quarta-feira, 20 de abril de 2011

FMI - Não estamos todos no mesmo barco

Quem anda de braço dado com o FMI? Até podem disfarçar que andam a negociar melhores condições com o FMI mas o que vai ser aplicado não tem melhoras é será gravíssimo para as classes médias e baixas: redução de salários, aumento de impostos, cortes na educação, saúde e segurança social, aumento da idade da reforma, etc, etc...

Quem anda de braço dado com o FMI? O governo, PSD e CDS, os grandes empresários, os banqueiros, todos com a boca cheia: vamos todos ter que fazer sacrifícios; vamos todos contribuir para a resolução dos problemas do país.

Mas este todos é muito relativo e quem geralmente fala assim não dá o exemplo.

Por exemplos os banqueiros, tão preocupados com o futuro de Portugal, tão portugueses, que entre 2008 e 2010 foram buscar ao Banco Central Europeu 80 mil milhões de euros a 1% de juros para depois emprestar, especialmente ao Estado português, a juros entre os 5% e os 8%. Essa diferença deu-lhes um lucro de 4 mil milhões de euros. Mas quem paga esse lucro? Todos nós que pagamos impostos que financiam o Estado ou que vamos sofrer com aumentos e cortes, tudo para se apurar verbas para pagamento desses lucros.

Também é incrível que os bancos portugueses, de 2009 para 2010, tiveram mais 13% de lucros e pagaram menos 26% de impostos!!!!

Não poderiam esses senhores terem menos lucros ou pagarem os impostos como deviam e em contrapartida as classes médias e baixas não eram completamente espremidas?

Não estamos todos no mesmo barco e os sacrifícios não são para todos. Enquanto assim for não haverá soluções minimamente consensuais, nem paz social.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

As nossas elites falharam

Percam 8 minutos do vosso precioso tempo para ver “As nossas elites falharam. Falharam e conduziram o país à beira do caos económico e financeiro.” António Marinho Pinto

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Não tem que ser assim. A crise e o FMI explicados numa simples página.

1. Portugal deve ao estrangeiro 400 mil milhões de euros. O Estado deve 92 mil milhões de euros. Os bancos e similares devem 230 mil milhões de euros. Mas, entre o deve e o haver do que devemos e do que nos devem, Portugal deve realmente 165 mil milhões de euros. É muito dinheiro e a maior parte da dívida nem sequer é do Estado mas sim dos privados, dos bancos que andaram a emprestar dinheiro e em jogadas de investimentos a torto e a direito. Alguns ganharam muito dinheiro e agora querem que sejamos todos a pagar os buracos e as jogadas de alguns. 2. Não se pode esquecer que também foi preciso injectar dinheiro do Estado, de todos nós, na economia e nos bancos quando rebentou a crise internacional provocada precisamente pelas aventuras de risco dos bancos. 3. O FMI não vem resolver os problemas do país. Apenas vem trazer dinheiro para pagarmos dívidas dos ricos ao mesmo tempo que obriga a cortes cegos no Estado e talvez nos salários. 4. Para a maioria ficou uma dupla crise. A primeira com o desemprego ou a redução de salários. A segunda com os cortes nos serviços públicos (saúde, educação e segurança social). 5. Moral da história: a maioria está a pagar desesperadamente a crise que alguns super-ricos criaram. 6. Mas não tem que ser assim. 7. Associados ao BPN existem muitos valores positivos, bens e serviços como os seguros que devem ser nacionalizados para tapar o buraco do BPN, em lugar de sermos todos nós a pagar 6 mil milhões de euros dos amigos do PSD. 8. Na Islândia recusaram a solução FMI, nacionalizaram os bancos e em referendo os islandeses recusaram pagar o dinheiro que esses bancos deviam ao estrangeiro e que tinha sido utilizado para jogadinhas, jogadas e jogatonas. Os islandeses recusaram pagar os buracos que fizeram alguns muito ricos. Recusaram o FMI e já estão a sair da crise. Grécia e Irlanda aceitaram o FMI e afundam-se cada vez mais. 9. Renegociação imediata da dívida pública portuguesa, dos prazos, taxas de juro e dos montantes a pagar, aliviando o Estado do peso e do esforço do pagamento da dívida, canalizando recursos para a promoção do investimento produtivo, a criação de emprego e outras necessidades do País. O Brasil fez quando precisou e safou-se. A Irlanda ameaça fazer. 10. Vender 20% de títulos e obrigações que as instituições públicas nacionais (CGD, Segurança Social, Banco de Portugal) têm no estrangeiro para comprar dívida pública portuguesa. Falamos de 50 mil milhões de euros que tirariam Portugal da mão dos especuladores e bancos. 11. Se pagamos juros de 8% aos especuladores também podemos pagar 5% nos Certificados de Aforro, estimulando a poupança nacional. 12. Avaliação das Parcerias Público Privadas, renegociação ou cessação dos contractos ruinosos para o Estado. Extinção de uma boas centenas de institutos públicos inúteis e dos tachos. 13. As medidas 9, 10, 11 e 12 permitem uma folga para tirar Portugal da crise com uma política virada para o crescimento económico, apoio às pequenas e médias empresas e promoção da produção - produzir cada vez mais para exportar mais, importar menos e dever cada vez menos.

Sempre foi na rua, a fazer barulho, que conseguimos.

Se quiserem saber algumas da razões da crise e soluções, se tiverem uma hora de paciência para ver um filme/documentário com a canadiana Naomi Klein. No fim, Naomi Klein conta como Franklin Roosevelt, Presidente dos EUA na década da grande crise de 1930, quando tinha reuniões com organizações progressistas ou sindicatos e lhe propunham alguma política progressista, ele ouvia e dizia “então agora vão para a rua manifestarem-se e obrigar-me a fazê-la”. E assim era, em 1937 fazia-se 5000 greves por ano no EUA e estes tornaram-se a maior potência mundial. Em 2007 fizeram 21 greves. Naomi Klein diz que se queremos um mundo mais justo, mais pacífico e mais saudável temos de ir para a rua e obrigar os governantes e os mandantes a fazê-lo. Aqui pelo nosso cantinho, Jel / Nuno Duarte dos Homens da Luta disse na TV e com razão: "Sempre foi na rua, a protestar, que o povo avançou! Foi na rua que se libertaram os escravos, foi na rua que o povo conseguiu a democracia, foi na rua que as mulheres conseguiram o direito ao voto, foi na rua que os negros americanos conseguiram os direitos civis, foi na rua que os egípcios conseguiram mudar o seu regime!". E também disse que: «O que a história nos ensina é que é na rua que o povo avança. O povo, quando quis melhorar, em toda a história do mudou, sempre foi na rua, a fazer barulho, que conseguiu. E esta é uma altura para o povo vir novamente para a rua. E nós vamos estar lá a dar música».

sábado, 26 de março de 2011

A história da crise em 6 pontos

1. As aventuras e a especulação dos bancos fez explodir uma crise mundial.

2. Alguns no comando dessas jogadas enriqueceram que nem alarves (e alguns ainda estão na mamagem).

3. Os Estados tiveram de injectar dinheiro na economia para evitar a ruína total e/ou tiveram de por dinheiro ou nacionalizar bancos para evitar a ruína total.

