terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Obras da Fagar

Extracto do ofício enviado à Fagar e ao Presidente da Câmara:


A esta Junta de Freguesia chegam diariamente reclamações sobre as obras da Fagar, que temos feito chegar a V. Exas.

(...)

Desde logo, com cada vez mais os pavimentos danificados à espera de repavimentação.

(...)

Por outro lado, a reposição de pavimentos é de muito baixa qualidade.

(...)

Não é feita uma compactação adequada das valas.

(...)

Os prejuízos nas viaturas automóveis particulares são elevados. Não há pneus, jantes e suspensões que resistam.

(...)

É pertinente tomar as medidas necessárias para corrigir preventivamente as falhas detectadas, em lugar de passarmos mais um ou dois anos em trocas diárias de comunicações enquanto os munícipes sofrem prejuízos diariamente.

(...)

As obras têm de ter método, as valas devem ser devidamente compactadas e repavimentadas com qualidade, as calçadas devem ser repostas e os caminhos e estradas devem estar transitáveis fora do período de trabalho nessas obras.


sábado, 10 de dezembro de 2011

Donos do Mundo


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in Algarve Mais, Dezembro de 2011

Thomas Jefferson, disse em 1802, portanto há 209 anos atrás: “Acredito que os bancos são mais perigosos para as nossas liberdades do que os exércitos. Se o povo Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo.”

Jefferson não foi um qualquer radical, foi o principal redator da declaração de independência dos EUA e foi o 3º Presidente norte-americano. Pelo andar das coisas, a visão de Jefferson vai-se concretizar e na Europa como nos EUA uma grande parte da população vai cair na pobreza.

Os bancos, os fundos de investimento, o poder financeiro das multinacionais, com as mãos muito livres, são os novos donos do mundo, ganharam uma dimensão asfixiante e uma vida própria que não respeita a vida humana, ganharam uma dimensão e um poder que esmaga a vida humana. Hoje em dia, há quem aponte que 90% dos milhões de milhões de euros que circulam sem parar diariamente pelo mundo não têm nada a ver com a produção ou comércio de bens ou serviços, não têm nada a ver com emprego nem salários. Hoje em dia, 90% dos milhões de milhões de euros que circulam pelo mundo movem-se no campo da especulação, de criar lucro com compras e vendas especulativas de ações, moedas, produtos futuros.

Chegámos a este ponto a reboque de uma ideologia neo-liberal, com a crescente desregulação dos mercados financeiros a partir da década de 1980, com a justificação que a liberalização financeira iria permitir uma melhor movimentação internacional e uma aplicação do capital onde ele fizesse mais falta, potenciando um grande crescimento económico mas o resultado não foi esse. Não só não se cumpriu nenhum paraíso na terra como o crescimento da finança desregulada acompanhado do crescimento do poder das multinacionais é equivalente à crescente sucessão de crises que ameaça tornar-se numa depressão económica jamais vista.

Nas 100 maiores economias do mundo estão 42 empresas multinacionais, essencialmente das áreas do petróleo, banca, seguros, telecomunicações, farmacêutica, agrotóxicos, supermercados e indústria automóvel. As maiores 500 empresas do mundo têm um lucro total equivalente a um terço do rendimento mundial. São os donos do mundo.

Portugal tem um Produto Interno Bruto anual de 167 mil milhões de euros. À frente de Portugal estão uns 35 países e atrás uns 150 países. Mas, o Royal Bank of Scotland tem ativos no valor de 2 500 mil milhões de euros, a Shell tem vendas no valor de 333 mil milhões de euros e a ExxonMobil tem um valor de 243 mil milhões de euros de euros. E os fundos de investimento da Bridgewater Associates têm 42 mil milhões de euros e os da Pimco têm 18 mil milhões de euros. Em Portugal as vendas das maiores 50 empresas superam os 50 mil milhões de euros

Os Estados, assim como os trabalhadores e os consumidores, perderam poder para as multinacionais e fundos de investimento, que por sua vez arrastam os salários para baixo e concentram o lucro numa escassa classe de super-ricos, 1% da população, destruindo a classe média e atirando para a pobreza uma grande parte da população.

Foi quebrado um contrato social entre o capital e o trabalho que tinha sido instituído após a Grande Depressão da década de 1930 e após a II Guerra Mundial. O medo da ascensão da URSS e da luta dos trabalhadores, o medo dos horrores das 2 guerras mundiais, geraram um contrato social na Europa e nos EUA baseado na valorização do trabalho e do salário, no desenvolvimento da Segurança Social, na presença do Estado na Economia e em setores estratégicos, no espaço para as Pequenas e Médias Empresas.

Este contrato, que foi o grande responsável pelo desenvolvimento da Europa e dos EUA, foi rasgado pelo capital, pela escassa classe de super-ricos de 1% da população, que já não querem repartir lucros com o resto da população.

Ainda há pouco tempo estava a ver o humorista norte-americano, Jon Stewart, na TV a dizer que a guerra de classes está de volta e são os super-ricos que estão a atacar a maioria da população. Mas se o contrato social foi quebrado e a guerra de classes está de volta, também estarão de volta as convulsões sociais, as revoltas e as revoluções. Os debaixo, a maioria da população, podem estar ainda acomodados ou iludidos mas tanta pobreza e vidas precárias explodirá mais cedo ou mais tarde.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Faço greve

Para não dizerem que são as palavras de um comunista, de um bloquista ou mesmo de um socialista, recordo Paulo Morais, que foi Vereador do PSD no Porto e que escreveu no Jornal de Notícias, no dia 24 de Novembro de 2010: HOJE FAÇO GREVE. Portanto há 1 ano atrás. E não é que 1 ano depois e com um governo novo o artigo de opinião é perfeitamente actual.

Hoje faço greve. Porque me angustia o rumo que o país leva, a deterioração crescente do nível de vida dos portugueses. O crescimento do desemprego, a manutenção de salários de miséria, a par do aumento de impostos, transformaram a vida dos mais necessitados num inferno. Há frigoríficos vazios em muitas casas, rendas por pagar, famílias insolventes. Centenas de milhar estão numa agonia, reféns dos malfadados créditos ao consumo a taxas de 30 por cento. Aumentam os sem-abrigo nas ruas das áreas metropolitanas, cresce o consumo e tráfico de droga. Com mais assaltos e até mais suicídios, o ambiente social é explosivo. Só por isto faria greve.

Mas também porque estou revoltado com os partidos políticos que capturaram o regime e transformaram a actividade política numa megacentral de negócios. A corrupção instalou-se, o tráfico de influências é a regra, com uma promiscuidade permanente entre os maiores escritórios de advogados e os gabinetes governamentais, entre o Parlamento e os grandes grupos económicos. Neste panorama pantanoso, a maioria dos políticos tem hoje apenas três objectivos: manter os mandatos, bem como os privilégios que estes lhes conferem, obter negócios para os seus financiadores e apoiantes à custa dos recursos públicos e, por último, distribuir empregos e "tachos" pelos seus apaniguados. A política é hoje a "porca em que quase todos mamam" de que falava Bordalo Pinheiro.

Finalmente, faço greve porque as medidas recentemente anunciadas são contrárias às que o país precisa. Sem qualquer estratégia coerente, o intuito do governo português parece ser apenas aumentar a dívida pública, acautelando rentabilidades obscenas a quem a financia; a par da teimosia nas parcerias público-privadas que garantem aos privados todos os lucros e socializam todos os prejuízos. Para pagar estes desmandos, reduzem-se salários e aumentam-se impostos uma vez mais. Assim se irá liquidar a pouca actividade económica que heroicamente subsiste. Por isso, também pelo futuro da nossa economia, adiro à greve.

E faço greve, enfim, porque não posso fazer a revolução.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A praxe e a crise cultural













in Algarve Mais, Novembro 2011

1. Chegados a Outubro voltamos a ver, dentro e fora da Universidade do Algarve (UAlg), jovens de joelhos, a rastejar, a serem insultados e a insultar outros, a serem lambuzados com as mais nojentas mistelas e algumas vezes excrementos de animais.

2. Diz o código da praxe da UAlg que as praxes na nossa Universidade já há muitas décadas vêm a ser transmitidas de geração em geração. Ai se o ridículo paga-se imposto! A UAlg tem 30 anos, não tem muitas décadas! A praxe não existe por cá há 100 ou há 50 anos, não é uma tradição.

3. Em Portugal, a praxe tem tradição em Coimbra, mas os próprios estudantes, no contexto da luta contra a guerra colonial em África, aboliram-na na crise académica de 1969, porque os tempos não estavam para palhaçadas. Esta tradição foi reactivada na década de 1980 e depois importada por Universidades que iam abrindo pelo país. Hoje, também os tempos não estão palhaçadas e o risco que o país corre é enorme.

4. Após décadas de atrofio fascista a nível social, cultural e económico, após o turbilhão do 25 de Abril de 1974, na década de 1980, o conservadorismo regressou em força camuflado em ritos elitistas de um novo-riquismo. Numa sociedade pouco qualificada e numa grande parte ainda analfabeta, a nova tradição académica, os trajes, cresceram como símbolos de ostentação e marcavam a diferença dos futuros doutores em relação aos outros estudantes de graus de ensino inferiores e à sociedade pouco qualificada em geral.

5. Dizem que a praxe tem por objectivo integrar os recém-chegados. Como se estivessem a chegar a outro planeta! Na UAlg, não fui praxado, não praxei, não usei traje académico porque não quis, participei em jantares de curso, integrei-me, fiz amigos, sem que tivesse de humilhar ou subjugar alguém.

