segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Canteiros de Bordeira


video

Bordeira é conhecida pela arte de trabalhar a pedra. Os seus canteiros trabalharam na recuperação dos grandes monumentos franceses: Palácio de Versailles, Catedral de Nôtre Dame, a Assembleia Nacional, o Louvre, os Invalides, o Sacré Coeur, Montmartre... Ver também mais abaixo. Mas noutros sitios da Freguesia também tivémos bons canteiros, como o falecido João Madeira da Aldeia.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A rainha da música

A Freguesia de Santa Bárbara de Nexe é a rainha da música: 7 charolas, Helder Barracosa, Nelson Conceição, os jovens acordeonistas de Bordeira, 2 ranchos folclóricos, Grupo de Cantares da CIMFARO, Fina Flor, José Manuel Ferreira + JMF e os Algarviados, Compact 2, o Hugo, Cume, Smente, Mentes Perigosas, Compact 2... Mais de 150 pessoas. Cultura, amizade, convivio saudável, identidade colectiva. É preciso apoiar e incentivar a nossa malta, sempre!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

São as classes média e baixa que estão a pagar a crise

A crise foi provocada por milionários mas os outros é que pagam. Os milionários dos bancos, os seus gestores e os outros que puseram lá os seus milhões, ambos para especularem e criarem produtos financeiros agora chamados de tóxicos, ganharam milhões até provocarem o caos financeiro. Ainda hoje em plena crise continuam com salários e lucros pornográficos.

Mas são as classes média e baixa que estão a pagar a crise. Em Portugal, como no resto do mundo, aumentou-se a despesa do Estado, em princípio, parar contrariar uma crise criada por banqueiros gananciosos e políticos incompetentes. Agora para fazer descer essa despesa, nas medidas dos Planos de Estabilidade e Crescimento e do Orçamento de Estado, 60% são cortes e aumentos de impostos sobre os trabalhadores, 30% são cortes no Estado que afectam serviços públicos cujos utilizadores são as classes baixa e média e somente 10% são o contributo de grandes empresas, bancos, etc.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Com os canteiros de Bordeira

Esta foi uma reportagem que saiu na revista Única, do Expresso, em 2008. O jornalista estava interessado em acordeonistas e levei-o à casa de João Barra Bexiga. O Sr. João não estava em casa e o jornalista não podia voltar. Disse-lhe logo que se não podia fazer uma reportagem sobre acordeonistas, poderia fazer uma interessante sobre canteiros. Disse-lhe que iamos até Bordeira e certamente que conseguiriamos encontar canteiros com belas histórias. Chegámos à Cocheira e começei logo à procura do carro do Zé das Neves. Vi logo o carro e a bicicleta do Grou. Bingo! Esta foi a reportagem do jornalista Nuno Ferreira.

Aquela pedra enorme vai servir para a freguesia de Santa Bárbara de Nexe prestar homenagem aos seus canteiros (escreveu o jornalista, mas por acaso não foi esta pedra mas outra que eu ajudei a ir buscar).

Em Março de 2008 entrei de mochila às costas na Junta de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe a pedir informações sobre um conhecido acordeonista da região. O secretário da autarquia, depois de ter confessado que nunca tinha sido abordado por um jornalista de mochila às costas, levou-me a casa do músico veterano e lenda da região, mas ele não estava. Foi quando se virou para mim e disse: “Ouça, você não entrevista o acordeonista mas vai entrevistar os nossos canteiros”. Foi assim que tomei contacto com a história memorável dos canteiros da Bordeira. Encontrei José das Neves Moleiro, então com 68 anos, na Casa de Pasto Rústica, à beira da estrada, em companhia de outro grande canteiro, João Desidério.

José e João foram dois dos muitos canteiros da localidade da Bordeira que rumaram para França no tempo da ditadura e das vacas magras e acabaram a protagonizar o restauro de monumentos famosos no mundo inteiro.

Começaram ali, em crianças, mais precisamente nas pedreiras do lugar de Funchais, Bordeira, andaram por Cascais, alguns, e depois fizeram-se à vida e trabalharam no que sempre moldaram e os moldou a eles.

“A malta nova não tinha outra saída nesse tempo. Aqui, só havia uma oficina de carpintaria. Íamos para as pedreiras, ao todo éramos mais de 100 canteiros. Era vida de escravo, naqueles buracos marafados, o “bicho” queria se endireitar e não podia...”, contou-me José. Nos anos 60, quase tudo emigrou. “Quase tudo abalou, primeiro para Cascais e depois para França. A gente não queria nada com a guerra colonial. Eu atravessei o Guadiana a salto no dia 29 de Janeiro de 1962”.