4. Para a maioria ficou uma dupla crise. A primeira com o desemprego ou a redução de salários. A segunda com os cortes nos serviços públicos (saúde, educação e segurança social) que dizem que é para contrabalançar o dinheiro que foi injectado na economia e nos bancos (que aliás deveria ser feito de outra forma e mais suavemente).

5. Moral da história: a maioria está a pagar desesperadamente a crise que alguns super-ricos criaram.

6. Mas não tem que ser assim, na Islândia não foi assim. Podemos lutar para que não seja assim.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Banqueiros para a cadeia!

Joseph STIGLITZ, norte-americano e prémio Nobel da economia disse: We Have To Throw Bankers In Jail Or The Economy Won't Recover - temos de atirar os banqueiros para a cadeia senão a economia não vai recuperar, senão não foram castigados e vão-se sentir de mãos livres para fazer porcaria outra vez.

Porque é que hão-de ser os cidadãos, especialmente as classes baixa e média, e as PME, a pagar pelo erros de meia dúzia de afortunados banqueiros e políticos?

terça-feira, 15 de março de 2011

Jovens sem futuro

Escrevi este artigo de opinião a meio de Fevereiro para a revista Algarve Mais, ainda antes de ter conhecimento que iriam acontecer as manifestações da geração à rasca do passado dia 12 de Março.
Na televisão passaram inúmeras imagens das revoluções na Tunísia e no Egipto, todas elas repletas de jovens, muita gente entre os 20 e 30 anos. Cerca de metade da população do Egipto e da Tunísia tem menos de 35 anos. Em Portugal apenas cerca de 35% tem menos de 35 anos. Temos uma população envelhecida e eles têm uma população jovem. E vimos esses jovens revoltados com a pobreza e o desemprego.

Desenganem-se se pensam que o desemprego jovem é só um problema dos outros. Portugal e a Europa têm um desemprego jovem em torno dos 20%, mas por exemplo em Espanha é 40%. E em Portugal como noutros países da Europa ainda temos uma elevada percentagem de jovens enleados em trabalho precário e baixos salários. Temos mais de metade da juventude sem trabalho ou em situações muito precárias.

É a geração retratada na música dos Deolinda: geração sem remuneração; já é uma sorte poder estagiar; geração ‘casinha dos pais’; sempre a adiar filhos e marido...

Podemos estar perante um problema de desemprego estrutural e é virtualmente impossível ter uma economia que consiga resolver esse problema. Mesmo a crescer muito, a economia é cada vez mais marcada pelas novas tecnologias e por menos necessidade de mão-de-obra. Por outro lado, o trabalho passou a ser considerado como um custo, um factor de produção como são as máquinas, a electricidade ou as matérias primas. Como mandam as leis económicas os custos são para reduzir e o trabalhador, não mais um ser humano distinto de tudo o resto neste mundo, vê o seu salário e as suas condições de trabalhos reduzidos.

Neste contexto, na Tunísia e no Egipto, pode ser meio caminho andado para a desilusão e a ascensão dos extremistas islâmicos porque não são as eleições por si só que vão resolver o problema estrutural do desemprego e da pobreza. O fracasso nestas matérias, abre caminho ao apelo ao sobrenatural e à assistência de raiz religiosa, tão ao jeito do Hamas na Faixa de Gaza.

Mas em Portugal e na Europa, entre os jovens, também cresce a insatisfação perante o desemprego, a precariedade e as baixas remunerações. Já temos assistido na França e na Inglaterra a rebeliões de jovens, ainda que com alguma inconsciência à mistura. No entanto vai-se adensando uma consciência da falta de perspectivas sobre o futuro e a explosão pode ser violenta perante a ausência soluções.

Perante o caos social eminente, vão-nos acenado, especialmente do campo da direita política, dos teóricos neoliberais a governantes como Angela Merkel, passando pelo aspirante Passos Coelho, com flexibilizações, choques fiscais e afins, sem mexer no ponto central da crise: o crescimento das desigualdades sociais.

Desde 1970 até aos dias de hoje a população mundial duplicou mas a riqueza mundial aumentou 20 vezes. Nunca o mundo foi tão rico mas desde a década de 1980 que, com o advento do neoliberalismo de Reagan e Tatcher, a distribuição da riqueza passou para segundo plano.

O insuspeito FMI - Fundo Monetário Internacional - publicou recentemente um estudo em que se conclui que a crise financeira foi provocada pelo aprofundamento do fosso entre pobres e ricos. Tal como acontecera na Grande Depressão de 1929, a crise financeira resulta da concentração crescente de riqueza nos mais ricos e o crescente acesso ao crédito dos mais pobres, sem recursos para viver nas sociedade modernas.

Nos EUA, entre 1983 e 2007, a riqueza nacional rendimento detido pelos 5% mais ricos aumentou de 22% para 34%, resultando disso mesmo, o endividamento da restante população. Tal como aconteceu entre 1920 e 1928. Portugal é o segundo país da zona euro onde há maior desigualdade na distribuição da riqueza e isso ajuda a explicar o nosso nível de endividamento.

Sem distribuição da riqueza, sem salários dignos, sem trabalho estável, que é para onde nos levam os nossos governantes e principais aspirantes, seremos jovens sem futuro e, conscientemente ou inconscientemente, a revolta explodirá.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Recrutamos finalistas de cursos superiores sem remuneração e comparticipamos apenas a refeição




1 dias após 300.000 pessoas terem saído à rua, protestando contra o desemprego e a exploração no mercado de trabalho, a Staples, a maior empresa do mundo de material de escritório, publicou um anúncio vergonhoso para recrutar finalistas de cursos superiores, para todas as áreas do Departamento de Serviço ao Cliente & Qualidade, sem remuneração e em que comparticipam apenas a refeição.