6. O código da praxe na UAlg diz que os caloiros devem ser tratado condignamente, não indo contra a condição do ser humano e que a praxe tem como objectivos receber condignamente os recém-chegados alunos, integrá-los e incutir-lhes as regras básicas do espírito académico, bom comportamento, e companheirismo, reflectindo-se mais tarde no crescimento pessoal. Realizar estes objectivos através da humilhação e subjugação é um contra senso! Humilhar ou subjugar alguém é desrespeitar a condição do ser humano! Como é que a humilhação ou a subjugação ajudam o desenvolvimento pessoal de alguém?

7. Entre graçolas presumivelmente inocentes, brincadeiras parvas e violência psicológica e física, a natureza da praxe é aberrante e baseia-se numa hierarquia e numa autoridade bafientas. O próprio código da praxe na UAlg fala em preservar uma cultura de servilismo, obediência e resignação!

8. Quantos dos actuais 10.000 estudantes da UAlg leram as 32 páginas das “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos”, de Antero de Quental, em 1871? Dizia Antero que, após séculos de uma ocupação romana e de uma Idade Média muito particulares, vibrantes, descentralizadas, até liberais comparando com o resto da Europa, após a aventura dos descobrimentos e a explosão renascentista, seguiu-se, no séc. xvi e em poucas décadas, uma decadência que não só durou até o tempo de Antero, como se prolongou até hoje.

9. O desenvolvimento de um absolutismo religioso, monárquico e social matou a cultura, a criatividade, a originalidade, a independência e a relativa liberdade que prosperaram durante séculos, matou o pensamento crítico e incutiu a passividade desde as classes mais baixas às classes mais altas e aos intelectuais. E o espírito aventureiro transformou-se em guerreiro, de uma nação conquistadora que para usufruir uma vida de ócio remete o seu saque para os países que trabalham. “Assim herdámos um invencível horror ao trabalho” e “nunca povo algum absorveu tantos tesouros, ficando ao mesmo tempo tão pobre!”, disse Antero.

10. Nem com o advento da monarquia liberal ou da República conseguimos libertar-nos desta cangalhada, que ainda foi reforçada durante 50 anos de fascismo em pleno séc. xx. Nas palavras de Antero “entre o senhor rei de então, e os senhores influentes de hoje, não há tão grande diferença: para o povo é sempre a mesma a servidão. Éramos mandados, somos agora governados: os dois termos quase que se equivalem”. Os portugueses, de criadores nos séculos xii a xv, passaram a tolerantes e fanáticos nos séculos xvi a xviii e chegaram a indiferentes nos séculos xix a xxi!

11. Um jovem supostamente moderno sujeitar-se à humilhação e subjugação é mais um elo da corrente que o garrota. Há sempre causas para os sorrisos submissos com que se convive na generalização dos estágios laborais mal ou nada pagos ao trabalho mal pago e precário. A resignação e a passividade são características do estado cultural do país, amorfo, derrotado.

12. Mais do que nunca é preciso atentar às palavras de Antero: “Façamos nós também, diante do espírito de verdade, o acto de contrição pelos nossos pecados históricos, porque só assim nos poderemos emendar e regenerar. (…) Que é pois necessário para readquirirmos o nosso lugar na civilização? Para entrarmos outra vez na comunhão da Europa culta? É necessário um esforço viril, um esforço supremo: quebrar resolutamente com o passado. Respeitemos a memória dos nossos avós: memoremos piedosamente os actos deles: mas não os imitemos”.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Extinção de Câmaras e Juntas de Freguesia

in Algarve Mais, Outubro 2011

Na Algarve Mais de setembro, o ilustre Dr. João Amado, no seu artigo de opinião, abordou a temática da redução de Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia. É parte do acordo assinado entre PSD, CDS, PS e a “troika”.

Como na generalidade das medidas do acordo com a troika, o objetivo é, simplesmente, cortar na despesa pública. Também concordo que é preciso cortar na despesa pública mas no desperdício e reorganizando o Estado para se gastar menos e melhor. Não como impôs a “troika”: cortar 9 mil milhões de euros a direito.

Assinou-se cortar 1 500 milhões de euros na Saúde, Educação e Segurança Social, até 2012. Corta-se 10% nas horas extraordinárias dos médicos, aumenta-se o número de alunos por turma para se reduzir o número de professores, reduz-se o tempo máximo de subsidio de desemprego para metade (1 ano e meio) e passados 6 meses é cortado 10%. Faltam as medidas de melhoria e otimização desses serviços e ignora-se que há despesa do Estado que é não é desperdício mas sim investimento, porque o salário de um médico ou de um professor é a garantia de bem-estar e de desenvolvimento.

Nas autarquias locais parece que, em primeiro lugar desaparecerão muitas mais Freguesias do que Municípios, considerando que os interesses PSD+PS instalados nas Câmaras têm poder e as Freguesias não. Em segundo lugar cortar-se-á 350 milhões de euros nas transferências para as autarquias locais, cerca de 15%.

Se apenas se preocuparem em cortar, vou mais longe: para se manter o quadro atual de pouquíssimas competências próprias e redução dos orçamentos das Juntas de Freguesia, deviam era extingui-las todas. Atualmente, já não fazem grande sentido se quase se limitam a passar licenças de cães e atestados de residência. Nas cidades têm ainda recursos financeiros mas as populações estão mais próximas da Câmara Municipal. Fora das cidades, onde as populações estão mais próximas das Juntas, estas não têm orçamento e competências para nada de importante.

É assim na minha Junta de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe: 4 000 habitantes no interior de Faro e um orçamento anual que já foi reduzido de 76 000 para 66 000 euros e com mais um corte de 15% será reduzido para 56 000 euros. Com um orçamento destes, a atividade da Junta resumir-se-á a manter a secretaria aberta, passar licenças de cães e atestados de residência e ponto final.

Parece faltar na iniciativa do Governo o que é essencial: uma descentralização significativa de competências acompanhadas pelos respetivos recursos financeiros e um novo quadro de financiamento das autarquias.

Não deixa de ser significativo que os 2 países europeus mais centralistas – Portugal e Grécia – foram os que rebentaram. Em Portugal o grau de centralismo político-administrativo é de 90%, dependente de Lisboa, da capital, na França é 79%, na Holanda é 73%, na Dinamarca é 55%, na Finlândia é 65%, na Áustria é 50%.

Faz falta colocar as decisões locais/regionais junto das populações e os decisores em lugar de serem uns desconhecidos num qualquer gabinete lisboeta devem ser os que vão a votos e são avaliados junto das suas populações.

Mas também faz falta um novo quadro de financiamento das autarquias. Discordo com o Dr. João Amado quando refere que “ninguém negará que as autarquias gastaram acima das suas possibilidades, gerando endividamentos brutais para as gerações futuras”. Em 2010, o conjunto das Câmaras tiveram um resultado positivo de 70 milhões de euros e a generalidade do Estado teve um resultado negativo acima dos 7 mil milhões de euros. Existem certamente casos de má gestão autárquica mas não são generalizáveis, conforme o Dr. João Amado reconhece, acreditando “no poder local como principal força motriz do desenvolvimento social, económico e cultural das populações após o 25 de abril” e reconhecendo “o trabalho de muitos autarcas dedicados”.

As Câmaras não devem estar dependentes das taxas sobre a construção civil. Se uma Câmara em 2005 arrecadava 20 milhões de euros nessas taxas, em 2011 vai ter apenas 2 milhões. Em 2005 projetaram-se obras e pediram-se empréstimos quando se tinha uma receita que agora esfumou-se, fazendo disparar os níveis de endividamento. E ao mesmo tempo, ao longo dos últimos 30 anos, abriu-se a porta à corrupção e para aumentar a receita cresceram os desmandos urbanísticos.

Aliás, como proposta para discussão, a acompanhar a descentralização de competências, dos 35 mil milhões de todos os impostos cobrados em Portugal, em lugar de 90% estarem nas mãos do Governo, em Lisboa, deviam ficar: 2,5% nas Freguesias onde são gerados, 12,5% nos Municípios onde são gerados, 17,5% nas regiões onde são gerados; 27,5% num fundo nacional a repartir pelas Freguesias, Municípios e Regiões para corrigir fatores de interioridade e outros; e 40% para o Governo.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Chamem essa gente à justiça, procurem o dinheiro e não se pode pagar dívida que foi feita aldrabando o Estado.

Não sei se tenho vontade de escrever. Vejo o meu Portugal a cair num poço sem fundo e parece que a maioria dos portugueses não estão a ver bem o que se está e o que se vai passar. E atiram-me logo que não há outra solução e que o Estado não tinha dinheiro para pagar salários se o FMI e a troika não tivessem vindo. NÃO, não aceito esta conversa.

Não aceito porque não devo dinheiro a ninguém, nem nunca vivi acima das possibilidades, como tanto dizem ter sido um problema. Não, não roubei 3 ou 4 mil milhões de euros no BPN. Não, nunca fiz nenhuma obra para o Estado que era para ter custado 500 milhões e depois custou o dobro. Não, não fiz nenhuma parceria pública-privada com o Estado em que o Estado é chulado aos mil milhões de euros à força toda. Não, não sou nenhum consultor ou advogado, geralmente coloridos, dos que embolsaram contratos manhosos com o Estado de mil milhões não sei quantas vezes. Não, não estive no Governo e destruí a indústria, a agricultura, as pescas e o pequeno comércio. Não, não estive na política e recebo algumas dezenas ou centenas de milhares de euros todos os anos de grandes empresas que só pode ser para influência e favores.