José acabou por viver 38 anos em Paris. “A princípio, o mais difícil foi adaptar-me à língua. Depois, fui arranjando trabalho no “boca à boca”. Comecei a trabalhar no mais fácil mas nunca imaginei vir a restaurar os monumentos que restaurei”.
A destruição da Iª Guerra Mundial, a poluição, a erosão provocada pelo clima, tudo foi deixando marcas na pedra das obras de arte francesas. “A pedra deles é mais macia, absorve mais a água...”

Os dedos da mão de José das Neves Moleiros não chegavam para contar o número de monumentos que a sua arte de canteiro algarvio e “made in” Bordeira ajudou a restaurar: “Em Versailles, logo à entrada, junto às grades, está trabalho cá do velho. Nas cocheiras do palácio também. E se for à Catedral de Nôtre Dame, procure bem uma «estatuazinha» pequena na parte de trás do jardim. Fui eu que a restaurei”.

O olhar de José brilhava de orgulho. Por perto, mais reservado, o mestre João Desidério escutava a conversa como se não fosse nada com ele. Foi José a ajudá-lo a soltar a modéstia. “Tu João, tu também restauraste muita coisa”. Só em Paris, João trabalhou no restauro da Assembleia Nacional, do Louvre, dos Invalides e do Sacré Coeur. Da grande basílica de Montmartre lembram-se os dois bem, não haveriam de se lembrar. “A pedra do Sacré Coeur era pedra marafada, rija de um raio, mais duro que um ferro...”

Deixei a Bordeira e os canteiros entregues à conversa sobre os futuros museus da cantaria e monumento aos canteiros e fiz-me à imprevisibilidade da estrada. Parti bem mais rico do que quando ali parei, à porta da Junta de Freguesia e na mente ecoavam ainda as palavras de José das Neves Moleiro: “Eles em papel eram mais fortes mas depois na prática a gente éramos os reis”.


O mestre José das Neves inspecciona a fractura na rocha.


Links: 1, 2 e 3

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Rasmono 75 euros o quilo

75 euros o quilo de rosmaninho
se não houver engano do dono
poupo o meu dinheirinho
e vou ao mato apanhar rasmono
Fui a um supermercado, desses nacionais, comprar legumes para salada e curioso vejo várias verduras pouco habituais. Como o funcho, que é bom para por nos figos secos. Depois vi rosmaninho que é bom para por na carne grelhada ou no forno. Preparem-se... Umas 4 hastes de rosmaninho 1,50 euro!!! Fui ver bem e era 75 euros o quilo!!! O que a gente tem a pontapés por toda a freguesia e por esses matos, a malta da cidade deve pensar que é baratito 1 eurito e meio para fazer um bom molho!!! Os gajos dos supermercados não são parvos...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Igreja Matriz de Santa Bárbara de Nexe

A nossa bela igreja, altaneira sobre o Largo do Rossio. A Igreja Matriz de Santa Bárbara de Nexe é uma das maiores e mais importantes no Algarve rural. A sua construção começou no século XIV, no lugar de uma antiga ermida já existente, onde eram relatados "milagres" e que era local de romagens regionais. Foi alvo de importantes intervenções nos séculos XVII e XVIII. Sofreu muito com o terramoto de 1755. É um edifício de três naves de cinco tramos, com arcos ogivais suportados por colunas. Um arco triunfal exuberantemente decorado com ramos e troncos, em puro estilo manuelino e proto-renascentista, separa a nave central da capela-mor, cuja cobertura é decorada por uma abóbada estrelada, de cinco chaves, ligadas por combados em forma de corda.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A Regionalização

in Algarve Mais, Fevereiro de 2011

No último número da Algarve Mais, o nosso cronista Vitor Madeira reflectiu sobre a ausência de uma consciência regional algarvia, a crise politica do Algarve, os nossos políticos de pouca qualidade que se escondem atrás da regionalização para justificar a sua incapacidade e considerando que a regionalização não é solução. Sintetizo alguns pontos centrais e dou continuidade a essa reflexão.

1. Os algarvios estão alheados da matérias que implicam a região.

Concordo mas com duas nuances. A primeira é que o Algarve não é muito diferente do resto de um país distraído, no mínimo. Basta ver como nos últimos 30 anos os portugueses têm sido suavemente condescendentes ou apoiantes de governantes que nos levaram ao estado caótico do país. A segunda nuance é que, no Algarve, talvez metade da população e muitos membros da massa crítica que são os intelectuais e os decisores no sectores público e privado não são originários do Algarve, tendo vindo de outras regiões do país, não sentindo verdadeiramente o Algarve mas sim um estatuto vazio de um sentimento de pertença regional.