Podem dizer que é um estágio curricular de 3 ou 6 meses mas na verdade é o regresso à escravatura.

Só existem duas alternativas: ou os políticos e as forças dominantes da sociedade actual correspondem ao anseios desta geração à rasca, ou o povo na rua tomará o seu lugar na construção de uma sociedade nova.

Ainda é tempo de sairmos para a rua, invadirmos a rua até que os poderes públicos e privados cedam ou caiam.

Em Faro gritou-se MUDANÇA. A mudança é a valorização do trabalho. Os seres humanos não são máquinas ou matérias primas, não são custos de produção. O trabalho ocupa um papel central nas sociedades humanas mas não pode ocupar toda a vivência humana, deixando espaço para a vida privada, família e lazer. A remuneração tem que corresponder aos meios necessários para a satisfação das necessidades humanas nos tempos modernos. E a protecção no desemprego tem que garantir mínimos de uma subsistência digna.

A base de uma sociedade nova tem que ser o trabalho, valorizado economicamente e socialmente. O trabalho e não a preguiça, a esmola ou o subsidio tem que ser a principal forma de distribuição da riqueza. Os salários eram 56% do PIB português em 1973, em 1975 passou para 69% e em 2009 apenas 52%. Nos EUA, desde 1979 a riqueza de 1% de famílias super-ricas aumentou quase 400% e a riqueza de 80% das famílias de classe baixa ou média ficou na mesma ou caiu.

Riqueza existe, está é mal distribuída. A luta é por trabalho dignamente remunerado e conciliado com a vida pessoal, familiar e lazer.

Vamos voltar para a rua, vamos ficar na rua.

sábado, 12 de março de 2011

Geração à rasca: manifesto de 4 pontos para uma sociedade nova.

1. Valorizar o trabalho, socialmente e economicamente.

O trabalho é um elemento central do desenvolvimento da Humanidade, tem uma função social. Por outro lado, os Seres Humanos não são máquinas ou matérias primas, não são custos de produção.

Qualquer sistema, sociedade, empresa ou governo tem que ter inscrito na sua matriz o trabalho numa perspectiva humana:

- Valorizado socialmente na vertente da realização pessoal e porque ocupando um papel central nas sociedades humanas não pode ocupar toda a vivência humana, deixando espaço para a vida privada, família e lazer

- Valorizado economicamente porque a sua remuneração tem que corresponder aos meios necessários para a satisfação das necessidades humanas nos tempos modernos. E a protecção no desemprego tem que garantir mínimos de uma subsistência digna.

2. Bens públicos essenciais

Todos os Seres Humanos têm direito a Saúde, Educação, Cultura, Justiça e Habitação.

São bens públicos que têm que estar acessíveis a todos, com qualidade, independentemente dos seus rendimentos.


3. Responsabilidade e ética na governação, e justiça social

Na política, servir e não servir-se.

Na governação, garantir a gestão optimizada dos recursos públicos, contrária ao desperdício, aos abusos e à promiscuidade entre o estado e o sector privado e as benesses a este.

Na governação e na sociedade, valorizar do trabalho e garantir a acessibilidade aos bens públicos essenciais, através de uma distribuição da riqueza mais justa, num mundo que nunca foi tão rico como agora, por via da remuneração do trabalho e do financiamento adequado dos bens públicos essenciais.

4. Ou os políticos e as forças dominantes da sociedade actual correspondem ao anseios desta geração à rasca, ou o povo na rua tomará o seu lugar na construção de uma sociedade nova.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Farto do Cavaco, farto do Sócrates e farto do Passos Coelho que ainda não chegou lá

Cavaco, fala, fala e não faz nada. É político à 30 anos, foi primeiro-ministro, foi quem começou a destruição da indústria, pesca e agricultura, foi quem começou a pôr mamões no estado e outros fora do estado agarrados à mama do estado. É Presidente da República e é só blá blá. Teve ao seu lado nas eleições uma carrada de gente dos que açambarcam tudo e matam o pequeno e o médio.

Sócrates é o homem que fala dos sacrifícios e toma medidas em que são as classes média e baixa que pagam a crise criada pelos super-ricos. Nas medidas de Sócrates, 60% são cortes e aumentos de impostos sobre os trabalhadores, 30% são cortes no Estado que afectam serviços públicos cujos utilizadores são as classes baixa e média e somente 10% são o contributo de grandes empresas, bancos, etc. São os pobres que pagam a crise criada pelos ricos!

Passos Coelho o que anuncia é baixar todos os salários em Portugal, pôr toda a gente sem garantia nenhuma de trabalho e pôr mais uns mamões à mesa.

Nenhum desses 3 querem mexer no verdadeiro problema. Será que não conseguem ver que o problema está na mal distribuição da riqueza produzida? O que faz falta é trabalho bem pago e garantias de futuro. Nunca Portugal foi tão rico mas como em quase todo o mundo a riqueza está a ser entregue a meia dúzia. Dizem que essa meia dúzia quanto mais rica for fará crescer sei lá o quê mas na realidade Warren Buffet, milionário e investidos norte-americano, denuncia que o favorecimento aos super-ricos americanos apenas e só os tornou mais ricos enquanto o americano médio não foi a lado nenhum, ficou sempre na tremideira. O FMI publicou um estudo concluindo que a crise financeira foi provocada pelo aprofundamento do fosso entre pobres e ricos. Tal como aconteceu na Grande Depressão, a crise financeira resulta da concentração de riqueza nos mais ricos e o crescente acesso ao crédito dos mais pobres, sem recursos para viver nas sociedade modernas.

Vejam bem o gráfico do EUA, que é um modelo aplicável a Portugal e a todo o mundo.
Desde 1979 a riqueza de 1% de super-ricos aumentou quase 400% e a riqueza de 80% da população ficou na mesma ou caiu.


É a queda dos salários. As estatísticas dizem que do PIB (Produto Interno Bruto) português, da riqueza do pais, em 1973, 56% era para ordenados, em 1975 passou para 69% mas depois foi caindo e em 2009 apenas 52% da riqueza nacional foi para ordenados

Porra eu quero um futuro para o meu filho, merece tanto como esses 1% super-ricos e existe riqueza suficiente para todos. Ou dão a volta a isto ou rebenta tudo!

segunda-feira, 7 de março de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

O atraso de Portugal

Foi algo que pensei há uns 2 meses mas só agora alinhavei umas palavras para partilhar esta reflexão. Faz quase 2 meses que Carlos Castro foi assassinado em Nova Iorque. Durante dias a fio não deu quase mais nada na televisão. Foi os telejornais, foram os programas da manhã e da tarde.

