infante

As Câmaras Municipais do Algarve há 2 meses que pedem uma reunião com o Governo para discutir as portagens. O Governo não quer falar com ninguém, não quer falar com os algarvios, está-se nas tintas para os Algarvios.

As Câmaras Municipais propõem: ninguém pague portagens na Via do Infante. Se milhares de pessoas não pagarem serão tantas as contra-ordenações que vão intupir o sistema todo.

Políticos e Comissão de Utentes, mãos à obra: uma folha/cartaz A4 para ser imprimida e afixado no carro para dar força uns aos outros e termos a consciência de quantos somos e qual a fibra dos algarvios.

1. A Via do Infante não é uma SCUT – estrada sem custo para o utilizador – pela simples razão de que mais de dois terços foram pagos pelos fundos comunitários e verbas do Orçamento de Estado. Apenas o troço entre Lagoa e Lagos foi construído em regime de SCUT;

2. A Via do Infante não preenche os requisitos técnicos mínimos de uma auto-estrada;

3. A Via do Infante foi construída não como um luxo, mas como via estruturante para uma região caracterizada por uma habitação dispersa e constituída por pequenos aglomerados populacionais

4. Não há alternativa à Via do Infante. A EN 125, é pelas suas características peculiares uma das estradas onde mais se verificam acidentes mortais, vai entrar em obras, o que irá dificultar ainda mais a circulação e, caso os automobilistas deixem de circular na via estruturante e passem a frequentar preferencialmente a “Rua 125”, o que se prevê desde já são engarrafamentos e um aumento da sinistralidade rodoviária; 


5. 
Não estão reunidas as mínimas condições para a utilização em segurança da EN 125, com as consequências que daí possam advir, atirar os automobilistas para uma rua que, como todos sabem, é considerada como das mais mortíferas a nível de Portugal, é um crime. Crime ainda maior quando há consciência dessa realidade e, no entanto, se obriga as pessoas a percorrerem esse caminho;

6. As portagens na Via do Infante lesam, entre outros, os interesses dos consumidores e a qualidade de vida social e económica da região, toda ela deprimida pelo forte desemprego, marginalizada nos seus anseios, com a sazonalidade bem vincada e onde os melhoramentos em infra-estruturas só chegam tardiamente;

7. A Via do Infante é uma estrada estruturante, que permitiu o decréscimo dos acidentes mortais na EN 125, e que veio dar uma nova dinâmica social e económica à região, pela facilidade de deslocação de pessoas e bens, evitando a EN 125, com todas as maleitas que ela apresenta;

8. Colocar portagens na Via do Infante é castigar os algarvios privando-os de utilizar livremente a sua circular na sua única “Cintura Regional Externa”. Acto comparável a colocar portagens na CREL (Cintura Regional Externa de Lisboa);

9. O incómodo que se vai causar a quem visita o Algarve, e em particular os espanhóis da Andaluzia fregueses habituais do Algarve;

10.Segundo o preceito constitucional do artigo 21º: «Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública». A Constituição também prevê, no ponto 3 do artigo 52º, que «é conferido a todos, pessoalmente ou através de associações de defesa dos interesses em causa, o direito de acção popular nos casos e termos previstos na lei, incluindo o direito de requerer para o lesado ou lesados a correspondente indemnização, nomeadamente para, promover a prevenção, a cessação ou a perseguição judicial das infrações contra a saúde pública, os direitos dos consumidores, a qualidade de vida, a preservação do ambiente e património cultural»;

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Jornal do Pau - Gorjões

abert_memorias
É ali mesmo no centro dos Gorjões, à beira da estrada, que está o improvisado banco. Um pau, que já mereceu uma estrutura de apoio e uma polida face para dar melhor acento. É uma instituição da Freguesia. Encontram-se as amizades e põe-se a conversa e as notícias em dia. Aqui foi em 2006.

sábado, 27 de novembro de 2010

Google vai aumentar salários mas a bolsa não gosta

Li na revista Visão de 18/10/2008: Google vai subir 10% os vencimentos dos seus 23.000 funcionários para evitar que fujam para a concorrência mas a Bolsa não gostou e as acções da empresa caíram. No jornal Público de 26/01/2009 também li: “Bolsa de Nova Iorque valorizava apesar dos anúncios de mais despedimentos”.

Parece-me que a questão não é “apesar” mas sim “com”. Agora não tenho tempo para ir procurar mas li num livro o levantamento de uma lista de empresas americanas, na década de 1990, que sendo lucrativas e com futuro viam as suas acções em queda na Bolsa e com subidas vertiginosas do valor das acções com o anúncio de despedimentos.

A economia de Bolsa deu nisto. Não interessa o futuro a médio e longo prazo, apenas os resultados trimestrais e uma pressão enorme para lucros de curto prazo e não lucros sustentáveis a médio e longo prazo. Acresce que os trabalhadores passaram a serem classificados como um custo da empresa e não como um activo. Os seres humanos deixam de o ser para passarem a ser coisas, objectos. O trabalho tem papel social central na estruturação das sociedades modernas mas deixa-o de ter sendo considerado um custo.

A economia de Bolsa que é um fim em si mesmo e não um meio para o desenvolvimento das sociedades humanas só pode conduzir ao desastre.