Portanto se o Estado não tem dinheiro foi porque alguns roubaram dezenas e até mesmo centenas de mil milhões de euros. Chamem essa gente à justiça, procurem o dinheiro e não se pode pagar dívida que foi feita aldrabando o Estado.

As políticas de Passos-Portas-PSD-CDS vão causar uma grande crise, mais pequenas empresas vão fechar, mais desemprego, mais pobreza e menos receitas para o Estado e mais buracos e mais cortes e mais crise e mais cortes e mais crise...

E sim há sempre outra alternativa. Lembro-me que há uns meses diziam que sair do Euro para se ter uma moeda nova desvalorizada para se reduzir importações, estimular a produção nacional e aumentar as exportações, era de loucos significaria um empobrecimento de 20% da população. Agora é o próprio Governo ou os seus ideólogos neo-liberais que dizem que vivíamos acima das possibilidades e temos de empobrecer 20%. Mas ficamos à mesma com uma moeda Euro forte e fora do nosso controlo.

Há uns meses falava-se em renegociar a dívida e eram loucos os que falavam nisso. Entretanto já a União Europeia falou em alargar prazos de pagamento e já se fala em perdoar 50% da dívida da Grécia. Há sempre uma alternativa.

Renegociar as parcerias publico-privadas é menos 1 mil milhões. Cortar o desperdício no Estado e optimiza-lo é menos 1 mil milhões. Cortar mil milhões em assessorias de gabinetes de advogados e similares. Taxar o capital (é mais uns mais mil milhões) e não carregar somente sobre o trabalho e o consumo. É pá, são governantes, trabalhem que vão lá chegar.

Mas NÃO podemos contar com este Governo Passos-Portas-PSD-CDS. Não querem procurar alternativas. São ortodoxos. Não podem ir contra os seus patrões, os bancos e as grandes empresas que foram quem criou esta crise portuguesa. Prometeram uma coisa e agora fazem o contrário. Seguem um programa neo-liberal de favorecimento do capital e esmagamento do trabalho, como em quase toda a Europa. É por isso que aumentam o horário de trabalho para trabalharmos mais mas de borla. A base de uma sociedade nova tem que ser o trabalho, valorizado economicamente e socialmente. O trabalho e não a preguiça, a esmola ou o subsidio tem que ser a principal forma de distribuição da riqueza. Os salários eram 56% do PIB português em 1973, em 1975 passou para 69% e em 2009 apenas 52%.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Escola Básica Santa Bárbara de Nexe

É mais um ano a lutar pela melhoria da Escola. Já vão uns 10 anos que ando nesta luta. Já se conseguiu a cantina e as instalações da pré-primária. Mas infelizmente, entre dirigentes da Câmara e de quem estava à frente da direcção da escola, o desleixo, desinteresse, incompetência, ou seja lá o que fosse, não permitiram que se resolvesse logo o problema do pó e água do recreio e a falta de um espaço desportivo.


Após tanta insistência e protestos, da Junta de Freguesia e dos Encarregados de Educação, parece que desta vez é que vai ser. Já existe um projecto para aumentar e melhorar a escola e dinheiro para o executar. Pode ser que daqui a um ano, no próximo ano lectivo, esta velha luta vai vencer. Mas é preciso continuar atentos...


Um outro problema este ano foi, novamente, o atraso na colocação de professores nas Actividades de Enriquecimento Curricular. Segundo, o Presidente da Câmara, Macário Correia, a culpa é do Ministério da Finanças que tinha de autorizar essa colocação e que ainda não deu resposta.



Paulo Sá, deputado do PCP na Assembleia da República, veio visitar a nossa Escola, no dia 16 de Setembro, para se inteirar dos seus problemas e para dar uma ajuda na sua resolução. E fez várias perguntas escritas aos Ministros das Finanças e da Educação. Se têm consciência dos problemas causados ao pais e encarregados de educação? Quando é que o problema vai ser resolvido?


















Paulo Sá, Deputado do PCP na Assembleia da República


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terça-feira, 20 de setembro de 2011

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O mundo pode ruir

in Algarve Mais, Setembro 2011

1. Nos números de julho e agosto da Algarve Mais, citei o economista norte-americano Nouriel Roubini. Em 2005, avisou para o perigo de uma crise do imobiliário nos EUA, que viria a rebentar em 2007, despoletando uma crise mundial cujas consequências parecem não ter fim. Em junho deste ano, afirmou que corria-se o risco de, em 2013, explodir a maior crise que o mundo já teve. Já em agosto, disse que evitar uma nova recessão mundial pode ser uma missão impossível.

2. Em Portugal, na Europa, nos EUA, os Governos acabaram ou vão acabar com o investimento público, aumentam o desemprego, reduzem salários, comprimem o consumo e com o investimento privado congelado, o resultado é mais crise em cima da crise.

3. O Estado não pode gastar desalmadamente e é preciso cortar muita despesa no Estado, dos tachos, ao desperdício e à ineficiência, mas não através de cortes cegos, particularmente nos apoios sociais, saúde e educação, quando a maior parte da população mais deles vai precisar precisar.

4. Não existe uma justa distribuição dos sacrifícios, nem antes com Sócrates, nem agora com Passos/Portas. Quem paga a crise é a classe média com mais impostos e a classe baixa com o corte nos serviços públicos que utilizam sem outra opção. Afinal foi noticia recentemente que a fortuna dos 25 mais ricos de Portugal aumentou 17,8 por cento e que os lucros dos bancos e grandes empresas continuam bem altos.

5. Já o economista americano Richard Wolff refere que aponta que o crescimento da dívida norte-americana resulta do pagamento de cada vez menos impostos por parte das maiores empresas norte-americanas (as outras causas são os gastos nas guerras Iraque/Afeganistão e as ajudas aos bancos). Em Portugal, o impostos extraordinário correspondente a 50% do subsidio de Natal não é aplicado aos lucros astronómicos das grandes empresas, nem na sua distribuição aos milionários por via dos dividendos acionistas.

6. Não existe uma justa distribuição dos sacrifícios porque temos governos mundiais pouco competentes, inspirados ou rendidos a uma teoria neo-liberal, como em Portugal, especialmente através do Ministro das Finanças. Victor Gaspar está encantado com uma teoria que, sendo perfeita em teoria, na prática não funciona porque a sua suposta perfeição mecânica não tem em consideração que o ser humano não é um parafuso, tem emoções, gostos, desgostos, opções.

7. A teoria perfeita não funciona porque no equilíbrio mecânico entre a oferta e a procura, eu não tenho nenhum computador na cabeça que me diga na procura qual é exatamente o melhor automóvel que posso comprar com 20 mil euros ou que me diga que existe um automóvel de 25 mil euros que é a melhor escolha porque poupará mais de 5 mil euros em combustível ou reparações. No lado da oferta também não existe uma concorrência perfeita porque as grandes empresas têm acesso a informações e favores que distorcem o mercado.

8. E a teoria perfeita tem consequências perversas. As pessoas, o trabalho, passaram a serem considerados um custo e a esmagadora maioria dos ordenados estão estagnados ou em queda nas economias ocidentais. Os salários, em 1973, eram 56% do Produto Interno Bruto português, da riqueza nacional, em 1975 passou para 69% e em 2009 apenas 52%. Nos EUA, desde 1979 os rendimentos de 1% de famílias super-ricas aumentou quase 400% e os rendimentos de 80% das famílias ficou na mesma ou caiu.

9. Também se chegou ao ponto do dinheiro que circula no mundo, 90 por cento não tem nada a ver com produção e comércio de seja o que for. É especulação e apenas dinheiro que procura ganhar dinheiro sobre ele mesmo, movendo-se em segundos entre ações, moedas de países e preços futuros de produtos, provocando instabilidade económica e crises.

10. Se a distribuição da riqueza (especialmente através do trabalho) e o controlo sobre a circulação de capitais especulativos não for realmente uma prioridade, as economias e os países ocidentais tal qual os conhecemos vão ruir. Os sinais são cada vez mais evidentes, as crises, o desemprego, a redução do poder de compra, algumas explosões sociais.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Párem de mimar os super-ricos

Párem de mimar os super-ricos, escreveu Warren Buffett, no New york Times.

O terceiro maior milionário do mundo disse que ouviu os governantes dizer que os sacrifícios eram para todos mas os super-ricos ficaram de fora dos sacrifícios, enquanto a maioria dos americanos luta para conseguir fazer chegar o seu dinheiro ao fim do mês.

Warren Buffet até diz que muitos dos super-ricos até não se importariam de pagar mais impostos mas após, anos de favorecimentos e políticas de direita dos Bush, através de facilidades fiscais e da baixa tributação dos dividendos accionistas, pagam apenas 15% de impostos, quando em 1977 pagava 40% de imposto nos seus dividendos accionistas. Quem trabalha com ele pagou entre 22% e 41%.

Já há algum tempo atrás tinha lido um artigo de opinião em que Warren Buffet dizia que desceram os impostos aos ricos com a desculpa que iriam ter mais dinheiro para investir e para criar empregos e nada disso aconteceu. Nos EUA, desde 1979 os rendimentos de 1% de famílias super-ricas aumentou quase 400% e os rendimentos de 80% das famílias ficou na mesma ou caiu.

Em Portugal, os imposto extraordinário de 50% do subsidio de natal não se aplica aos dividendos accionistas e aos juros dos depósitos, grandes rendimentos dos nossos milionários.

Os sacrifícios não são para todos e de certeza que não foram os trabalhadores e os pensionistas que criaram esta crise mas agora vão pagá-la.