Na mesma altura morreu Vitor Alves, um dos destacados capitães de Abril, um homem sério, honesto e sensível. Vitor Alves, Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho, Salgueiro Maia, Costa Gomes, Melo Antunes, foram obreiros do 25 de Abril, deitaram abaixo a longa ditadura fascista.

No entanto Vitor Alves passou de raspão na televisão e Carlos Castro abafou a televisão.

Isto é um sintoma do atraso do nosso país. É um atraso cultural. A morte de Carlos Castro não tem nenhuma importância para Portugal mas a morte de Vitor Alves poderia ter proporcionado uma reflexão sobre o nosso passado, o nosso presente e o nosso futuro, sobre a nossa governação passada, presente e futura.

quarta-feira, 2 de março de 2011

PCP e o BE têm razão: Despedir o electricista não poupa energia

É o título de um artigo de opinião do Director do Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro (PSG). Depois acrescenta: PCP e o BE têm razão: aumentar a competitividade não pode ser apenas gerir o factor de produção trabalho.

Sócrates e Limitada falam muito das exportações. Alguns empresários e políticos cavernosos falam do despedimento livre. PSG diz que a competividade da economia não depende do despedimento livre. E até as associações industriais e grandes exportadores estão mais preocupados com o custo da energia. Afinal os custos unitários dos produtos exportados não são só salários: são juros, factura energética, impostos, transportes, matérias-primas.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Canteiros de Bordeira


Bordeira é conhecida pela arte de trabalhar a pedra. Os seus canteiros trabalharam na recuperação dos grandes monumentos franceses: Palácio de Versailles, Catedral de Nôtre Dame, a Assembleia Nacional, o Louvre, os Invalides, o Sacré Coeur, Montmartre... Ver também mais abaixo. Mas noutros sitios da Freguesia também tivémos bons canteiros, como o falecido João Madeira da Aldeia.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A rainha da música

A Freguesia de Santa Bárbara de Nexe é a rainha da música: 7 charolas, Helder Barracosa, Nelson Conceição, os jovens acordeonistas de Bordeira, 2 ranchos folclóricos, Grupo de Cantares da CIMFARO, Fina Flor, José Manuel Ferreira + JMF e os Algarviados, Compact 2, o Hugo, Cume, Smente, Mentes Perigosas, Compact 2... Mais de 150 pessoas. Cultura, amizade, convivio saudável, identidade colectiva. É preciso apoiar e incentivar a nossa malta, sempre!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

São as classes média e baixa que estão a pagar a crise

A crise foi provocada por milionários mas os outros é que pagam. Os milionários dos bancos, os seus gestores e os outros que puseram lá os seus milhões, ambos para especularem e criarem produtos financeiros agora chamados de tóxicos, ganharam milhões até provocarem o caos financeiro. Ainda hoje em plena crise continuam com salários e lucros pornográficos.

Mas são as classes média e baixa que estão a pagar a crise. Em Portugal, como no resto do mundo, aumentou-se a despesa do Estado, em princípio, parar contrariar uma crise criada por banqueiros gananciosos e políticos incompetentes. Agora para fazer descer essa despesa, nas medidas dos Planos de Estabilidade e Crescimento e do Orçamento de Estado, 60% são cortes e aumentos de impostos sobre os trabalhadores, 30% são cortes no Estado que afectam serviços públicos cujos utilizadores são as classes baixa e média e somente 10% são o contributo de grandes empresas, bancos, etc.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Com os canteiros de Bordeira

Esta foi uma reportagem que saiu na revista Única, do Expresso, em 2008. O jornalista estava interessado em acordeonistas e levei-o à casa de João Barra Bexiga. O Sr. João não estava em casa e o jornalista não podia voltar. Disse-lhe logo que se não podia fazer uma reportagem sobre acordeonistas, poderia fazer uma interessante sobre canteiros. Disse-lhe que iamos até Bordeira e certamente que conseguiriamos encontar canteiros com belas histórias. Chegámos à Cocheira e começei logo à procura do carro do Zé das Neves. Vi logo o carro e a bicicleta do Grou. Bingo! Esta foi a reportagem do jornalista Nuno Ferreira.

Aquela pedra enorme vai servir para a freguesia de Santa Bárbara de Nexe prestar homenagem aos seus canteiros (escreveu o jornalista, mas por acaso não foi esta pedra mas outra que eu ajudei a ir buscar).

Em Março de 2008 entrei de mochila às costas na Junta de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe a pedir informações sobre um conhecido acordeonista da região. O secretário da autarquia, depois de ter confessado que nunca tinha sido abordado por um jornalista de mochila às costas, levou-me a casa do músico veterano e lenda da região, mas ele não estava. Foi quando se virou para mim e disse: “Ouça, você não entrevista o acordeonista mas vai entrevistar os nossos canteiros”. Foi assim que tomei contacto com a história memorável dos canteiros da Bordeira. Encontrei José das Neves Moleiro, então com 68 anos, na Casa de Pasto Rústica, à beira da estrada, em companhia de outro grande canteiro, João Desidério.

José e João foram dois dos muitos canteiros da localidade da Bordeira que rumaram para França no tempo da ditadura e das vacas magras e acabaram a protagonizar o restauro de monumentos famosos no mundo inteiro.

Começaram ali, em crianças, mais precisamente nas pedreiras do lugar de Funchais, Bordeira, andaram por Cascais, alguns, e depois fizeram-se à vida e trabalharam no que sempre moldaram e os moldou a eles.

“A malta nova não tinha outra saída nesse tempo. Aqui, só havia uma oficina de carpintaria. Íamos para as pedreiras, ao todo éramos mais de 100 canteiros. Era vida de escravo, naqueles buracos marafados, o “bicho” queria se endireitar e não podia...”, contou-me José. Nos anos 60, quase tudo emigrou. “Quase tudo abalou, primeiro para Cascais e depois para França. A gente não queria nada com a guerra colonial. Eu atravessei o Guadiana a salto no dia 29 de Janeiro de 1962”.

José acabou por viver 38 anos em Paris. “A princípio, o mais difícil foi adaptar-me à língua. Depois, fui arranjando trabalho no “boca à boca”. Comecei a trabalhar no mais fácil mas nunca imaginei vir a restaurar os monumentos que restaurei”.
A destruição da Iª Guerra Mundial, a poluição, a erosão provocada pelo clima, tudo foi deixando marcas na pedra das obras de arte francesas. “A pedra deles é mais macia, absorve mais a água...”