2. A influência e capacidade reivindicativa do Algarve são cada vez mais reduzidas no território nacional.

Concordo em absoluto. Basta ver como no Algarve o PS e PSD se calam perante a imposição de Lisboa, para o nosso circulo eleitoral ,de cabeças de lista às eleições legislativas vindos de outras regiões. Tal acontece porque actualmente é que temos um poder político isolado nas suas quintinhas das Câmaras às Direcções Regionais. Tal acontece porque temos dirigentes partidários cá, concordo que são de pouca qualidade e que se escondem atrás da regionalização para justificar a sua incapacidade, que estão mais preocupados com futuros lugares ou com estratégias políticas nacionais mesmo que sejam contrárias aos interesses do Algarve. Mas tal acontece porque esses dirigentes partidários contam com o alheamento quase generalizado e não respondem e não prestam contas mais directamente perante os algarvios. Precisamente porque os nossos dirigentes partidários regionais, por falta de regionalização, não passam pelo crivo do voto dos algarvios para uma liderança regional.

3. Os concelhos com menos habitantes ficarão a perder com a regionalização.

Esta é uma aritmética questionável. A pensar assim então teremos de dizer que o Algarve e Trás-os-montes têm que sair de Portugal porque são regiões menos populosas, que Alcoutim e Vimioso têm que sair das suas regiões e do país porque são concelhos menos populosos, que Moimenta e Giões têm de sair dos seus concelhos, região e país porque são freguesias menos populosas.

Uma coisa parece ser mais certa: uma região dinâmica trará vantagens para todos os seus concelhos. Por outro lado, o que se pode constatar é que é actualmente, sem regionalização, quem mais tem sofrido e mais se tem desertificado são as regiões, concelhos e freguesias com menos população.

Parece-me que as populações periféricas do nosso país têm sofrido mais precisamente porque somos o país mais centralista da União Europeia. Muitos erros governativos foram cometidos e demasiados recursos financeiros foram concentrados em Lisboa porque, consultando dados da OCDE, União Europeia e FMI, constata-se que Portugal apresenta um grau de centralismo político-administrativo na ordem dos 90% e de descentralização na ordem dos 10%. Pelo contrário, a descentralização é da ordem dos 19% na França, 27% na Holanda, 25% na Irlanda, 50% na Áustria, 45% na Dinamarca, 40% em Espanha, 35% na Finlândia, 25% na Estónia e 30% na Letónia.

4. A regionalização não é a a panaceia para todos os males do Algarve.

Também concordo mas não sendo uma panaceia para todos os males é a resposta mais eficaz para alguns males bastante importantes. O primeiro, e talvez o mais importante, é a possibilidade de se ultrapassar o actual panorama do poder político-administrativo do Algarve: a divisão em quintinhas. Temos uma administração regional espartilhada num triângulo muito ineficaz: num vértice, as 16 Câmaras do Algarve e a sua Associação Metropolitana sem poderes, recursos, representatividade e peso dignos a um nível regional; noutro vértice, as estruturas regionais telecomandadas de Lisboa e sem peso político (Economia, Educação, Agricultura, Cultura, Desporto, etc.); noutro vértice, a estrutura regional mais poderosa mas sem a legitimidade do voto popular e sem peso político suficiente, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional.

O Algarve necessita de, chamem-lhe regionalização ou outra coisa qualquer, uma estrutura regional forte, democraticamente eleita e legítima, com peso representativo, institucional, político e negocial reconhecido por todos os agentes públicos e privados, regionais, nacionais e europeus. Para acabar com as decisões tomadas em Lisboa sem perguntar nada, sem dar ouvidos ou sem dar satisfações ao Algarve. Tal desiderato, ninguém leve a mal, não se alcança com dezasseis Presidentes de Câmara que têm de dar satisfações a quem os elege no seu Concelho e não ao Algarve.

Sinceramente parece-me as polémicas do Hospital Central do Algarve, da requalificação da EN125, da portagens na Via do Infante, da Ponte de Alcoutim, etc., vão-se arrastando precisamente porque faz falta no Algarve um poder regional forte, representativo e reivindicativo e não vejo como se consegue chegar a ele sem ser através da regionalização, de um governo regional eleito e legitimado pelos algarvios.

Como é que os algarvios vão arregaçar as mangas e lutar pelo futuro da região do Algarve sem uma ideia, um projecto, uma estrutura aglutinadora e de unidade da região?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Xutos - Sem eira nem beira

É o que estou a ouvir: Xutos - Sem eira nem beira. Uma das melhores músicas dos Xutos mas que quase não se ouviu na rádio. Passou umas poucas vezes mas despois parece que foi censurada.