Pensem com a cabeça e não com os pés.

Podem ler o artigo em inglês em http://www.nytimes.com/2011/08/15/opinion/stop-coddling-the-super-rich.html

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Pensámos que os mercados funcionavam, mas não é isso que está a acontecer.

Nouriel Roubini, economista norte-americano, em 2005, avisou para o perigo de uma crise explosiva do imobiliário nos EUA. Chamaram-no de louco. Em 2007, a crise rebentou nos EUA, um banco faliu e outros não faliram porque o Estado injectou-lhes milhões.

Em Junho deste ano, Roubini, afirmou que corria-se o risco de, em 2013, explodir a maior crise que o mundo já teve. Já em Agosto, disse que evitar uma nova recessão mundial pode ser uma missão impossível.

Roubini vai mais longe e agora diz que “Karl Marx acertou: a certa altura, o capitalismo pode autodestruir-se”.

Roubini não é comunista, bloquista ou socialista. É de direita e diz:

“Assistimos a uma redistribuição maciça do trabalho para o capital, dos salários para os lucros, a desigualdade de rendimentos e de riqueza aumentou. Esta redistribuição faz com que o excesso de capacidade e a falta de procura agregada sejam ainda piores. Karl Marx acertou: a certa altura, o capitalismo pode autodestruir-se porque não se pode continuar a transferir rendimento do trabalho para o capital sem que se gere excesso de capacidade e défice de procura agregada. E é isso que se está a passar. Pensámos que os mercados funcionavam, mas não é isso que está a acontecer. O que é racional do ponto de vista individual – cada empresa, para sobreviver e prosperar, corta os custos laborais cada vez mais –, ignora que os meus custos laborais são os rendimentos e o consumo de alguém. É por isso que este processo é autodestrutivo. Não se pode resolver o problema com liquidez. Quando existe demasiada dívida ou se supera a situação através do crescimento ou da poupança. Mas se toda a gente gasta menos e poupa mais nos sectores público e privado, então estamos perante o paradoxo keynesiano da poupança e podemos ter uma depressão.”

sábado, 13 de agosto de 2011

Beco sem saída



Publicado na edição de Agosto de 2011 da Revista Algarve Mais

1. Portugal corre o risco de fechar a porta, de abrir falência. Temos uma enorme dívida ao estrangeiro, cerca de 450 mil milhões de euros, da qual só cerca de 150 mil milhões de euros é do Estado e o resto é dos bancos e das empresas privadas.

2. Não temos economia, não temos produção, não temos produto, não temos comércio, não temos lucros, não temos crescimento para pagar essa dívida. A nossa produção, o nosso Produto Interno Bruto, vale 160 mil milhões de euros anuais

3. O Estado ficou muito perto de não conseguir pagar os juros que estão correr e os reembolsos dos empréstimos antigos, pelo que o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu vêm cá injetar 80 mil milhões de euros para o Estado poder pagar as suas dívidas.

4. Mau negócio. Pedir dinheiro emprestado para pagar empréstimos apenas nos torna mais endividados. Especialmente porque não temos, nem teremos economia para pagar tanta dívida, mais a nova do FMI e do BCE. Aliás, com a agravante de que o FMI e o BCE, com a colaboração de PSD, PS e CDS, vão praticar políticas governamentais que vão criar mais crise e menos produto para podermos pagar a dívida.

5. Começando por Cavaco e continuando por Guterres, Durão, Santana, Portas, Sócrates e agora Coelho e novamente Portas, o nosso país foi moldado para a ruína. Desde Cavaco entraram e circularam em Portugal 130 mil milhões de euros, de fundos comunitários e privatizações, que não foram utilizados para desenvolver a nossa economia, investindo na produção (agricultura, pesca e indústria), na educação (que hoje é uma mentira), na tecnologia e inovação (muito teórica e pouco prática) e na organização, a todos os níveis, de alto a baixo, no Estado e no setor privado, descentralizando e desburocratizando o Estado, apostando no associativismo privado.

6. Mas se nós pagamos para não se produzir na agricultura, pesca e indústria, outros países europeus, principalmente a Alemanha, fizeram-nos correr atrás dessa cenoura enquanto tornaram a sua indústria mais competitiva congelando salários (na Alemanha, os salários brutos nominais aumentaram 1% entre 1996-2006, enquanto que no resto da zona euro cresceram quase 2,8%) e beneficiando de uma engenharia cambial com a criação do Euro, porque a Alemanha tem hoje uma moeda muito mais fraca do que teria se tivesse o Marco e Portugal tem uma moeda muito mais forte do que normalmente estaria o Escudo. A grande produção alemã e o seu excedente comercial são o reverso da moeda do nosso défice e da nossa dívida.

7. Não, não somos malandros. Consultando dados estatísticos europeus, em comparação aos alemães, trabalhamos mais horas por semana, temos menos dias de férias, temos reformas mais tarde. O problema em Portugal é a falta de organização e a falta de qualidade empresarial (encostados aos gordos lucros dos contratos assinados com o Estado ou dos setores sem concorrência real), aliadas à excessiva burocracia estatal. Estas são as razões nacionais da nossa crise.

8. Mas Portugal, e a Grécia, Irlanda, Itália e Espanha, também foram apanhados nos meio dos interesses particulares da Alemanha e de um guerra do Dólar contra o Euro, com as agências de rating a defender a sua própria especulação e a defender o Dólar, que precisa ser revalorizado para garantir o seu escoamento internacional.

9. As políticas do Governo e da troika não respondem ao essencial e apenas nos vão levar para a ruína. Com recessão prolongada, não vamos poder pagar a dívida, vamos arrasar a economia e a maioria da nossa população e, no fim, o resultado será apenas passar para os grandes grupos privados os lucros certos da REN, Galp, Águas de Portugal, CTT, etc., dando continuidade ao desastroso atual modelo económico.

10. De uma maneira ou de outra, são cada vez mais os economistas que dizem que a situação é insustentável: Paul Krugman e Joseph Stiglitz, norte-americanos e prémios Nobel da economia; Nouriel Roubini, o economista norte-americano que previu a crise; Heiner Flassbeck, economista-chefe alemão da ONU; James Galbraith, economista norte-americano que avisa sobre as opções de uma política de investimento com escala europeia e de verdadeiro apoio aos países periféricos ou a desagregação da União Europeia com uma configuração que a centre entre a Alemanha e a Europa de Leste (um novo mercado mais atrativo e mais perto que o sul).

11. Como não parece que a Alemanha tenha muito interesse nos países do sul, o economista português, João Ferreira do Amaral, para não se dizer que é só uma conversa de PCP ou BE, já disse que é melhor ir preparando a nossa saída do Euro e a renegociação da nossa dívida. Quer se goste ou não, vamos ser obrigados.

12. Mas pode não chegar. Até já ouvi Santana Lopes a dizer que chegámos ao fim de um modelo europeu-americano com a ascensão da China e da Índia e, se o mundo não se sentar à mesa para discutir e aplicar um novo modelo de equilíbrio a nível mundial, vamos ter o caos.

domingo, 31 de julho de 2011

Subsidio para uma Associação – Parte 2










Ontem realizou-se o festival de folclore do Rancho da Associação Nexense e contou com a participação da Marcha Popular da Sociedade Bordeirense.

As duas associações são o exemplo da importância das Associações. Na nossa Freguesia temos 8 Associações activas, o que é um numero muito acima de muitas outras freguesias com dimensão semelhante à nossa.

No festival de folclore deixei uma mensagem de esperança para as associações que estão a sentir e ainda vão sentir mais dificuldades com o corte de apoios financeiros do Estado. Mas também deixei uma mensagem para que não baixem os braços, para trabalharem e também irem à luta para reivindicar e obter o que merecem.

Não podemos deixar morrer os ranchos, nem as associações, porque uma terra sem tradições e sem cultura é uma terra sem alma e igual a tantas outras terras sem vida e sem nada que as diferencie e valorize.

É preciso apoiar financeiramente as Associações da nossa Freguesia e se os tempos estão difíceis e ainda vão ficar mais é preciso pensar com a cabeça e não com os pés.

A Junta de Freguesia tem um orçamento anual de 70 mil euros e a Câmara Municipal de 30 milhões de euros.

Se a Junta de Freguesia dá um subsidio de 500 euros do seu orçamento, o mesmo peso no orçamento da Câmara significa que esta teria de dar 215 mil euros.

É fácil ver que o esforço que a Junta faz não tem comparação com o da Câmara.

Se não me falharem as contas, considerando o peso do subsidio nos dois orçamentos, a Junta dá um subsidio 43.000% (quarenta e três mil porcento) acima do subsidio da Câmara.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Subsidio de 500 euros para uma Associação







Volta e meia falam-me de que é preciso apoiar mais financeiramente as Associações da nossa Freguesia.

Os tempos estão dificeis e ainda vão ficar mais mas é preciso pensar com a cabeça e não com os pés.

Por exemplo, a Junta de Freguesia dá um subsidio de 200 euros ou de 500 euros a uma Associação local. E a Câmara Municipal dá o mesmo subsidio à mesma Associação.

A diferença é que a Junta tem um orçamento anual de 70 mil euros e a Câmara de 30 milhões de euros.

É facil ver que o esforço que a Junta faz não tem comparação com o da Câmara.

Se não me falharem as contas, considerando o peso do subsidio nos dois orçamentos, a Junta dá um subsidio 43.000% (quarenta e três mil porcento) acima do subsisio da Câmara.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A alegria do lar camponês

A alegria do lar camponês, por Xico Bexiga, poeta Nexense.