Os dedos da mão de José das Neves Moleiros não chegavam para contar o número de monumentos que a sua arte de canteiro algarvio e “made in” Bordeira ajudou a restaurar: “Em Versailles, logo à entrada, junto às grades, está trabalho cá do velho. Nas cocheiras do palácio também. E se for à Catedral de Nôtre Dame, procure bem uma «estatuazinha» pequena na parte de trás do jardim. Fui eu que a restaurei”.

O olhar de José brilhava de orgulho. Por perto, mais reservado, o mestre João Desidério escutava a conversa como se não fosse nada com ele. Foi José a ajudá-lo a soltar a modéstia. “Tu João, tu também restauraste muita coisa”. Só em Paris, João trabalhou no restauro da Assembleia Nacional, do Louvre, dos Invalides e do Sacré Coeur. Da grande basílica de Montmartre lembram-se os dois bem, não haveriam de se lembrar. “A pedra do Sacré Coeur era pedra marafada, rija de um raio, mais duro que um ferro...”

Deixei a Bordeira e os canteiros entregues à conversa sobre os futuros museus da cantaria e monumento aos canteiros e fiz-me à imprevisibilidade da estrada. Parti bem mais rico do que quando ali parei, à porta da Junta de Freguesia e na mente ecoavam ainda as palavras de José das Neves Moleiro: “Eles em papel eram mais fortes mas depois na prática a gente éramos os reis”.


O mestre José das Neves inspecciona a fractura na rocha.


Links: 1, 2 e 3

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Rasmono 75 euros o quilo

75 euros o quilo de rosmaninho
se não houver engano do dono
poupo o meu dinheirinho
e vou ao mato apanhar rasmono
Fui a um supermercado, desses nacionais, comprar legumes para salada e curioso vejo várias verduras pouco habituais. Como o funcho, que é bom para por nos figos secos. Depois vi rosmaninho que é bom para por na carne grelhada ou no forno. Preparem-se... Umas 4 hastes de rosmaninho 1,50 euro!!! Fui ver bem e era 75 euros o quilo!!! O que a gente tem a pontapés por toda a freguesia e por esses matos, a malta da cidade deve pensar que é baratito 1 eurito e meio para fazer um bom molho!!! Os gajos dos supermercados não são parvos...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Igreja Matriz de Santa Bárbara de Nexe

A nossa bela igreja, altaneira sobre o Largo do Rossio. A Igreja Matriz de Santa Bárbara de Nexe é uma das maiores e mais importantes no Algarve rural. A sua construção começou no século XIV, no lugar de uma antiga ermida já existente, onde eram relatados "milagres" e que era local de romagens regionais. Foi alvo de importantes intervenções nos séculos XVII e XVIII. Sofreu muito com o terramoto de 1755. É um edifício de três naves de cinco tramos, com arcos ogivais suportados por colunas. Um arco triunfal exuberantemente decorado com ramos e troncos, em puro estilo manuelino e proto-renascentista, separa a nave central da capela-mor, cuja cobertura é decorada por uma abóbada estrelada, de cinco chaves, ligadas por combados em forma de corda.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A Regionalização

in Algarve Mais, Fevereiro de 2011

No último número da Algarve Mais, o nosso cronista Vitor Madeira reflectiu sobre a ausência de uma consciência regional algarvia, a crise politica do Algarve, os nossos políticos de pouca qualidade que se escondem atrás da regionalização para justificar a sua incapacidade e considerando que a regionalização não é solução. Sintetizo alguns pontos centrais e dou continuidade a essa reflexão.

1. Os algarvios estão alheados da matérias que implicam a região.

Concordo mas com duas nuances. A primeira é que o Algarve não é muito diferente do resto de um país distraído, no mínimo. Basta ver como nos últimos 30 anos os portugueses têm sido suavemente condescendentes ou apoiantes de governantes que nos levaram ao estado caótico do país. A segunda nuance é que, no Algarve, talvez metade da população e muitos membros da massa crítica que são os intelectuais e os decisores no sectores público e privado não são originários do Algarve, tendo vindo de outras regiões do país, não sentindo verdadeiramente o Algarve mas sim um estatuto vazio de um sentimento de pertença regional.

2. A influência e capacidade reivindicativa do Algarve são cada vez mais reduzidas no território nacional.

Concordo em absoluto. Basta ver como no Algarve o PS e PSD se calam perante a imposição de Lisboa, para o nosso circulo eleitoral ,de cabeças de lista às eleições legislativas vindos de outras regiões. Tal acontece porque actualmente é que temos um poder político isolado nas suas quintinhas das Câmaras às Direcções Regionais. Tal acontece porque temos dirigentes partidários cá, concordo que são de pouca qualidade e que se escondem atrás da regionalização para justificar a sua incapacidade, que estão mais preocupados com futuros lugares ou com estratégias políticas nacionais mesmo que sejam contrárias aos interesses do Algarve. Mas tal acontece porque esses dirigentes partidários contam com o alheamento quase generalizado e não respondem e não prestam contas mais directamente perante os algarvios. Precisamente porque os nossos dirigentes partidários regionais, por falta de regionalização, não passam pelo crivo do voto dos algarvios para uma liderança regional.

3. Os concelhos com menos habitantes ficarão a perder com a regionalização.

Esta é uma aritmética questionável. A pensar assim então teremos de dizer que o Algarve e Trás-os-montes têm que sair de Portugal porque são regiões menos populosas, que Alcoutim e Vimioso têm que sair das suas regiões e do país porque são concelhos menos populosos, que Moimenta e Giões têm de sair dos seus concelhos, região e país porque são freguesias menos populosas.

Uma coisa parece ser mais certa: uma região dinâmica trará vantagens para todos os seus concelhos. Por outro lado, o que se pode constatar é que é actualmente, sem regionalização, quem mais tem sofrido e mais se tem desertificado são as regiões, concelhos e freguesias com menos população.

Parece-me que as populações periféricas do nosso país têm sofrido mais precisamente porque somos o país mais centralista da União Europeia. Muitos erros governativos foram cometidos e demasiados recursos financeiros foram concentrados em Lisboa porque, consultando dados da OCDE, União Europeia e FMI, constata-se que Portugal apresenta um grau de centralismo político-administrativo na ordem dos 90% e de descentralização na ordem dos 10%. Pelo contrário, a descentralização é da ordem dos 19% na França, 27% na Holanda, 25% na Irlanda, 50% na Áustria, 45% na Dinamarca, 40% em Espanha, 35% na Finlândia, 25% na Estónia e 30% na Letónia.

