terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Obras da Fagar

Extracto do ofício enviado à Fagar e ao Presidente da Câmara:


A esta Junta de Freguesia chegam diariamente reclamações sobre as obras da Fagar, que temos feito chegar a V. Exas.

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Desde logo, com cada vez mais os pavimentos danificados à espera de repavimentação.

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Por outro lado, a reposição de pavimentos é de muito baixa qualidade.

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Não é feita uma compactação adequada das valas.

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Os prejuízos nas viaturas automóveis particulares são elevados. Não há pneus, jantes e suspensões que resistam.

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É pertinente tomar as medidas necessárias para corrigir preventivamente as falhas detectadas, em lugar de passarmos mais um ou dois anos em trocas diárias de comunicações enquanto os munícipes sofrem prejuízos diariamente.

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As obras têm de ter método, as valas devem ser devidamente compactadas e repavimentadas com qualidade, as calçadas devem ser repostas e os caminhos e estradas devem estar transitáveis fora do período de trabalho nessas obras.


sábado, 10 de dezembro de 2011

Donos do Mundo


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in Algarve Mais, Dezembro de 2011

Thomas Jefferson, disse em 1802, portanto há 209 anos atrás: “Acredito que os bancos são mais perigosos para as nossas liberdades do que os exércitos. Se o povo Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo.”

Jefferson não foi um qualquer radical, foi o principal redator da declaração de independência dos EUA e foi o 3º Presidente norte-americano. Pelo andar das coisas, a visão de Jefferson vai-se concretizar e na Europa como nos EUA uma grande parte da população vai cair na pobreza.

Os bancos, os fundos de investimento, o poder financeiro das multinacionais, com as mãos muito livres, são os novos donos do mundo, ganharam uma dimensão asfixiante e uma vida própria que não respeita a vida humana, ganharam uma dimensão e um poder que esmaga a vida humana. Hoje em dia, há quem aponte que 90% dos milhões de milhões de euros que circulam sem parar diariamente pelo mundo não têm nada a ver com a produção ou comércio de bens ou serviços, não têm nada a ver com emprego nem salários. Hoje em dia, 90% dos milhões de milhões de euros que circulam pelo mundo movem-se no campo da especulação, de criar lucro com compras e vendas especulativas de ações, moedas, produtos futuros.

Chegámos a este ponto a reboque de uma ideologia neo-liberal, com a crescente desregulação dos mercados financeiros a partir da década de 1980, com a justificação que a liberalização financeira iria permitir uma melhor movimentação internacional e uma aplicação do capital onde ele fizesse mais falta, potenciando um grande crescimento económico mas o resultado não foi esse. Não só não se cumpriu nenhum paraíso na terra como o crescimento da finança desregulada acompanhado do crescimento do poder das multinacionais é equivalente à crescente sucessão de crises que ameaça tornar-se numa depressão económica jamais vista.

Nas 100 maiores economias do mundo estão 42 empresas multinacionais, essencialmente das áreas do petróleo, banca, seguros, telecomunicações, farmacêutica, agrotóxicos, supermercados e indústria automóvel. As maiores 500 empresas do mundo têm um lucro total equivalente a um terço do rendimento mundial. São os donos do mundo.

Portugal tem um Produto Interno Bruto anual de 167 mil milhões de euros. À frente de Portugal estão uns 35 países e atrás uns 150 países. Mas, o Royal Bank of Scotland tem ativos no valor de 2 500 mil milhões de euros, a Shell tem vendas no valor de 333 mil milhões de euros e a ExxonMobil tem um valor de 243 mil milhões de euros de euros. E os fundos de investimento da Bridgewater Associates têm 42 mil milhões de euros e os da Pimco têm 18 mil milhões de euros. Em Portugal as vendas das maiores 50 empresas superam os 50 mil milhões de euros

Os Estados, assim como os trabalhadores e os consumidores, perderam poder para as multinacionais e fundos de investimento, que por sua vez arrastam os salários para baixo e concentram o lucro numa escassa classe de super-ricos, 1% da população, destruindo a classe média e atirando para a pobreza uma grande parte da população.

Foi quebrado um contrato social entre o capital e o trabalho que tinha sido instituído após a Grande Depressão da década de 1930 e após a II Guerra Mundial. O medo da ascensão da URSS e da luta dos trabalhadores, o medo dos horrores das 2 guerras mundiais, geraram um contrato social na Europa e nos EUA baseado na valorização do trabalho e do salário, no desenvolvimento da Segurança Social, na presença do Estado na Economia e em setores estratégicos, no espaço para as Pequenas e Médias Empresas.

Este contrato, que foi o grande responsável pelo desenvolvimento da Europa e dos EUA, foi rasgado pelo capital, pela escassa classe de super-ricos de 1% da população, que já não querem repartir lucros com o resto da população.

Ainda há pouco tempo estava a ver o humorista norte-americano, Jon Stewart, na TV a dizer que a guerra de classes está de volta e são os super-ricos que estão a atacar a maioria da população. Mas se o contrato social foi quebrado e a guerra de classes está de volta, também estarão de volta as convulsões sociais, as revoltas e as revoluções. Os debaixo, a maioria da população, podem estar ainda acomodados ou iludidos mas tanta pobreza e vidas precárias explodirá mais cedo ou mais tarde.