Havendo saúde e dinheiro
É a alegria do lar,
Havendo um rapaz solteiro
E uma filha p’ra casar

Dar-se bem com os vizinhos
A toda a gente querer bem,
Não invejar de quem tem
Dar auxilio aos pobrezinhos:
É viver como os santinhos
Também não ser caloteiro
No ponto de vista mais verdadeiro
Estar dentro da moral,
É o ponto principal
Havendo saúde e dinheiro

Quando algum mal nos calha
O dever é ter paciência,
Que deixa que a Previdência
Logo o mal desencalha;
Se o marido à mulher ralha
A filha pega a cantar
E o filho vai animar
O pai com toda a bondade,
Havendo esta lealdade
É a alegria do lar

A esse monte ó morada
Que alguém vá fazer visita
É a coisa mais bonita
Ver toda a gente animada;
A casa limpa e asseada
E um porco no chiqueiro
E ter algum grão no celeiro
P’ra que não haja fadigas
E p’ra alegrar as raparigas
Havendo um rapaz solteiro

E ter em casa bebida
P´ra oferecer a quem lá vá
Também não é coisa má
Acompanhando a comida;
É uma casa preferida
Fica tudo a bem falar,
Podeis nisto acreditar
P’ra ter tudo o que faz falta,
É ter conta com a malta
E uma filha p’ra casar

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Charolas na Freguesia de Santa Bárbara de Nexe



Quem estiver interessado em conhecer a história das nossas Charolas é só clicar no documento abaixo para o aumentar. É um estudo monográfico baseado numa comunicação que apresentei no 12º Congresso do Algarve (Tavira - 28 a 30 de Outubro de 2004).

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A boa e as más noticias do imposto do Natal

A boa e as más noticias do imposto do Natal. A boa é que 80% dos reformados e 65% das famílias não vão pagar porque têm rendimentos abaixo do salário mínimo = 485 euros. A primeira má é 80% dos reformados e 65% das famílias vivem entre a miséria e a pobreza mascarada.

Por mês, uma família de 2 mais 1 criança, com 400 a 500 euros de rendas ou empréstimos, água, electricidade e/ou gás já se foi 1 salário, mais uns 250 euros de comida por mês, mais despesas da escola da criança, mais vestuário e já se foi o outro salário. Nem sequer há espaço para despesas inesperadas.

Portugal não é lixo mas é uma vergonha aonde se chegou e o que se está a passar, com responsabilidades a começar em Cavaco seguindo-se Guterres, Durão, Santana, Portas, Sócrates e agora Coelho e Portas (outra vez).

Refiro já Coelho e Portas (outra vez) porque – e esta é a segunda má notícia – com o imposto do Natal fazem com que quem pague a crise seja apenas os trabalhadores e os reformados. Deixam de fora as grandes empresas e os grandes lucros, os bancos cujos lucros continuam nas nuvens, as acções, a especulação e os dividendos que pouco produzem, muito rendem e muito fazem tremer a economia.

Os 6 mil milhões da venda da Vivo pela PT não pagaram imposto nenhum, como não pagaram os 900 milhões que daí foram oferecidos a grandes grupos financeiros como dividendos accionistas extraordinários.

Este desequilíbrio entre os rendimentos do trabalho e os rendimentos do capital é inaceitável. Especialmente porque foi o capital, os bancos e os investidores/especuladores, que provocaram a crise e agora são os trabalhadores que a têm de pagar.

A especulação, nas sua mais variadas formas, é um cancro que ameaçar levar o mundo a uma crise que talvez signifique o fim do mundo tal qual o conhecemos.

Cerca de 90% do dinheiro que circula diariamente no mundo é especulação que se move de acção para acção ou para dívida publica ou para moedas nacionais, não tendo nada a haver com a produção e comercio do que quer que seja e apenas ajudando os super-ricos a acumular mais fortuna.

Ao contrário de alguns neo-liberais dizem que essa acumulação de fortunas é essencial para haver mais investimento e desenvolvimento, Warren Buffet, milionário e investidor norte-americano, dono da Moody's, até já disse que este sistema de favorecimento aos super-ricos apenas e só os tornou mais ricos enquanto a larga maioria da população vê as suas condições de vida

Américo Amorim tornou-se no homem mais rico de Portugal, não por ter aberto mais 10 fábricas de cortiça ou mais 20 hotéis, mas por lhe terem caído nas mãos mais de 15% das acções da Galp. A Galp deixou de ter como objectivo estar ao serviço do desenvolvimento de Portugal. Temos o segundo gasóleo e a terceira gasolina mais caros da Europa antes de impostos. A Galp passou a ter por objectivo ter lucros chorudos para serem distribuídos pelos seus accionistas (e 55 milhões para Amorim), dos quais o Estado vai deixar se fazer parte por acção deste Governo PSD+CDS+PS+PASSOS COELHO+PORTAS+FMI.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Charolas

Este é um artigo de opinião que publiquei no jornal barlavento, no dia 10 de Janeiro de 2010.

terça-feira, 12 de julho de 2011

O bom e ruim



O bom e ruim
por Francisco Dias Bexiga

Quem é ruim, não vale nada
Quem é bom, hoje nada vale
Por isso, meu camarada,
Não percebo Portugal

Às vezes ouço falar
Muito contra a um ladrão
Que devia ir p’ra prisão
Para nunca mais roubar.
Dizem que se devia matar
Aquele bala safada,
Que só merece é pancada
E só tem é malvadez.
Amigo, pois tu não vês,
Quem é ruim, não vale nada

Também há quem mal diga
Dum triste pobrezinho
Que vai pedir um bocadinho
Que a necessidade obriga.
Ele quer encher a barriga
Tem sido sempre leal
É bondoso, não faz mal,
Anda no mundo penando
E mesmo assim ficam dizendo
Quem é bom, hoje nada vale

Junta-se o ladrão e o pobre,
São bem diferentes na vida,
Mede-nos na mesma medida
Porque nem um nem outro é nobre;
Porque o rico nunca encobre
O que domina a enxada
Quer ver a terra cavada
Mas não vê o que lhe custa
Devia comer à justa
Por isso, meu camarada.

A saber qual é culpado
Destes três que publiquei
Me parece até que sei:
É o que não anda falado.
Assim anda tudo errado
Como eu, também, ando igual
Mas a razão afinal
A crer explicá-la bem
Rouba o rico a quem não tem
Não percebo Portugal

domingo, 10 de julho de 2011

Flor de Liz 2010

Actuação do Grupo Charoleiro "Flor de Liz". Santa Bárbara de Nexe. Dia de Ano Novo de 2010. Operador de câmara: João Mendes

Flor de Liz from sergio martins on Vimeo.

sábado, 9 de julho de 2011

Grande Gala de Acordeão - Faro 2005 Capital Nacional da Cultura

Em 2005, no âmbito de Faro Capital Nacional da Cultura, a Junta de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe e a Sociedade Recreativa Bordeirense, organizaram uma Grande Gala de Acordeão, com Daniel Rato, Duo Semyonov, Hélder Barracosa, Ilda Rodrigues, João Barradas, João Frade, Lígia Cipriano, Maria Adélia Botelho e do Quarteto Nelson Conceição. Foi um sucesso com lotação esgotada e gente sentada nas escadas. Fica aqui um excerto da actuação de Daniel Rato.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A nossa Ermida de Santa Catarina dos Gorjões tem mais de 500 anos

É um templo de origem tardo-medieval (século XV), com uma única nave e capela-mor. É uma ermida de cariz popular e grande singeleza de linhas, de planta longitudinal com contrafortes.



terça-feira, 5 de julho de 2011

Portugal é LIXO

Portugal é LIXO. Diz uma obscura agência Moody's, daquelas que diziam que o banco americano Lehman Brothers era ouro, no próprio dia em que o banco faliu.

LIXO é todo o sistema mundial que foi montado nos últimos 30 anos. Em Portugal aconteceu o mesmo. O dinheiro já não se reproduz por via do investimento produtivo. Produzir, vender, empregar. O dinheiro reproduz-se por via da especulação, nas bolsa, na dívida, nos bens.

Américo Amorim tornou-se no homem mais rico de Portugal, não por ter aberto mais 10 fábricas de cortiça ou mais 20 hotéis, mas por lhe terem caído nas mãos mais de 15% das acções da Galp. A Galp deixou de ter como objectivo estar ao serviço do desenvolvimento de Portugal. Temos o segundo gasóleo e a terceira gasolina mais caros da Europa antes de impostos. A Galp passou a ter por objectivo ter lucros chorudos para serem distribuídos pelos seus accionistas (e 55 milhões para Amorim), dos quais o Estado vai deixar se fazer parte por acção deste Governo PSD+CDS+PASSOS COELHO+PORTAS+FMI.

É todo um sistema que tem sido montado a cumplicidade dos governantes, a começar com Cavaco e a acabar em Sócrates. Mas é um sistema que está à beira do colapso: as pessoas não vão aguentar tantos cortes.

Warren Buffet, milionário e investidor norte-americano, denunciou que este sistema de favorecimento aos super-ricos apenas e só os tornou mais ricos enquanto a larga maioria da população vê as suas condições de vida cairem.

domingo, 3 de julho de 2011

O fim do mundo



in Algarve Mais, Julho 2011

Estamos à beira do fim do mundo tal qual o conhecemos. O economista norte-americano Nouriel Roubini disse recentemente que se estão a juntar as condições para, em 2013, acontecer a “tempestade perfeita”. Na meteorologia “tempestade perfeita” significa que vários factores meteorológicos juntam-se para criar a tempestade mais destrutiva de todas. Roubini diz que a dívida e a escassez de dinheiro nos Estados Unidos, a possibilidade da Europa ter que reestruturar a sua dívida e colocar menos dinheiro nos credores, a estagnação económica do Japão e a desaceleração do crescimento da China podem criar a maior e mais devastadora crise mundial de sempre, já em 2013.