4. A regionalização não é a a panaceia para todos os males do Algarve.

Também concordo mas não sendo uma panaceia para todos os males é a resposta mais eficaz para alguns males bastante importantes. O primeiro, e talvez o mais importante, é a possibilidade de se ultrapassar o actual panorama do poder político-administrativo do Algarve: a divisão em quintinhas. Temos uma administração regional espartilhada num triângulo muito ineficaz: num vértice, as 16 Câmaras do Algarve e a sua Associação Metropolitana sem poderes, recursos, representatividade e peso dignos a um nível regional; noutro vértice, as estruturas regionais telecomandadas de Lisboa e sem peso político (Economia, Educação, Agricultura, Cultura, Desporto, etc.); noutro vértice, a estrutura regional mais poderosa mas sem a legitimidade do voto popular e sem peso político suficiente, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional.

O Algarve necessita de, chamem-lhe regionalização ou outra coisa qualquer, uma estrutura regional forte, democraticamente eleita e legítima, com peso representativo, institucional, político e negocial reconhecido por todos os agentes públicos e privados, regionais, nacionais e europeus. Para acabar com as decisões tomadas em Lisboa sem perguntar nada, sem dar ouvidos ou sem dar satisfações ao Algarve. Tal desiderato, ninguém leve a mal, não se alcança com dezasseis Presidentes de Câmara que têm de dar satisfações a quem os elege no seu Concelho e não ao Algarve.

Sinceramente parece-me as polémicas do Hospital Central do Algarve, da requalificação da EN125, da portagens na Via do Infante, da Ponte de Alcoutim, etc., vão-se arrastando precisamente porque faz falta no Algarve um poder regional forte, representativo e reivindicativo e não vejo como se consegue chegar a ele sem ser através da regionalização, de um governo regional eleito e legitimado pelos algarvios.

Como é que os algarvios vão arregaçar as mangas e lutar pelo futuro da região do Algarve sem uma ideia, um projecto, uma estrutura aglutinadora e de unidade da região?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Xutos - Sem eira nem beira

É o que estou a ouvir: Xutos - Sem eira nem beira. Uma das melhores músicas dos Xutos mas que quase não se ouviu na rádio. Passou umas poucas vezes mas despois parece que foi censurada.

sábado, 29 de janeiro de 2011

A vitória de Cavaco

Cavaco ganhou com 53%. Alegre teve 20%, Nobre 14%, Lopes 7%, Coelho 5% e Moura 2%.

Cavaco saiu-se com um discurso de vitória rançoso. E com esse discurso tentou calar para sempre as histórias do BPN. Eu não fiz campanha contra Cavaco utilizando o caso das acções e o da vivenda mas hoje parece óbvio que foram duas ofertas do BPN e da sua máfia. No caso das acções é uma oferta sem consequências mas o da vivenda implica que Cavaco aceitou um negócio de troca da sua vivenda velha por uma maior, nova e à beira da praia. Foi declarado o mesmo valor para as duas e o que resultou é que Cavaco assim fugiu ao pagamento da SISA. Ele pode querer calar estes factos mas a verdade é que deixam nódoa e Cavaco cada vez que falar da sua superioridade terá sempre uma nódoa visível.

E fico à espera que Cavaco cumpra o que disse: não concorda com os cortes nos salários, quer uma repartição justa dos sacrifícios e defende um imposto extraordinário sobre os mais ricos

Cavaco ganhou mas foi o presidente reeleito com menos votos até hoje, menos que Sampaio, Soares e Eanes.

Cavaco ganhou com 2.230.240 votos mas se contarmos com os votos brancos e os nulos, teve menos de metade dos votos das pessoas que foram votar – 2.259.907 pessoas não votaram em Cavaco.

Mas Cavaco ganhou à primeira volta. Lopes, Coelho e Moura tiveram o resultado que eu pensava. Nobre teve um resultado melhor do que eu pensava. Quem se espalhou ao comprido foi Alegre.

Alegre teve menos votos que à 5 anos. Teve uma campanha desastrosa, com o apoio de um Governo cada vez mais criticado e do BE que num dia atacava o governo e no outro dia andava com Alegre de mãos dadas com os membros do Governo. Isto é tortuoso.

Alegre deveria ter feito a sua campanha só com o movimento que o apoiou à 5 anos e à parte disso que o apoiassem à distância.

O voto em Nobre, os brancos e os nulos, quase 700.000, assim como cada vez mais abstenção, revela um número crescente de pessoas que não acreditam nos partidos e neste sistema.

A abstenção vai subindo de eleição em eleição. Como podemos ser tão mal agradecidos com a democracia? É melhor vivermos em ditadura e levar pelos queixos sempre que se abrir a boca?

Quantos não conseguem compreender que política é tudo o que influencia a sua vida dia-a-dia? Quantos estão contentinhos com a sua triste vida? Continuem a não ir votar e deixem que os outros decidam a vossa vida...

Na Freguesia de Santa Bárbara de Nexe, Cavaco ganhou com 52%, Alegre teve 18%, Lopes teve 14%, Nobre teve 11%, Coelho teve 4% e Moura teve 1%. Cavaco teve 691 votos mas os que não votaram nele foram 740 pessoas...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Votem em quem vocês quiserem menos no Cavaco (parte 2)

Enganados. É assim que estão a tentar enganar a todos. Cavaco Silva disse hoje “que dá voz a quem não tem voz, àqueles que não têm força suficiente para se defenderem das injustiças”. Até parece que este Cavaco não é o mesmo que assinou a parte cega dos cortes nos abonos de família, no subsidio e desemprego, nas pensões, nos salários? Até parece que este Cavaco não tem assinado os orçamentos e as políticas que levaram este país à crise, às falências e ao desemprego?