Muitos economistas e políticos fingem que não ouviram e só não o chamam de louco porque já o tinham feito em 2005, quando Roubini disse que estávamos à beira de uma crise do imobiliário nos Estados Unidos, que veio a rebentar em 2007 e a arrastar o mundo para a actual crise.

Também fingem que não ouvem Roubini a dizer que Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha vão ter de sair do Euro se este continuar fortemente valorizado, acrescentado eu, ao serviço dos interesses da Alemanha.

Tal como não fingem que não ouvem Paul Krugman, economista norte-americano e prémio Nobel, dizendo que Portugal não vai ser capaz de pagar a dívida, que os planos de austeridade não vão ter qualquer utilidade e vão apenas agravar a recessão. Krugman fala que a única saída para Portugal é reestruturação da dívida, definindo novos prazos de pagamento e mesmo juros mais baixos sobre a divida passada, em lugar de se pedir mais empréstimos para pagar empréstimos. Hoje até o PSD já admite a reestruturação da dívida, quando ontem chamava de irresponsáveis aos poucos que propunham essa medida. No entanto, só falam de reestruturação para daqui a 2 anos porque falta por jóias da coroa como os CTT, a REN e o resto da EDP e Galp no bolso de alguns amigos.

A realidade é que Portugal não tem economia para pagar a dívida atrasada quanto mais a nova que estão agora a contrair no Fundo Monetário Internacional, no Banco Central Europeu e na Comissão Europeia. E com a agravante das medidas de austeridade da troika FMI. BCE e CE irem alimentar a crise nos próximos tempos.

Quando os milhões da CEE começaram a entrar em Portugal, com Cavaco Silva a Primeiro-Ministro e com as privatizações de empresas públicas monopolistas ou semi-monopolistas, foi um fartar de dinheiro para destruir a agricultura, a pesca e a indústria e foi um incentivo tremendo para que o capital / investimento fugisse de empresas ligadas aos sectores produtivo para as acções das grandes empresas monopolistas.

No entanto, cerca de 1/4dos portugueses, 25% da população, puseram o PSD e o CDS no Governo. Apesar de não parecer que a maioria saiba o que Coelho e Portas assinaram com a troika, visto que os artistas passaram uma campanha a não querer falar das suas propostas. Preparem-se para a redução de salários, o aumento de impostos (que tanto vai afectar o turismo), o aumento das taxas dos hospitais, os cortes na educação e nas autarquias locais, etc. etc.. Preparem-se para mais crise sobre a crise.

As nuvens de tempestade são mais do que muitas sobre o nosso céu algarvio e sobre todo mundo. Muitos parecem fingir que não é grave e outros não ligam mas a crise está aí e vai piorar ainda muito mais.

O problema é de fundo: as economias ocidentais foram baseadas no consumo desenfreado e essa base está a ruir. O trabalho passou a ser um custo, a esmagadora maioria dos ordenados estão estagnados ou em queda nas economias ocidentais. Temos mais riqueza mas ela não é verdadeiramente redistribuída. Os consumidores vão desaparecendo e mesmo que se conseguisse inverter a tendência com a incorporação maciça da China no consumo, ao nível de, por exemplo Portugal, o mundo acabava no dia seguinte devido à falta de petróleo e da poluição gerada.

Não temos é pensadores, políticos, economistas ou filósofos à altura da crise, não temos gente para pensar como evitar a tempestade perfeita ou como sair desta encruzilhada. A maioria segue apressada para o abismo e a minoria que tenta escapar ao abismo é ignorada pela maior parte da população. Talvez também não tenhamos cidadãos à altura da crise.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Mastro de São Pedro



Terça-feira, 28 de Junho às 21:00 em Santa Bárbara de Nexe (Centro)
Baile com Nestor e Nuno, Actuação da Marcha Popular de Bordeira, Sardinhas, Fogueira.



segunda-feira, 20 de junho de 2011

Algarve

De Sagres a Vila Real
De Faro até ao Vascão
Algarve tu és um vale
Que dás produto à Nação

I
As tuas amendoeiras
Que hoje, em ti, brilham tanto
Como outro fruto tão santo
Filho das alfarrobeiras.
Além, com tuas oliveiras,
Como tu não há igual.
És canto industrial
Mandas p’ras outras nações
Tu rendes muitos milhões
De Sagres a Vila Real

II
Essa tua pura hortaliça
Que o teu Sul produz
Como o teu Norte conduz
Da mais perfeita cortiça
Viver em ti dás cobiça
Aos teus filhos, querido torrão,
És símbolo de gratidão
Mais que toda a terra
Com frescos ares da serra
De Faro até ao Vascão

III
Tua gente é saudável
Por seres clima sadio
Cá não há calor, nem frio,
Em toda a época és agradável
Tornaste-te admirável
Com teu valor imortal,
Província de Portugal,
És o mundo Lusitano
Cercado do oceano
Algarve tu és um vale

IV
És tu quem consegues dar
Produção p’ro mundo inteiro
Porque todo o estrangeiro
Está de ti a precisar.
Por isso vou-te chamar
Rainha da produção
Por sentir satisfação
Vivo em ti com alegria
Ó minha terra algarvia
Que dás produto à nação

Xico Bexiga, poeta popular Nexense.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Resultados eleitorais Freguesia de Santa Bárbara de Nexe

1. Dizem que a maioria é clara mas o número de deputados PSD+CDS está enviesado porque tendo bastante mais deputados do que os dos restantes partidos na realidade o número de votos dividiu-se quase em 50,4% para PSD+CDS e 49,6% para o resto. Portanto, a vitória tem algumas espinhas.

2. Dizem que os portugueses aprovaram a agenda liberal de Passos Coelho, no entanto, essa agenda não foi apresentada de forma clara aos portugueses. Passos Coelho fugiu quase sempre a entrar no detalhe das suas propostas, especialmente as que vão ser mais penosas.

3. Dizem que houve uma votação maciça PSD+PS+CDS como aprovação das medidas da troika FMI e Lda pelos portugueses mas se forem perguntar aos portugueses, incluindo os votantes PSD+PS+CDS, a larga maioria não conhece praticamente nada sobre essas medidas, nem votou aprovando ou desaprovando essas medidas mas sim a favor ou contra Sócrates.

4. Sobre os resultados da governação PSD+CDS+FMI falaremos depois, ou melhor, iremos falando nos próximos meses.

5. Sobre os resultados eleitorais convém não esquecer que cerca de metade dos portugueses nem se dão ao trabalho de votar. Estão contentes? Não confiam em nenhum partido? Não dão importância e é-lhes indiferente quem nos governa e o que fazem no governo, mesmo quando o que fazem é desastroso? Teremos um povo inculto que não sabe quais são as suas prioridades? As perguntas ficam no ar.´

6. Na Freguesia de Santa Bárbara de Nexe ganhou o PSD com 32.4%, seguido do PS com 23,8%, da CDU com 16,8%, do CDS com 10,8% e do BE com 6,6%.

7. Em relação às ultimas eleições sobem o PSD, a CDU e o CDS e descem o PS e o BE.

8. O PSD na nossa Freguesia ficou bastante abaixo do total nacional que foi de 38,6%.

9. Na nossa Freguesia o PSD+CDS não conseguiram a maioria ficando-se pelos 43,3%, contra os 56,7% dos restantes.

10. Destaca-se que, mesmo com o crescimento da direita, a CDU cresceu e continua a ganhar posições e o PSD está muito longe das votações de quase 50% da CDU para a Junta de Freguesia.

11. No Algarve, a CDU cresceu e elegeu o deputado Paulo Sá. Temos agora ao nosso alcance diário alguém que pode defender o Algarve sem estar não está preso às ordens de Lisboa e do FMI.








sábado, 4 de junho de 2011

Os ratos votam nos gatos para os governar?

Uma história animada excelente.

Ratos que votavam em gatos brancos para os governar com promessas manhosas e que depois eram comidos.

Mudaram o governo para gatos pretos e depois eram comidos e depois mudaram para gatos malhados e uma coligação de gatos de duas cores e eram sempre comidos.

Concluíram que os ratos só podem votar nos ratos.

A animação tem por base a adptação de um discurso real de Thomas Douglas, governador de uma região do Canadá durante a década de 1950.



Agora pensem:

1. Se eu for um pequeno comerciante vou votar no PSD/Passos Coelho que é apoiado pelo Belmiro de Azevedo/Sonae/Continente e por Soares dos Santos/Jerónimo Martins/Pingo Doce? Um rato vota nos gatos?

2. Se eu for um reformado vou votar em Paulo Portas/CDS ou Sócrates/PS ou PSD/Passos Coelho que assinaram um acordo com o FMI para diminuir as reformas e aumentar os medicamentos? Um rato vota nos gatos?

3. Se eu sou utilizador regular da Via do Infante vou votar PS ou PSD ou nos seus cabeças de lista João Soares ou Mendes Bota que se puseram de joelhos em Lisboa para serem introduzidas portagens na Via do infante? Um rato vota nos gatos?

4. Se for um habitante de Alcoutim ou São Brás ou Santa Bárbara de Nexe ou Estoi vou votar no PSD, no PS ou no CDS que assinaram um acordo com o FMI que vai extinguir as Câmaras e as Freguesias mais pequenas? Um rato vota nos gatos?

5. Se em for um pequeno empresário na Freguesia de Santa Bárbara de Nexe ou Estoi ou qualquer outra fora do litoral vou votar PSD, PS ou CDS que assinaram um acordo com o FMI que vai acabar com as taxas reduzidas de IRC da minha empresa e vou pagar mais impostos? Um rato vota nos gatos?

6. Se tiver o dinheiro contado até até ao fim do mês vou votar PSD, PS ou CDS que assinaram um acordo com o FMI que vai aumentar a electricidade, o IVA, os impostos sobre as casas e os automóveis? Um rato vota nos gatos?

7. Se pago impostos vou votar PSD, PS ou CDS que assinaram um acordo com o FMI para cortar na educação e na saúde aos mesmo tempo que são os milhares de milhões de euros do orçamento de estado que vão parar às grandes empresas e bancos em que se enfiam os quadros do PSD, PS e CDS? Um rato vota nos gatos?

Como sou rato não posso votar PSD, PS ou CDS, nem nos seus candidatos a deputados pelo Algarve que não fazem nada pela nossa região ou que falam, falam mas no fim sujeitam-se às ordens de Lisboa contra o Algarve.

Como sou rato vou votar Paulo Sá / CDU. Não posso votar no gatos. Vou votar em quem pode ser deputado pelo Algarve e que não se vai sujeitar às ordens de Lisboa contra o Algarve e em quem quer levantar o Algarve e as sua pequenas e médias empresas, a agricultura, pesca e indústria, o emprego.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Abram os olhos. Vejam como foram buscar 10 mil milhões de euros aos bolsos dos portugueses.

1. Almerindo Marques, enquanto Presidente das Estradas de Portugal, renegociou os contratos com as empresas que gerem as auto-estradas SCUT, sem portagens, como a Via do Infante.

2. Almerindo Marques, após essas renegociações, pediu a demissão de Presidente das Estradas de Portugal no dia 16 de Março de 2011.

3. O Tribunal de Contas revela a 11 de Maio que com essa renegociação de contratos a dívida do Estado às empresas concessionárias das SCUT passou de 178 milhões quando os portugueses não pagavam portagens para 10 mil milhões de euros em rendas fixas quando os portugueses passarem a pagar portagens. Portanto, a divida do Estado aumentou mais de 50 vezes e os portugueses vão passar a pagar portagens e mais impostos para pagar esse acréscimo de dívida.

4. Metade desse dinheiro, mais de 5 mil milhões de euros, irão para a empresa Ascendi, liderada pela Mota-Engil e pelo BES.

5. A 23 de Maio é noticiado que Almerindo Marques vai ser o próximo presidente da Opway, a construtora do grupo BES.

6. Almerindo Marques é só um caso entre centenas de senhores que saltam entre PS, PSD e CDS e as empresas privadas fazendo no caminho negócios à conta do Estado, à custa dos portugueses.

7. O FMI vem para cá emprestar dinheiro para o Estado pagar uma dívida que não é do povo português. A dívida feita em nome do Estado e a crise do país são da responsabilidade dos bancos, das grandes construtoras, das grandes empresas de distribuição e das centenas de gestores recrutados de entre os quadros do PS, PSD e CDS

7. Abram os olhos e não se deixem dormir no próximo dia 5 de Junho. Portugal pode mesmo à beira do desastre total se esta malta continuar a roubar o país e nós a pagar.

domingo, 22 de maio de 2011

Estou farto de ignorantes

A Sra. Merkel, a mandona da Alemanha, disse que os portugueses são uns malandros e que portugueses, irlandeses e espanhóis não podem ter mais férias e reformar-se mais tarde do que os alemães.

Mas vamos ver os dados do Jornal de Negócios e afinal NÃO SOMOS MALANDROS!

Estou farto da ignorância dos governantes (lá e cá) e dos empresários de cá que aproveitaram logo para se agarrarem à mentira de Merkel para sugerirem que os portugueses têm que trabalhar mais e ganhar menos!

Está mais que sabido que o problema em Portugal é a falta de organização e a falta qualidade empresarial aliadas à excessiva burocracia estatal. Se não resolverem estes problemas até podem arranjar quem trabalhe 24 horas, 365 dias por anos e por 500 euros por mês que vamos na mesma ao fundo!



HORAS SEMANAIS DE TRABALHO


DIAS ANUAIS DE FÉRIAS



IDADE DE REFORMA



domingo, 15 de maio de 2011

Joaquim Isidro Conceição Rosa (Pinto)

Hoje faria anos o Pinto. Aqui fica uma homenagem com excertos de um filme feito pelo Adolfo com gravações dele e do Costa.


quarta-feira, 20 de abril de 2011

FMI - Não estamos todos no mesmo barco

Quem anda de braço dado com o FMI? Até podem disfarçar que andam a negociar melhores condições com o FMI mas o que vai ser aplicado não tem melhoras é será gravíssimo para as classes médias e baixas: redução de salários, aumento de impostos, cortes na educação, saúde e segurança social, aumento da idade da reforma, etc, etc...

Quem anda de braço dado com o FMI? O governo, PSD e CDS, os grandes empresários, os banqueiros, todos com a boca cheia: vamos todos ter que fazer sacrifícios; vamos todos contribuir para a resolução dos problemas do país.

Mas este todos é muito relativo e quem geralmente fala assim não dá o exemplo.

Por exemplos os banqueiros, tão preocupados com o futuro de Portugal, tão portugueses, que entre 2008 e 2010 foram buscar ao Banco Central Europeu 80 mil milhões de euros a 1% de juros para depois emprestar, especialmente ao Estado português, a juros entre os 5% e os 8%. Essa diferença deu-lhes um lucro de 4 mil milhões de euros. Mas quem paga esse lucro? Todos nós que pagamos impostos que financiam o Estado ou que vamos sofrer com aumentos e cortes, tudo para se apurar verbas para pagamento desses lucros.

Também é incrível que os bancos portugueses, de 2009 para 2010, tiveram mais 13% de lucros e pagaram menos 26% de impostos!!!!

Não poderiam esses senhores terem menos lucros ou pagarem os impostos como deviam e em contrapartida as classes médias e baixas não eram completamente espremidas?

Não estamos todos no mesmo barco e os sacrifícios não são para todos. Enquanto assim for não haverá soluções minimamente consensuais, nem paz social.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

As nossas elites falharam

Percam 8 minutos do vosso precioso tempo para ver “As nossas elites falharam. Falharam e conduziram o país à beira do caos económico e financeiro.” António Marinho Pinto

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Não tem que ser assim. A crise e o FMI explicados numa simples página.

1. Portugal deve ao estrangeiro 400 mil milhões de euros. O Estado deve 92 mil milhões de euros. Os bancos e similares devem 230 mil milhões de euros. Mas, entre o deve e o haver do que devemos e do que nos devem, Portugal deve realmente 165 mil milhões de euros. É muito dinheiro e a maior parte da dívida nem sequer é do Estado mas sim dos privados, dos bancos que andaram a emprestar dinheiro e em jogadas de investimentos a torto e a direito. Alguns ganharam muito dinheiro e agora querem que sejamos todos a pagar os buracos e as jogadas de alguns. 2. Não se pode esquecer que também foi preciso injectar dinheiro do Estado, de todos nós, na economia e nos bancos quando rebentou a crise internacional provocada precisamente pelas aventuras de risco dos bancos. 3. O FMI não vem resolver os problemas do país. Apenas vem trazer dinheiro para pagarmos dívidas dos ricos ao mesmo tempo que obriga a cortes cegos no Estado e talvez nos salários. 4. Para a maioria ficou uma dupla crise. A primeira com o desemprego ou a redução de salários. A segunda com os cortes nos serviços públicos (saúde, educação e segurança social). 5. Moral da história: a maioria está a pagar desesperadamente a crise que alguns super-ricos criaram. 6. Mas não tem que ser assim. 7. Associados ao BPN existem muitos valores positivos, bens e serviços como os seguros que devem ser nacionalizados para tapar o buraco do BPN, em lugar de sermos todos nós a pagar 6 mil milhões de euros dos amigos do PSD. 8. Na Islândia recusaram a solução FMI, nacionalizaram os bancos e em referendo os islandeses recusaram pagar o dinheiro que esses bancos deviam ao estrangeiro e que tinha sido utilizado para jogadinhas, jogadas e jogatonas. Os islandeses recusaram pagar os buracos que fizeram alguns muito ricos. Recusaram o FMI e já estão a sair da crise. Grécia e Irlanda aceitaram o FMI e afundam-se cada vez mais. 9. Renegociação imediata da dívida pública portuguesa, dos prazos, taxas de juro e dos montantes a pagar, aliviando o Estado do peso e do esforço do pagamento da dívida, canalizando recursos para a promoção do investimento produtivo, a criação de emprego e outras necessidades do País. O Brasil fez quando precisou e safou-se. A Irlanda ameaça fazer. 10. Vender 20% de títulos e obrigações que as instituições públicas nacionais (CGD, Segurança Social, Banco de Portugal) têm no estrangeiro para comprar dívida pública portuguesa. Falamos de 50 mil milhões de euros que tirariam Portugal da mão dos especuladores e bancos. 11. Se pagamos juros de 8% aos especuladores também podemos pagar 5% nos Certificados de Aforro, estimulando a poupança nacional. 12. Avaliação das Parcerias Público Privadas, renegociação ou cessação dos contractos ruinosos para o Estado. Extinção de uma boas centenas de institutos públicos inúteis e dos tachos. 13. As medidas 9, 10, 11 e 12 permitem uma folga para tirar Portugal da crise com uma política virada para o crescimento económico, apoio às pequenas e médias empresas e promoção da produção - produzir cada vez mais para exportar mais, importar menos e dever cada vez menos.