Para reconfirmar o engano basta dar uma olhada à Comissão de Honra de apoio a Cavaco. É só malta que não sabe o que é passar dificuldades. Tal como Fernando Ulrich, feliz com os lucros astronómicos do BPI enquanto as pequenas e médias empresas vão falindo. Ou Vasco de Mello, feliz com os lucros chorudos da Brisa/portagens enquanto o cidadão comum sai-lhe do coiro a portagem. Ou Álvaro Barreto, da gestão ruinosa do BPP. Ou José António Silva, que deixou 380 trabalhadores da Alisuper no desespero. Ou 4 destacados ex-dirigentes do BPN, que deixaram um buraco negro do país...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Votem em quem vocês quiserem menos no Cavaco

Já não posso mais com conversas sonsas. Cavaco Silva não responde ou finge que responde sem responder. Ele é político desde 1980. Ele está do lado das grandes empresas que já são grandes demais e estão a chupar os pequenos e os médios até aos ossos. Votem em quem vocês quiserem menos no Cavaco.

Cavaco Silva quer fazer parecer que está acima de tudo e de todos, que está acima da crise e dos que provocaram a crise, que está acima dos políticos, que está acima dos podres de Portugal.

Cavaco Silva não está acima dos políticos, nem de nada. Ele é o português mais político. Desde que eu me lembro de política, ele está sempre presente. Começou na política em 1980 e 30 anos depois ainda está cá.

Cavaco foi ministro das Finanças 1980-81 e logo a seguir veio o FMI do qual agora tem tanto medo. Foi presidente do Conselho Nacional do Plano entre 1981 e 1984. Foi Primeiro-Ministro entre 1985 e 1995. Teve um interregno de 10 anos apesar do seu espectro e por vezes palavras pairar sobre o PSD. É Presidente da República desde 2006. Isto não é ser político?

Depois quer-se fazer passar pelo economista mais competente. Fala mal do desgoverno financeiro mas vem escarrapachado no Diário de Notícias que foi durante os 10 anos de Governo de Aníbal Cavaco Silva que o Estado mais engordou, com a despesa pública a crescer 10,6% entre 1985 e 1995.

Quer também elevar a sua competência como governante mas fomos enganados. Com Cavaco a Primeiro-Ministro entravam milhões e mais milhões da União Europeia e cresciam as auto-estradas, parecendo tudo bem. Mas o que realmente começou foi a concentração da economia nas obras públicas, na construção com os bancos atrás, nas grandes empresas quase-monopolistas, nas grandes superfícies. Hoje vê-se que no outro lado dessa política começou a destruição da indústria, da agricultura e da pesca (e agora tanto Cavaco fala do mar). Hoje vê-se que se favoreceu as empresas que não produzem pouco ou nada produzem e muito menos para exportar (e agora tanto Cavaco fala das exportações). Hoje vê-se que se favoreceu as grandes empresas de tal modo que estas vão chupando os pequenos e os médios até ao osso. É uma traição aos princípios da Social-Democracia. E, hoje, os gestores dos bancos e das grandes empresas estão todos na Comissão de Honra da sua candidatura.

Basta! Cavaco Silva está na origem do estado actual do país e não é com ele que se pode contar para a mudança que é necessária em Portugal.

Votem em quem vocês quiserem menos no Cavaco.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Preocupem-se mais com os problemas de Portugal

in Algarve Mais, Janeiro de 2010

Andam o Governo e o PSD muito preocupados com os “mercados”. Têm a sua importância relativa mas deveriam estar mais preocupados com o presente e o futuro de Portugal. Paul Krugman, norte-americano e prémio Nobel da Economia, disse recentemente e muito a sério: os “mercados” querem dinheiro para cocaína e prostitutas.

Os “mercados” são na realidade jovens recém-diplomados com menos de 30 anos, provavelmente com a mesma inteligência de um estudante do ensino secundário, desenhando estratégias caóticas de negociação de acções/títulos e reportando a chefes que serão apenas 5 anos mais velhos que eles. São jovens que só pensam, e mal, o futuro no prazo máximo de 3 meses e não estão preocupados com o futuro de países e empresas a médio e longo prazo (4 ou mais anos). Até porque num espaço de 4 anos já terão sido promovidos ou despedidos e não se preocuparão mais com os países e empresas que agora fazem tremer.

Não existe vontade na Europa e nos EUA para mudar esta realidade, nem para controlar os excessos dos bancos, especuladores e grandes empresas. Não é o voto dos cidadãos que manda mas sim esses poderosos interesses. Não vivemos em democracia pura mas sim numa democratura: democracia de voto e ditadura do capital. O Governo português não tem poder, nem talvez visão, para mudar esta realidade mas então que se concentre em resolver os problemas do nosso futuro.

1. Endireitar as contas públicas

Reduzam a despesa anual do Estado em, pelo menos, 6 mil milhões de euros. Cortem nas empresas públicas, institutos e fundações fantasma, nos tachos, nas nomeações e nos salários milionários, nos gastos comemorativos, nas obras sem concurso público, nas ruinosas parcerias publico-privadas que custam mais do que um empréstimo bancário.

Apliquem um contributo verdadeiramente proporcional na parte da receita e vão rebuscar 1,5 mil milhões de euros com o fim dos benefícios fiscais individuais (bancos e grandes empresas), taxando 20% as transferências para os paraísos fiscais e as mais valias bolsistas (acabando com a vergonha de casos como a PT em que os grandes não pagaram imposto nenhum), taxando extraordinariamente os grandes lucros e os produtos de luxo.

O contributo tem que ser proporcional e não podem ser só as classes média e baixa a pagar a crise. Nas medidas dos PEC e do Orçamento de Estado, 60% são cortes e aumentos de impostos sobre os trabalhadores, 30% são cortes no Estado que afectam serviços públicos cujos utilizadores são as classes baixa e média e somente 10% são o contributo de grandes empresas, bancos, etc. São os pobres que pagam a crise criada pelos ricos!

E não me digam que taxar a riqueza impede o investimento, nem que é um discurso demagógico sobre os ricos. O próprio milionário e investidor Warren Buffet disse que nos EUA a redução dos impostos sobre os super-ricos apenas e só os tornou mais ricos enquanto o americano médio não foi a lado nenhum, ficou sempre na tremideira. O FMI publicou um estudo concluindo que a crise financeira foi provocada pelo aprofundamento do fosso entre pobres e ricos. Tal como aconteceu na Grande Depressão, a crise financeira resulta da concentração de riqueza nos mais ricos e o crescente acesso ao crédito dos mais pobres, sem recursos para viver nas sociedade modernas. Nos EUA, entre 1983 e 2007, a parte do rendimento nacional detido pelos 5% mais ricos aumentou de 22 para 34%... Mais riqueza para uns poucos menos riqueza para muitos mais...