Sempre foi na rua, a fazer barulho, que conseguimos.

Se quiserem saber algumas da razões da crise e soluções, se tiverem uma hora de paciência para ver um filme/documentário com a canadiana Naomi Klein. No fim, Naomi Klein conta como Franklin Roosevelt, Presidente dos EUA na década da grande crise de 1930, quando tinha reuniões com organizações progressistas ou sindicatos e lhe propunham alguma política progressista, ele ouvia e dizia “então agora vão para a rua manifestarem-se e obrigar-me a fazê-la”. E assim era, em 1937 fazia-se 5000 greves por ano no EUA e estes tornaram-se a maior potência mundial. Em 2007 fizeram 21 greves. Naomi Klein diz que se queremos um mundo mais justo, mais pacífico e mais saudável temos de ir para a rua e obrigar os governantes e os mandantes a fazê-lo. Aqui pelo nosso cantinho, Jel / Nuno Duarte dos Homens da Luta disse na TV e com razão: "Sempre foi na rua, a protestar, que o povo avançou! Foi na rua que se libertaram os escravos, foi na rua que o povo conseguiu a democracia, foi na rua que as mulheres conseguiram o direito ao voto, foi na rua que os negros americanos conseguiram os direitos civis, foi na rua que os egípcios conseguiram mudar o seu regime!". E também disse que: «O que a história nos ensina é que é na rua que o povo avança. O povo, quando quis melhorar, em toda a história do mudou, sempre foi na rua, a fazer barulho, que conseguiu. E esta é uma altura para o povo vir novamente para a rua. E nós vamos estar lá a dar música».

sábado, 26 de março de 2011

A história da crise em 6 pontos

1. As aventuras e a especulação dos bancos fez explodir uma crise mundial.

2. Alguns no comando dessas jogadas enriqueceram que nem alarves (e alguns ainda estão na mamagem).

3. Os Estados tiveram de injectar dinheiro na economia para evitar a ruína total e/ou tiveram de por dinheiro ou nacionalizar bancos para evitar a ruína total.

4. Para a maioria ficou uma dupla crise. A primeira com o desemprego ou a redução de salários. A segunda com os cortes nos serviços públicos (saúde, educação e segurança social) que dizem que é para contrabalançar o dinheiro que foi injectado na economia e nos bancos (que aliás deveria ser feito de outra forma e mais suavemente).

5. Moral da história: a maioria está a pagar desesperadamente a crise que alguns super-ricos criaram.

6. Mas não tem que ser assim, na Islândia não foi assim. Podemos lutar para que não seja assim.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Banqueiros para a cadeia!

Joseph STIGLITZ, norte-americano e prémio Nobel da economia disse: We Have To Throw Bankers In Jail Or The Economy Won't Recover - temos de atirar os banqueiros para a cadeia senão a economia não vai recuperar, senão não foram castigados e vão-se sentir de mãos livres para fazer porcaria outra vez.

Porque é que hão-de ser os cidadãos, especialmente as classes baixa e média, e as PME, a pagar pelo erros de meia dúzia de afortunados banqueiros e políticos?

terça-feira, 15 de março de 2011

Jovens sem futuro

Escrevi este artigo de opinião a meio de Fevereiro para a revista Algarve Mais, ainda antes de ter conhecimento que iriam acontecer as manifestações da geração à rasca do passado dia 12 de Março.
Na televisão passaram inúmeras imagens das revoluções na Tunísia e no Egipto, todas elas repletas de jovens, muita gente entre os 20 e 30 anos. Cerca de metade da população do Egipto e da Tunísia tem menos de 35 anos. Em Portugal apenas cerca de 35% tem menos de 35 anos. Temos uma população envelhecida e eles têm uma população jovem. E vimos esses jovens revoltados com a pobreza e o desemprego.

Desenganem-se se pensam que o desemprego jovem é só um problema dos outros. Portugal e a Europa têm um desemprego jovem em torno dos 20%, mas por exemplo em Espanha é 40%. E em Portugal como noutros países da Europa ainda temos uma elevada percentagem de jovens enleados em trabalho precário e baixos salários. Temos mais de metade da juventude sem trabalho ou em situações muito precárias.

É a geração retratada na música dos Deolinda: geração sem remuneração; já é uma sorte poder estagiar; geração ‘casinha dos pais’; sempre a adiar filhos e marido...

Podemos estar perante um problema de desemprego estrutural e é virtualmente impossível ter uma economia que consiga resolver esse problema. Mesmo a crescer muito, a economia é cada vez mais marcada pelas novas tecnologias e por menos necessidade de mão-de-obra. Por outro lado, o trabalho passou a ser considerado como um custo, um factor de produção como são as máquinas, a electricidade ou as matérias primas. Como mandam as leis económicas os custos são para reduzir e o trabalhador, não mais um ser humano distinto de tudo o resto neste mundo, vê o seu salário e as suas condições de trabalhos reduzidos.

Neste contexto, na Tunísia e no Egipto, pode ser meio caminho andado para a desilusão e a ascensão dos extremistas islâmicos porque não são as eleições por si só que vão resolver o problema estrutural do desemprego e da pobreza. O fracasso nestas matérias, abre caminho ao apelo ao sobrenatural e à assistência de raiz religiosa, tão ao jeito do Hamas na Faixa de Gaza.

Mas em Portugal e na Europa, entre os jovens, também cresce a insatisfação perante o desemprego, a precariedade e as baixas remunerações. Já temos assistido na França e na Inglaterra a rebeliões de jovens, ainda que com alguma inconsciência à mistura. No entanto vai-se adensando uma consciência da falta de perspectivas sobre o futuro e a explosão pode ser violenta perante a ausência soluções.

Perante o caos social eminente, vão-nos acenado, especialmente do campo da direita política, dos teóricos neoliberais a governantes como Angela Merkel, passando pelo aspirante Passos Coelho, com flexibilizações, choques fiscais e afins, sem mexer no ponto central da crise: o crescimento das desigualdades sociais.

Desde 1970 até aos dias de hoje a população mundial duplicou mas a riqueza mundial aumentou 20 vezes. Nunca o mundo foi tão rico mas desde a década de 1980 que, com o advento do neoliberalismo de Reagan e Tatcher, a distribuição da riqueza passou para segundo plano.

O insuspeito FMI - Fundo Monetário Internacional - publicou recentemente um estudo em que se conclui que a crise financeira foi provocada pelo aprofundamento do fosso entre pobres e ricos. Tal como acontecera na Grande Depressão de 1929, a crise financeira resulta da concentração crescente de riqueza nos mais ricos e o crescente acesso ao crédito dos mais pobres, sem recursos para viver nas sociedade modernas.

Nos EUA, entre 1983 e 2007, a riqueza nacional rendimento detido pelos 5% mais ricos aumentou de 22% para 34%, resultando disso mesmo, o endividamento da restante população. Tal como aconteceu entre 1920 e 1928. Portugal é o segundo país da zona euro onde há maior desigualdade na distribuição da riqueza e isso ajuda a explicar o nosso nível de endividamento.

Sem distribuição da riqueza, sem salários dignos, sem trabalho estável, que é para onde nos levam os nossos governantes e principais aspirantes, seremos jovens sem futuro e, conscientemente ou inconscientemente, a revolta explodirá.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Recrutamos finalistas de cursos superiores sem remuneração e comparticipamos apenas a refeição




1 dias após 300.000 pessoas terem saído à rua, protestando contra o desemprego e a exploração no mercado de trabalho, a Staples, a maior empresa do mundo de material de escritório, publicou um anúncio vergonhoso para recrutar finalistas de cursos superiores, para todas as áreas do Departamento de Serviço ao Cliente & Qualidade, sem remuneração e em que comparticipam apenas a refeição.

Podem dizer que é um estágio curricular de 3 ou 6 meses mas na verdade é o regresso à escravatura.

Só existem duas alternativas: ou os políticos e as forças dominantes da sociedade actual correspondem ao anseios desta geração à rasca, ou o povo na rua tomará o seu lugar na construção de uma sociedade nova.

Ainda é tempo de sairmos para a rua, invadirmos a rua até que os poderes públicos e privados cedam ou caiam.

Em Faro gritou-se MUDANÇA. A mudança é a valorização do trabalho. Os seres humanos não são máquinas ou matérias primas, não são custos de produção. O trabalho ocupa um papel central nas sociedades humanas mas não pode ocupar toda a vivência humana, deixando espaço para a vida privada, família e lazer. A remuneração tem que corresponder aos meios necessários para a satisfação das necessidades humanas nos tempos modernos. E a protecção no desemprego tem que garantir mínimos de uma subsistência digna.

A base de uma sociedade nova tem que ser o trabalho, valorizado economicamente e socialmente. O trabalho e não a preguiça, a esmola ou o subsidio tem que ser a principal forma de distribuição da riqueza. Os salários eram 56% do PIB português em 1973, em 1975 passou para 69% e em 2009 apenas 52%. Nos EUA, desde 1979 a riqueza de 1% de famílias super-ricas aumentou quase 400% e a riqueza de 80% das famílias de classe baixa ou média ficou na mesma ou caiu.

Riqueza existe, está é mal distribuída. A luta é por trabalho dignamente remunerado e conciliado com a vida pessoal, familiar e lazer.

Vamos voltar para a rua, vamos ficar na rua.