2. Eficiência Pública + Educação + Saúde + Justiça + Segurança

Tenham coragem e competência para desburocratizar totalmente o Estado, para o destacamento de funcionários públicos de acordo com as necessidades reais, para descentralizar através da regionalização e para acabar com o buraco negro de Lisboa, o sorvedouro de recursos e pouco preocupado com o resto do país produtor, para que o poder público seja mais transparente e próximo dos cidadãos. Melhores serviços com menos custos

Na Educação gastamos tanto ou mais que a média da Europa e os resultados parecem estar a evoluir mas são insuficientes para recuperar rapidamente o nosso atraso de conhecimentos e cultural. Apesar das estatísticas, temos uma escola facilitista, cheia de teorias e vazia de conhecimento. Temos gente a mais no Ministério da Educação e professores a menos a dar aulas. Na Saúde, essencial para a qualidade e conforto de vida, a ameaça de caos é real. E sem uma Justiça rápida e eficiente, tudo se arrasta nos tribunais e não é possível desenvolver o país.

3. Produção + Emprego

Parte substancial do investimento público deve ser canalizado para as micro, pequenas e médias empresas, e para a inovação. Produzir mais para exportar mais e importar menos. Produzir produtos que podem ser comercializados em lugar de enterrar dinheiro em betão como nos últimos 20 anos. Enquanto não se focalizar o investimento na economia produtiva não haverá emprego suficiente.

Foquem-se no importante e não no acessório da redução de salários (já baixos) e nas flexibilizações (no país da Europa com mais emprego precário). Como disse Pedro Guerreiro no “Negócios online”, 7/12/2010: aumentar a competitividade não pode ser apenas gerir o factor de produção trabalho. Até as empresas portuguesas reconhecem que é mais importante o custo da energia e factores como os juros, impostos, transportes, matérias-primas. Enquanto as atenções não estiverem inteiramente viradas para a inovação, investimento tecnológico, qualificação e melhoria das capacidades de gestão continuaremos numa economia fraca baseada no custo do trabalho e batida por muitos outros países.

domingo, 26 de dezembro de 2010

CHAROLAS

As Charolas na Freguesia de Santa Bárbara de Nexe (Faro - Algarve - Portugal) têm características próprias e são a manifestação cultural mais tradicional e genuína desta Freguesia e únicas no Algarve e em Portugal.

As Charolas e as tradições da Freguesia, a sua identidade comunitária e o reforço das dinâmicas culturais e da cooperação cultural e social são factores importantíssimos potenciadores de intervenção cívica e coesão social.

As Charolas são onde o passado, o presente e o futuro se encontram num espaço simbólico para expressar e afirmar a identidade colectiva, através da festa, do improviso, da vivacidade das músicas, da evocação da tradição, amizade, união e fraternidade.

VER A HISTÓRIA DAS CHAROLAS NESTA LIGAÇÃO: CLIQUE AQUI.





quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

GROUND FORCE: SOLIDARIEDADE COM OS TRABALHADORES

MOÇÃO DA ASSEMBLEIA DE FREGUESIA DE SANTA BÁRBARA DE NEXE

SOLIDARIEDADE COM OS TRABALHADORES DA GROUND FORCE

Considerando que:

- O despedimento de mais de 300 trabalhadores da GroundForce no Aeroporto de Faro, num Algarve também ele vítima do crescimento vertiginoso do desemprego (mais de 3.000 desempregados em Faro e mais de 30.000 na região), terá um dramático impacto social, incluindo na Freguesia de Santa Bárbara de Nexe, de onde são originários vários trabalhadores da empresa.

- A GroundForce tem como accionista principal a TAP e, consequentemente o Estado, razão pela qual o Governo, que se reclama como Socialista, não pode fazer de conta que este não é um problema seu.

- A administração da GroundForce e o Governo não podem continuar a recusar o dialogo com os trabalhadores e seus representantes, ignorando propostas de flexibilidade/adaptabilidade/mobilidade e propostas de redução de custos operacionais de cerca de 8 milhões de euros, tornando a empresa clara e inequivocamente viável.

- A administração da GroundForce e o Governo não podem continuar a ignorar o contributo para a situação negativa da empresa dos erros de gestão e as mordomias injustificadas, o aumento do número de administradores da TAP de 5 para 30 em 10 anos, os negócios ruinosos no Brasil que custaram em 3 anos 250 milhões de euros, a perigosa subcontratação de empresas de trabalho temporário no valor de mais de 10 milhões de euros em dois anos e desaproveitando os recursos humanos da empresa, etc....

A Assembleia de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe, reunida em 20.12.2010, delibera:

- Manifestar a sua solidariedade com os trabalhadores da GroundForce.

- Requerer ao Governo a adopção de medidas de salvaguarda dos postos de trabalho e de viabilização da empresa.

- Enviar esta Moção ao Governo, à Assembleia da Republica, à Comissão de Trabalhadores da GroundForce e aos Órgãos da Comunicação Social.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Ordenados roubados

As estatísticas dizem que do PIB (Produto Interno Bruto) português, da riqueza do pais, em 1973, 56% era para ordenados, em 1975 passou para 69% mas depois foi caindo e em 2009 apenas 52% da riqueza nacional foi para ordenados.

Ou seja, com o 25 de Abril as coisas melhoraram mas agora estamos pior do que no fascismo. O dinheiro está encostado nos lucros dos bancos, das grandes empresas e dos milionários. Quem sofre com essa concentração do dinheiro nos poderosos são os trabalhadores e as Pequenas e Médias Empresas que têm menos dinheiro. E no fim quem sofre é a economia do país porque existe menos dinheiro em circulação e menos negócio.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Jovens sem futuro

Jovens sem trabalho, sem contratos, sem possibilidade de ter uma casa, nem uma família, nem um propósito de vida. Falam em facilitar os despedimentos e em flexibilizar o mercado de trabalho para dar mais oportunidades aos jovens. Mentiras. Portugal já é dos países mais flexíveis da Europa. Mais de metade dos jovens têm contratos temporários (Diário de Notícias, 26-11-2010) e isso não resultou na resolução do problema do desemprego. Um dia isto rebenta!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Portugal está doente

Entre tantas dificuldades e talvez mais oportunismo, qual é o nosso futuro quando António Saraiva, Presidente da Confederação da Industria Portuguesa, disse recentemente que não existem condições para cumprir o acordo de aumento do Salário Mínimo Nacional de 475 para 500 euros? Não existem condições para um aumento 82 cêntimos por dia, um pouco mais que uma bica por dia?